Reposição hormonal, atividade física e alimentação equilibrada ajudam a enfrentar o climatério e a menopausa com mais saúde e bem-estar Por ...
Reposição hormonal, atividade física e alimentação equilibrada ajudam a enfrentar o climatério e a menopausa com mais saúde e bem-estar
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Aos 57 anos, a assistente administrativa Ieda Soares percebeu que a menopausa trouxe mudanças que ela não esperava. Cansaço, dificuldade de concentração e alterações no corpo passaram a fazer parte da rotina, mostrando que não se tratava apenas de uma fase passageira, mas de um período que exige compreender as transformações do organismo e buscar orientação médica.
“No início, achei que seria um alívio, mas vieram outros desafios: cansaço, dificuldade de concentração e mudanças no corpo. É uma fase em que você precisa se conhecer de verdade e buscar orientação médica adequada”, relata Ieda.
A experiência dela se repete na vida de milhões de mulheres. A partir dos 40 anos, podem surgir ondas de calor repentinas, alterações no sono, diminuição da libido e dificuldade de concentração. Não raro, esses sinais são confundidos com estresse, excesso de trabalho ou mesmo depressão – quando, na verdade, podem indicar o início do climatério, período de transição que antecede a menopausa.
Climatério x menopausa: entenda a diferença
A ginecologista e obstetra Ana Carolina Ramiro, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), explica que climatério e menopausa não são sinônimos.
Climatério:
- é todo o processo de transição hormonal, que pode se estender por vários anos;
- envolve alterações na produção de hormônios e na dinâmica do ciclo menstrual.
Menopausa:
- é a última menstruação, confirmada após 12 meses consecutivos sem ciclo;
- representa um marco dentro desse processo, não sua totalidade.
“É semelhante à adolescência. Assim como a puberdade não acontece de um dia para o outro, essa transição também ocorre ao longo de vários anos. A menopausa, que é a última menstruação, é apenas um evento dentro desse processo”, esclarece Ana Carolina.
Reposição hormonal: segurança, critérios e benefícios
Segundo a médica, a redução da produção hormonal costuma começar entre os 40 e 45 anos e pode provocar diferentes sintomas. O ponto mais importante é que a mulher não naturalize o desconforto e procure atendimento quando as alterações começarem a interferir na qualidade de vida.
Durante muitos anos, a terapia de reposição hormonal foi cercada por dúvidas e receios. Hoje, as evidências científicas mostram que, para a maioria das mulheres, o tratamento pode ser feito com segurança, desde que:
- seja indicado por profissional habilitado;
- respeite critérios clínicos e histórico individual;
- tenha acompanhamento regular.
“Hoje sabemos que é um protocolo seguro para a grande maioria das pacientes. Existem contraindicações específicas, como casos de câncer de mama ativo ou histórico da doença, mas cada mulher deve ser avaliada individualmente”, explica a ginecologista.
Entre os principais benefícios da reposição hormonal estão:
- alívio de ondas de calor, suores noturnos e insônia;
- melhora de alterações de humor e de bem-estar;
- proteção da saúde óssea, ajudando a prevenir osteoporose;
- suporte à saúde cardiovascular em perfis específicos;
- prevenção da síndrome geniturinária da menopausa, que causa:
- ressecamento;
- afinamento dos tecidos da região genital e urinária;
- dor ou desconforto nas relações sexuais;
- maior predisposição a infecções urinárias.
Tratamento não substitui hábitos saudáveis
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de mulheres estarão na fase pós-menopausa até 2030. O dado reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação, ao acompanhamento ginecológico e a tratamentos adequados, para que essa etapa seja vivida com mais saúde e qualidade de vida.
Apesar dos benefícios da reposição hormonal, Ana Carolina ressalta que o tratamento não substitui a importância de hábitos saudáveis:
“Atividades como musculação, pilates e exercícios de resistência são muito importantes. Elas ajudam a preservar a massa muscular e a fortalecer os ossos. Ter uma alimentação equilibrada também desempenha papel essencial para a saúde e o bem-estar”, destaca.
Entre as recomendações gerais para essa fase estão:
Prática regular de atividade física, com foco em:
- exercícios de força (musculação, pilates, funcional);
- atividades aeróbicas moderadas para saúde cardiovascular;
Alimentação equilibrada, priorizando:
- frutas, verduras e legumes;
- proteínas de boa qualidade;
- cereais integrais;
- redução de ultraprocessados, excesso de açúcar, sal e gorduras ruins;
Acompanhamento ginecológico periódico, que permite:
- identificar precocemente as mudanças hormonais;
- discutir opções de tratamento individualizado;
- monitorar mamas, útero, ovários e saúde óssea.
Ao entender que o climatério é uma etapa natural da vida, e não apenas “o fim da menstruação”, e ao associar tratamento médico responsável com estilo de vida saudável, as mulheres podem atravessar esse período com mais autonomia, menos sintomas e melhor qualidade de vida.
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