Especialista do Hospital Regional de Santa Maria explica como a saúde intestinal afeta todo o organismo, quais sintomas são de alerta e quan...
Especialista do Hospital Regional de Santa Maria explica como a saúde intestinal afeta todo o organismo, quais sintomas são de alerta e quando procurar atendimento no SUS
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Muito além de participar apenas da digestão, o intestino exerce um papel central na saúde geral do organismo. Conhecido como o “segundo cérebro” do corpo humano, ele é responsável pela absorção de nutrientes e influencia diretamente o sistema imunológico, o metabolismo e até o equilíbrio emocional. Quando não funciona bem, podem surgir sintomas como constipação, diarreia, gases, estufamento abdominal e refluxo, que muitas vezes são subestimados.
Entre os problemas que podem comprometer esse órgão estão as doenças inflamatórias intestinais, condições que podem se manifestar por diferentes motivos e impactar significativamente a qualidade de vida. De acordo com o endoscopista digestivo do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), Luciano Ambrosini, essas doenças aparecem em diferentes formas e exigem avaliação especializada.
Colites, enterites e doenças inflamatórias intestinais
Segundo Ambrosini, as inflamações intestinais costumam ser divididas em dois grandes grupos:
- Colites: inflamações do intestino grosso;
- Enterites: inflamações do intestino delgado.
“Na prática clínica, as colites costumam ser mais frequentes. Entre as causas mais comuns estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa”, explica o especialista.
Essas condições podem provocar quadros de dor, diarreia, alteração do hábito intestinal e outros sintomas que interferem na rotina, exigindo acompanhamento contínuo.
Sinais que merecem atenção: quando procurar o médico
As manifestações clínicas variam de pessoa para pessoa, mas alguns sintomas são claros alertas:
- Dor abdominal persistente, que não melhora com medicações de uso comum;
- Diarreia frequente, especialmente quando se torna prolongada;
- Alterações importantes no funcionamento intestinal, como mudança do padrão de fezes ou alternância entre diarreia e constipação.
“É importante procurar avaliação médica quando a diarreia se torna persistente, principalmente se houver presença de muco ou sangue nas fezes. Esses são indícios que precisam ser investigados”, orienta Ambrosini.
Como é feito o diagnóstico
Na maioria dos casos, o diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais envolve:
- Consulta clínica detalhada, com análise de histórico, sintomas e hábitos;
- Exames específicos, como a colonoscopia, que permite avaliar diretamente o interior do trato intestinal e identificar alterações;
- exames laboratoriais e de imagem complementares, quando necessários.
A investigação costuma ser conduzida por:
- gastroenterologistas;
- clínicos gerais;
- internistas (especialistas em medicina interna).
Esses profissionais são responsáveis por orientar o paciente, definir o tratamento e acompanhar a evolução do quadro.
Mudança de hábitos: a experiência de um paciente
O enfermeiro Sérgio Barbosa descobriu recentemente que estava com uma doença inflamatória intestinal. O desconforto abdominal constante, especialmente a barriga estufada, foi o que o levou a buscar ajuda médica.
“O que mais me incomodava era a barriga estufada. Nunca imaginei que pudesse estar relacionada a uma inflamação intestinal. Resolvi procurar especialistas porque estava acima do peso e com vários exames alterados”, conta.
Há cerca de um mês, Sérgio iniciou o tratamento e promoveu mudanças significativas na rotina:
- passou a praticar exercícios físicos;
- mudou completamente a alimentação;
- cortou refrigerantes, massas, carne vermelha, açúcar e outros alimentos que estavam prejudicando a saúde.
O caso ilustra como ajustes na dieta e no estilo de vida, aliados ao tratamento adequado, podem aliviar sintomas e melhorar o bem-estar.
Hábitos saudáveis que protegem o intestino
Além do tratamento médico, hábitos saudáveis são aliados importantes na prevenção e no controle das doenças intestinais:
- manter uma alimentação rica em fibras;
- consumir frutas, verduras e legumes diariamente;
- beber água regularmente;
- praticar atividades físicas com frequência;
- reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados;
- evitar o tabagismo;
- reduzir o consumo excessivo de bebidas alcoólicas.
Apesar disso, sintomas persistentes nunca devem ser ignorados: mesmo com boa alimentação, sinais como dor, diarreia prolongada e sangue nas fezes precisam ser avaliados por um profissional de saúde.
Consequências além do sistema digestivo
As doenças inflamatórias intestinais não afetam apenas o sistema digestivo. Segundo Ambrosini, a curto prazo podem surgir:
- cansaço excessivo;
- sonolência;
- falta de energia;
- inchaço corporal;
- dificuldade para controlar o peso.
A longo prazo, o desequilíbrio intestinal pode favorecer o desenvolvimento de:
- doenças autoimunes;
- outras condições crônicas que envolvem o sistema imunológico e o metabolismo.
Por isso, cuidar do intestino é também uma forma de proteger a saúde geral do organismo.
Como acessar o atendimento pelo SUS
No Sistema Único de Saúde (SUS), o acesso aos serviços começa pelas unidades básicas de saúde (UBSs), responsáveis por:
- realizar as avaliações iniciais;
- encaminhar pacientes para consultas especializadas;
- solicitar exames específicos, como colonoscopia e outros procedimentos.
Após a avaliação na UBS, as solicitações são inseridas no Sistema de Regulação (Sisreg), que organiza o acesso a exames e consultas nos hospitais da rede, como o HRSM.
Luciano Ambrosini reforça que é fundamental procurar atendimento médico sempre que os sintomas intestinais:
- persistirem por vários dias;
- piorarem com o passar do tempo;
- começarem a interferir na rotina, no trabalho ou na qualidade de vida.
“Cuidar do intestino é investir na saúde de todo o organismo. Afinal, quando ele funciona bem, o corpo inteiro sente os benefícios”, conclui o especialista.
TAGS: SAÚDE INTESTINAL, DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS, COLITE, ENTERITE, HRSM, COLONOSCOPIA, GASTROENTEROLOGIA, ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, SISTEMA IMUNOLÓGICO, SISREG, UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE, DISTRITO FEDERAL
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