Equipamento ficará no Parque Tecnológico Augusto Severo, terá potência 260 vezes maior que o Santos Dumont e deve entrar para o ranking dos ...
Equipamento ficará no Parque Tecnológico Augusto Severo, terá potência 260 vezes maior que o Santos Dumont e deve entrar para o ranking dos 10 mais fortes do mundo
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
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O Rio Grande do Norte foi escolhido para sediar o novo supercomputador brasileiro de inteligência artificial (IA), que será adquirido pelo governo federal por pouco mais de R$ 1 bilhão. O equipamento ficará no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, vinculado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Macaíba, na região metropolitana de Natal, e terá capacidade de processamento entre as 10 maiores do planeta, segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
O edital de concorrência pública para a compra da máquina será publicado no Diário Oficial da União, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
Potência: 7.200 petaflops, 260 vezes o Santos Dumont
A nova infraestrutura de supercomputação deverá alcançar 7.200 petaflops – ou seja, cerca de 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo.
Para comparação:
- 1 petaflop = 1 quatrilhão de operações por segundo;
- o atual supercomputador mais potente do país, o Santos Dumont (RJ), opera com 27 petaflops;
- o novo equipamento terá, em teoria, cerca de 260 vezes mais capacidade que o Santos Dumont.
Essa potência será disponibilizada para:
- empresas;
- universidades;
- instituições científicas;
- governos,
voltada ao treinamento de modelos de IA, à pesquisa e ao desenvolvimento de aplicações avançadas. A operação técnica ficará a cargo do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
O objetivo é criar uma infraestrutura capaz de impulsionar:
- pesquisa e inovação;
- desenvolvimento de novos produtos, serviços e negócios;
- maior autonomia tecnológica do país em computação de alto desempenho.
Menos dependência externa e 5 mil profissionais capacitados
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, destacou que hoje cerca de 60% de tudo o que é processado da “inteligência brasileira” ocorre fora do país, em datacenters e estruturas de nuvem estrangeiras:
“A gente vai reduzir nossa dependência. Sessenta por cento de tudo que é processado da inteligência brasileira é feito fora, e agora vamos poder processar aqui”, afirmou, acrescentando que o supercomputador estará entre os 10 mais potentes do planeta.
O edital prevê contrapartidas da empresa (ou consórcio) vencedor da licitação em áreas como:
- transferência de tecnologia;
- capacitação de profissionais;
- pesquisa e desenvolvimento;
- conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros.
A previsão é capacitar 5 mil brasileiros em cinco anos, em temas ligados à computação de alto desempenho, IA e tecnologias correlatas.
A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que articula ações para:
- ampliar a infraestrutura tecnológica;
- fortalecer a formação de profissionais;
- impulsionar transferência de tecnologia;
- consolidar governança e soberania digital.
Durante o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o investimento:
“Nós vamos provar que os brasileiros, nossos acadêmicos e a juventude, não devem nada a ninguém. Só precisam de oportunidade, é isso que queremos garantir com o supercomputador.”
Por que o Nordeste: redução de desigualdades e energia limpa
A escolha do Rio Grande do Norte e do Parque Augusto Severo também tem componente de descentralização regional. Segundo o governo, pesaram na decisão:
- o esforço para reduzir desigualdades regionais na área tecnológica;
- a forte presença de energia renovável, em especial eólica – o estado é líder nacional na geração desse tipo de fonte.
A instalação da máquina em Macaíba tende a fortalecer o ecossistema de ciência, tecnologia e inovação do Nordeste, atraindo projetos, parcerias e empresas interessadas em IA e supercomputação.
Chips de código aberto: Brasil entra na corrida do RISC‑V
Paralelamente ao supercomputador, o governo aposta no desenvolvimento de chips com arquitetura aberta RISC‑V, como estratégia para reduzir a dependência de arquiteturas proprietárias (como x86 e ARM).
Essa frente:
- envolve parceria com cerca de 70 países;
- tem horizonte de 10 a 15 anos de desenvolvimento;
- será conduzida pelo Instituto Eldorado, de Campinas (SP), em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona, na Espanha.
O objetivo é ampliar o domínio brasileiro sobre tecnologias críticas de hardware, fundamentais para:
- computação de alto desempenho;
- aplicações de IA;
- dispositivos embarcados e infraestrutura digital.
Supercomputação também no RJ e LLM nacional em português
Outra linha de ação anunciada é uma cooperação tecnológica de supercomputação no Rio de Janeiro, por meio da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em parceria com as empresas chinesas Huawei e Iflytek.
Essa iniciativa prevê:
- expansão da capacidade de processamento;
- transferência de tecnologia;
- parcerias em pesquisa e desenvolvimento;
- formação de profissionais;
- construção de uma pilha de software soberana para IA e HPC (High Performance Computing).
Entre os objetivos está o desenvolvimento de:
- um modelo de linguagem de grande escala (LLM) nacional;
- modelos de IA em português, ajustados ao idioma, aos dados e às necessidades brasileiras.
O investimento público estimado é de R$ 1,276 bilhão ao longo de cinco anos, com início das operações previsto para julho de 2027.
Em julho, o Brasil também assinou o documento de criação da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), com sede em Xangai, na China, voltada a:
- desenvolver uma governança global de IA;
- estimular modelos de código aberto, permitindo que empresas e organizações se apropriem e adaptem a tecnologia.
Caminho para uma “nuvem brasileira” soberana
O evento no RN marcou ainda a assinatura de um acordo de cooperação entre:
- Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI);
- Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI);
- Serpro;
- Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O objetivo é estruturar um projeto de nuvem brasileira – uma alternativa nacional para:
- armazenamento e processamento de dados;
- hospedagem de sistemas públicos e estratégicos.
A proposta é reduzir a dependência de grandes provedores estrangeiros de nuvem, reforçar a soberania sobre dados sensíveis e criar condições para que o país tenha maior autonomia tecnológica na era da IA e dos serviços digitais em larga escala.
TAGS: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, SUPERCOMPUTADOR, UFRN, RIO GRANDE DO NORTE, MCTI, FNDCT, LNCC, RISC-V, CHIPS DE CÓDIGO ABERTO, SUPERCOMPUTAÇÃO, LLM NACIONAL, SOBERANIA DIGITAL, NUVEM BRASILEIRA, TECNOLOGIA, BRASIL
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