Campanha destaca importância da vacinação, do uso de preservativos e dos testes rápidos para evitar cirrose e câncer de fígado Por Matheus S...
Campanha destaca importância da vacinação, do uso de preservativos e dos testes rápidos para evitar cirrose e câncer de fígado
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
A campanha Julho Amarelo, iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), ganha destaque no Distrito Federal ao reforçar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento das hepatites virais. Essas doenças atingem o fígado e, quando não identificadas e tratadas a tempo, podem evoluir para complicações graves, como cirrose e câncer hepático.
Entre 2021 e 2025, foram registrados 1.444 novos casos de hepatites virais no DF, segundo o mais recente boletim epidemiológico. Desse total:
- 526 casos (36,4%) de hepatite B;
- 914 casos (63,3%) de hepatite C;
- 4 casos (0,3%) de hepatite D.
No mesmo período, foram notificados 206 óbitos relacionados às hepatites B e C, evidenciando a gravidade das infecções quando não há acompanhamento adequado.
Vacinação: proteção essencial contra hepatites
Apesar de existirem tratamentos para todas as formas de hepatite, a vacinação continua sendo a maneira mais eficaz de prevenção, especialmente contra a hepatite B. O imunizante está disponível de forma gratuita nas unidades básicas de saúde (UBSs) do DF.
Esquema vacinal para hepatite B
Bebês:
- 1ª dose ao nascer;
- 2ª dose aos 2 meses;
- 3ª dose aos 4 meses;
- 4ª dose aos 6 meses.
Crianças a partir de 7 anos, adolescentes e adultos:
- 3 doses;
- 2ª dose um mês após a primeira;
- 3ª dose seis meses após a primeira.
Vacina contra hepatite A
A hepatite A também conta com esquema vacinal:
Crianças:
- 1 dose aos 15 meses de idade, conforme calendário infantil.
Adultos:
- imunizante destinado a públicos específicos, como:
- pessoas vivendo com HIV;
- usuários de PrEP;
- pessoas com hepatopatias crônicas;
- esquema com duas doses.
Manter o cartão de vacinação atualizado é uma das principais barreiras contra as hepatites de transmissão sanguínea e sexual.
Medidas de prevenção no dia a dia
Além das vacinas, outras medidas são fundamentais para evitar hepatites virais:
- Lavar bem as mãos e os alimentos;
- Consumir água tratada ou filtrada;
- Usar preservativo nas relações sexuais;
- Não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue, como:
- lâminas de barbear;
- escovas de dentes;
- alicates de unha;
- agulhas e seringas.
Esses cuidados reduzem o risco de contaminação por via oral, sexual e sanguínea, principais formas de transmissão das hepatites A, B e C.
Testes rápidos nas UBSs: diagnóstico em poucos minutos
As UBSs do DF oferecem testes rápidos para detecção das hepatites B e C:
- o exame é gratuito;
- o resultado sai em poucos minutos;
- em caso de positividade, é possível iniciar tratamento precoce, aumentando as chances de controle da doença.
Todas as gestantes devem realizar o teste para hepatites no 1º trimestre da gravidez, medida que protege tanto a mãe quanto o bebê e reduz o risco de transmissão vertical.
Tipos de hepatites virais e formas de transmissão
As hepatites virais são classificadas em cinco tipos principais:
- Hepatite A;
- Hepatite B;
- Hepatite C;
- Hepatite D (Delta);
- Hepatite E.
Cada uma tem vias de transmissão específicas:
Hepatite A
- relacionada principalmente à ingestão de água ou alimentos contaminados;
- associada à falta de saneamento básico e higiene;
- pode ser transmitida também por práticas sexuais com contato oral-anal.
Hepatite B
- principal causa é relação sexual sem preservativo;
- também se transmite pelo contato com sangue contaminado (procedimentos invasivos, itens perfurocortantes, compartilhamento de objetos).
Hepatite C
- propagada especialmente pelo contato com sangue infectado;
- risco elevado em situações de compartilhamento de agulhas, seringas e materiais perfurocortantes;
- também pode ocorrer em procedimentos de saúde ou estéticos sem adequada esterilização.
Hepatite D e E
- Hepatite D (Delta): depende da presença prévia de infecção pelo vírus da hepatite B para se manifestar;
- Hepatite E (menos comum no Brasil): geralmente ligada a consumo de água contaminada, sendo mais prevalente em algumas regiões do mundo.
Sintomas e importância do diagnóstico precoce
As hepatites virais muitas vezes não apresentam sintomas nas fases iniciais, o que aumenta o risco de evolução silenciosa para formas graves.
Quando surgem, os sinais mais comuns incluem:
- náuseas e vômitos;
- mal-estar geral;
- dor de cabeça;
- perda de apetite;
- urina escura;
- fezes claras ou esbranquiçadas;
- pele e olhos amarelados (icterícia).
Como muitas pessoas podem permanecer sem sintomas por longos períodos, o diagnóstico precoce, feito por meio de testes rápidos e exames laboratoriais, é fundamental para:
- reduzir o risco de cirrose;
- evitar câncer de fígado;
- permitir acesso ao tratamento e acompanhamento especializado.
Com a campanha Julho Amarelo, o Distrito Federal reforça a necessidade de que cada cidadão cuide da própria saúde, mantendo vacinação em dia, adotando práticas seguras de higiene e sexualidade e buscando os serviços da rede pública para testagem e acompanhamento.
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