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Quando o intestino pede ajuda: saiba quais sinais exigem atenção médica

Especialista do Hospital Regional de Santa Maria explica como a saúde intestinal afeta todo o organismo, quais sintomas são de alerta e quan...

Especialista do Hospital Regional de Santa Maria explica como a saúde intestinal afeta todo o organismo, quais sintomas são de alerta e quando procurar atendimento no SUS

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

O enfermeiro Sérgio Barbosa descobriu recentemente que estava com uma doença inflamatória intestinal | Foto: Divulgação

Muito além de participar apenas da digestão, o intestino exerce um papel central na saúde geral do organismo. Conhecido como o “segundo cérebro” do corpo humano, ele é responsável pela absorção de nutrientes e influencia diretamente o sistema imunológico, o metabolismo e até o equilíbrio emocional. Quando não funciona bem, podem surgir sintomas como constipação, diarreia, gases, estufamento abdominal e refluxo, que muitas vezes são subestimados.

Entre os problemas que podem comprometer esse órgão estão as doenças inflamatórias intestinais, condições que podem se manifestar por diferentes motivos e impactar significativamente a qualidade de vida. De acordo com o endoscopista digestivo do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), Luciano Ambrosini, essas doenças aparecem em diferentes formas e exigem avaliação especializada.

Colites, enterites e doenças inflamatórias intestinais

Segundo Ambrosini, as inflamações intestinais costumam ser divididas em dois grandes grupos:

  • Colites: inflamações do intestino grosso;
  • Enterites: inflamações do intestino delgado.

“Na prática clínica, as colites costumam ser mais frequentes. Entre as causas mais comuns estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa”, explica o especialista.

Essas condições podem provocar quadros de dor, diarreia, alteração do hábito intestinal e outros sintomas que interferem na rotina, exigindo acompanhamento contínuo.

Sinais que merecem atenção: quando procurar o médico

As manifestações clínicas variam de pessoa para pessoa, mas alguns sintomas são claros alertas:

  • Dor abdominal persistente, que não melhora com medicações de uso comum;
  • Diarreia frequente, especialmente quando se torna prolongada;
  • Alterações importantes no funcionamento intestinal, como mudança do padrão de fezes ou alternância entre diarreia e constipação.

“É importante procurar avaliação médica quando a diarreia se torna persistente, principalmente se houver presença de muco ou sangue nas fezes. Esses são indícios que precisam ser investigados”, orienta Ambrosini.

Como é feito o diagnóstico

Na maioria dos casos, o diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais envolve:

  • Consulta clínica detalhada, com análise de histórico, sintomas e hábitos;
  • Exames específicos, como a colonoscopia, que permite avaliar diretamente o interior do trato intestinal e identificar alterações;
  • exames laboratoriais e de imagem complementares, quando necessários.

A investigação costuma ser conduzida por:

  • gastroenterologistas;
  • clínicos gerais;
  • internistas (especialistas em medicina interna).

Esses profissionais são responsáveis por orientar o paciente, definir o tratamento e acompanhar a evolução do quadro.

Mudança de hábitos: a experiência de um paciente

O enfermeiro Sérgio Barbosa descobriu recentemente que estava com uma doença inflamatória intestinal. O desconforto abdominal constante, especialmente a barriga estufada, foi o que o levou a buscar ajuda médica.

“O que mais me incomodava era a barriga estufada. Nunca imaginei que pudesse estar relacionada a uma inflamação intestinal. Resolvi procurar especialistas porque estava acima do peso e com vários exames alterados”, conta.

Há cerca de um mês, Sérgio iniciou o tratamento e promoveu mudanças significativas na rotina:

  • passou a praticar exercícios físicos;
  • mudou completamente a alimentação;
  • cortou refrigerantes, massas, carne vermelha, açúcar e outros alimentos que estavam prejudicando a saúde.

O caso ilustra como ajustes na dieta e no estilo de vida, aliados ao tratamento adequado, podem aliviar sintomas e melhorar o bem-estar.

Hábitos saudáveis que protegem o intestino

Além do tratamento médico, hábitos saudáveis são aliados importantes na prevenção e no controle das doenças intestinais:

  • manter uma alimentação rica em fibras;
  • consumir frutas, verduras e legumes diariamente;
  • beber água regularmente;
  • praticar atividades físicas com frequência;
  • reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados;
  • evitar o tabagismo;
  • reduzir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

Apesar disso, sintomas persistentes nunca devem ser ignorados: mesmo com boa alimentação, sinais como dor, diarreia prolongada e sangue nas fezes precisam ser avaliados por um profissional de saúde.

Consequências além do sistema digestivo

As doenças inflamatórias intestinais não afetam apenas o sistema digestivo. Segundo Ambrosini, a curto prazo podem surgir:

  • cansaço excessivo;
  • sonolência;
  • falta de energia;
  • inchaço corporal;
  • dificuldade para controlar o peso.

A longo prazo, o desequilíbrio intestinal pode favorecer o desenvolvimento de:

  • doenças autoimunes;
  • outras condições crônicas que envolvem o sistema imunológico e o metabolismo.

Por isso, cuidar do intestino é também uma forma de proteger a saúde geral do organismo.

Como acessar o atendimento pelo SUS

No Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso aos serviços começa pelas unidades básicas de saúde (UBSs), responsáveis por:

  • realizar as avaliações iniciais;
  • encaminhar pacientes para consultas especializadas;
  • solicitar exames específicos, como colonoscopia e outros procedimentos.

Após a avaliação na UBS, as solicitações são inseridas no Sistema de Regulação (Sisreg), que organiza o acesso a exames e consultas nos hospitais da rede, como o HRSM.

Luciano Ambrosini reforça que é fundamental procurar atendimento médico sempre que os sintomas intestinais:

  • persistirem por vários dias;
  • piorarem com o passar do tempo;
  • começarem a interferir na rotina, no trabalho ou na qualidade de vida.

Cuidar do intestino é investir na saúde de todo o organismo. Afinal, quando ele funciona bem, o corpo inteiro sente os benefícios”, conclui o especialista.

TAGS: SAÚDE INTESTINAL, DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS, COLITE, ENTERITE, HRSM, COLONOSCOPIA, GASTROENTEROLOGIA, ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, SISTEMA IMUNOLÓGICO, SISREG, UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE, DISTRITO FEDERAL

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