Corte eleitoral avalia alcance da decisão que atinge críticas e sátiras ligadas a Flávio Bolsonaro e à padroeira do Brasil Por Matheus Salom...
Corte eleitoral avalia alcance da decisão que atinge críticas e sátiras ligadas a Flávio Bolsonaro e à padroeira do Brasil
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou, nesta quarta-feira (30), maioria de votos para manter a retirada de postagens em redes sociais envolvendo Nossa Senhora Aparecida no contexto das eleições. A medida confirma decisão do ministro André Mendonça, que havia acolhido pedido do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) para remover conteúdos relacionados ao episódio.
Até o fim da tarde, acompanharam o relator os ministros Nunes Marques (presidente do TSE), Dias Toffoli e Ricardo Villas Bôas Cueva, consolidando maioria pela remoção das postagens. O julgamento ocorre em sessão virtual iniciada pela manhã e com previsão de encerramento às 23h59.
Votos já proferidos e pontos ainda em discussão
Com os votos de Mendonça, Nunes Marques, Toffoli e Villas Bôas Cueva, o TSE garante maioria para:
- manter a ordem de retirada das publicações sobre Nossa Senhora Aparecida;
- preservar o entendimento adotado em decisão monocrática anterior de André Mendonça.
Ainda precisam votar:
- Estela Aranha;
- Floriano de Azevedo Marques;
- Sebastião Reis Júnior.
Além de confirmar ou não a remoção dos conteúdos, os ministros ainda vão definir o alcance da decisão, especificamente:
- se o entendimento valerá apenas para postagens “notoriamente inverídicas” envolvendo o candidato;
- ou se abrangerá também críticas, opiniões e sátiras sobre o caso.
Essa definição é considerada sensível porque toca diretamente a fronteira entre:
- o combate à desinformação eleitoral;
- e a proteção da liberdade de expressão, especialmente em manifestações humorísticas ou opinativas.
Origem da controvérsia: postagem de humorista e reação do candidato
O caso teve início no último fim de semana. Na quinta-feira (24), o humorista Antonio Tabet publicou na rede social X (antigo Twitter) a mensagem:
“A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”
Embora Flávio Bolsonaro não tenha sido citado nominalmente na publicação, o candidato acionou o TSE alegando que o post se inseria em um contexto de mensagens falsas que o acusam de ter apresentado projeto de lei para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, fato que ele nega.
Atendendo ao pedido, André Mendonça, na condição de membro do TSE, determinou:
- a retirada da postagem de Tabet;
- a remoção de conteúdos semelhantes nas redes sociais;
- sob a justificativa de que se tratava de notícia falsa prejudicial ao candidato.
Intervenções do STF e impasse entre ministros
No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu recurso apresentado pelo humorista e derrubou a decisão de Mendonça, restabelecendo a publicação original.
Em seguida, Flávio Bolsonaro recorreu ao ministro Luiz Fux, também do STF, que invalidou a decisão de Dino, reativando os efeitos da ordem anterior de retirada.
Diante da divergência interna, o presidente do STF, Edson Fachin, optou por não pautar para a sessão desta quarta-feira (30) o julgamento que poderia pacificar o conflito entre as decisões de Dino e Fux.
Com isso, o caso passou a ter desfecho mais imediato no âmbito do TSE, por meio do julgamento virtual que agora formou maioria pela manutenção da retirada das postagens.
Impacto eleitoral e debate sobre desinformação
A decisão do TSE ocorre em um ambiente de alta sensibilidade:
- pela presença de símbolos religiosos – como Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil;
- pela relação da postagem com temas de racismo, violência e milícias;
- e pelo uso expansivo das redes sociais em campanha eleitoral.
Ao decidir se o entendimento valerá apenas sobre conteúdos considerados “notoriamente inverídicos” ou se avançará sobre críticas e sátiras, o TSE tende a estabelecer um precedente relevante para:
- o tratamento de humor político;
- a responsabilização de influenciadores;
- e os limites do debate público digital envolvendo candidatos e símbolos religiosos.
O resultado final do julgamento, previsto para ser concluído até 23h59, poderá influenciar diretamente a estratégia de comunicação de campanhas e perfis nas redes sociais ao longo do processo eleitoral.
TAGS: TSE, STF, FLÁVIO BOLSONARO, ANDRÉ MENDONÇA, NUNES MARQUES, DIAS TOFFOLI, RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, FLÁVIO DINO, LUIZ FUX, NOSSA SENHORA APARECIDA, LIBERDADE DE EXPRESSÃO, FAKE NEWS, ELEIÇÕES 2026, BRASIL
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