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Como manter o peso depois de suspender a caneta emagrecedora

Alimentação equilibrada, exercícios físicos, apoio emocional e retirada gradual da medicação são fundamentais para evitar o reganho de peso ...

Alimentação equilibrada, exercícios físicos, apoio emocional e retirada gradual da medicação são fundamentais para evitar o reganho de peso

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

O objetivo do acompanhamento após o uso das canetas é minimizar a ocorrência de pequenas oscilações de peso e evitar que o paciente retorne ao peso anterior | Foto: Divulgação

As chamadas canetas emagrecedoras podem ser grandes aliadas no tratamento da obesidade, ajudando a controlar a fome, aumentar a sensação de saciedade e favorecer a perda de peso. Porém, após a suspensão do medicamento, esses efeitos tendem a diminuir e o retorno do apetite pode facilitar o reganho de peso. Por isso, especialistas alertam que a interrupção do tratamento precisa ser planejada e acompanhada por profissionais de saúde, com foco na manutenção dos resultados.

A endocrinologista Tatiana Wanderley, do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), lembra que a obesidade é uma doença crônica, relacionada a alterações nos mecanismos de regulação da fome e da saciedade. Isso faz com que o organismo de quem convive com a doença reaja de forma mais intensa quando a medicação é retirada.

“Esses pacientes costumam sentir mais fome e menos saciedade. Quando a medicação é retirada, existe uma tendência importante ao reganho de peso, principalmente se não foram fortalecidas outras estratégias, como a mudança do estilo de vida, a relação com a comida e o cuidado com a saúde emocional”, explica.

A médica acrescenta que, após a perda de peso, o próprio corpo aciona mecanismos de adaptação, tentando retornar ao peso anterior. Em pessoas com obesidade, essa resposta costuma ser ainda mais intensa.

Mudança de hábitos começa durante o uso da caneta

A preparação para manter o peso não deve começar apenas quando a caneta é suspensa. A nutricionista Giovanna Menezes, também do Hospital de Base, destaca que o período de uso do medicamento deve ser aproveitado para construir hábitos duradouros.

“O medicamento deve ser encarado como um facilitador da mudança de comportamento, criando uma oportunidade para estabelecer hábitos alimentares saudáveis, uma rotina de exercícios e estratégias para lidar com a fome, a ansiedade e as situações do dia a dia”, orienta.

Quanto mais consolidados estiverem esses hábitos, maiores as chances de sustentar o resultado após o fim da medicação. Entre as principais medidas estão:

  • Organizar os horários das refeições;
  • evitar longos períodos de jejum;
  • aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade;
  • priorizar alimentos in natura ou minimamente processados (frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, carnes magras).

Retirada da medicação deve ser individualizada

Não existe uma regra única para suspender as canetas emagrecedoras. Segundo Tatiana, a decisão precisa ser tomada em conjunto pelo paciente e pela equipe de saúde, com base na evolução clínica e nas necessidades de cada caso.

“A tendência é que o tratamento seja mantido por longo prazo, por se tratar de uma doença crônica. Quando houver a decisão de suspender, é importante avaliar junto com o paciente e, de maneira geral, fazer a retirada aos poucos”, esclarece.

Em algumas situações:

  • pode ser necessário manter a medicação continuamente;
  • ou adotar uma estratégia de manutenção, com doses ajustadas.

Interromper por conta própria aumenta o risco de:

  • retorno acentuado do apetite;
  • dificuldade de controle do peso;
  • aparecimento do chamado efeito sanfona.

Efeito sanfona: por que ele piora a saúde

A alternância entre emagrecer e engordar repetidamente afeta a composição corporal. Tatiana explica que:

  • durante o emagrecimento, pode haver perda tanto de gordura quanto de massa muscular;
  • no reganho de peso, se não houver alimentação adequada e treinamento de força, a tendência é recuperar principalmente gordura.

“Ficar emagrecendo e engordando repetidamente pode alterar a constituição metabólica do organismo. A pessoa perde músculos e recupera mais gordura, o que prejudica o metabolismo e aumenta a resistência à insulina e a predisposição a problemas cardiovasculares”, alerta.

A médica destaca que pequenas oscilações são esperadas após a suspensão da medicação. O objetivo do acompanhamento é minimizar o reganho e evitar que o paciente retorne ao peso anterior.

Alimentação na fase de transição: foco na saciedade

Durante a transição, a alimentação deve permanecer equilibrada e adaptada às necessidades individuais. Alguns pontos-chave:

  • Proteínas (carnes magras, ovos, laticínios, leguminosas):

    • ajudam a prolongar a saciedade;
    • contribuem para preservar a massa muscular.
  • Fibras (frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais):

    • retardam o esvaziamento gástrico;
    • auxiliam no controle da glicemia;
    • reduzem oscilações bruscas de fome.

“É importante adaptar a alimentação ao retorno gradual do apetite sem recorrer a excessos. O planejamento das refeições e a constância fazem muita diferença na manutenção do peso”, destaca Giovanna.

A nutricionista alerta que dietas muito restritivas, adotadas como resposta imediata a pequenas variações na balança, podem:

  • aumentar a fome;
  • dificultar a adesão ao plano alimentar;
  • favorecer episódios de compulsão.

Cuidados que vão além do prato

Manter o peso após o uso da caneta emagrecedora exige uma abordagem que vai além da alimentação.

Entre as recomendações estão:

  • Atividade física regular, com destaque para exercícios de força (musculação, treinos resistidos), que ajudam a:

    • preservar e aumentar a massa muscular;
    • manter o gasto energético elevado.
  • Sono de qualidade:

    • noites mal dormidas alteram hormônios relacionados à fome e saciedade, como grelina e leptina.
  • Hidratação adequada:

    • beber água ao longo do dia auxilia na regulação do metabolismo e da saciedade.
  • Controle do estresse e cuidado com a saúde emocional:

    • ansiedade e emoções negativas podem estimular comer por impulso;
    • apoio psicológico pode ser necessário em muitos casos.

Giovanna reforça que o peso deve ser acompanhado sem obsessão:

“O foco deve estar na consistência dos hábitos, e não na busca por resultados perfeitos. O objetivo é construir um estilo de vida que permita manter a saúde e o peso de forma sustentável a longo prazo”, observa.

Nunca ajuste a dose por conta própria

Quem utiliza canetas emagrecedoras não deve reduzir a dose nem interromper o tratamento por conta própria. A recomendação é:

  • procurar sempre o profissional responsável pelo acompanhamento (médico, preferencialmente endocrinologista);
  • discutir sintomas, dúvidas e dificuldades antes de qualquer mudança.

Em caso de dúvidas ou necessidade de avaliação, a Unidade Básica de Saúde (UBS) é a porta de entrada para o Sistema Único de Saúde (SUS), que pode orientar, encaminhar para atendimento especializado e contribuir para um plano de cuidado mais amplo.

TAGS: CANETA EMAGRECEDORA, OBESIDADE, EMAGRECIMENTO, EFETO SANFONA, HOSPITAL DE BASE DO DF, ENDOCRINOLOGIA, NUTRIÇÃO, ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, ATIVIDADE FÍSICA, SAÚDE EMOCIONAL, SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE, DISTRITO FEDERAL

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