Dieta rica em alimentos in natura, fibras e probióticos fortalece a saúde intestinal, enquanto ultraprocessados favorecem inflamações e prob...
Dieta rica em alimentos in natura, fibras e probióticos fortalece a saúde intestinal, enquanto ultraprocessados favorecem inflamações e problemas como obesidade e diabetes
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Muito além de matar a fome ou controlar o peso, a alimentação exerce influência direta sobre o funcionamento do organismo. O intestino, conhecido como o “segundo cérebro”, é um dos principais beneficiados – ou prejudicados – pelas escolhas feitas à mesa. Dietas ricas em açúcares, gorduras e alimentos ultraprocessados, associadas à baixa ingestão de fibras, podem comprometer o equilíbrio intestinal e favorecer processos inflamatórios relacionados a doenças como obesidade, diabetes e problemas cardiovasculares. Por outro lado, pequenas mudanças na rotina alimentar já são capazes de trazer ganhos importantes para a saúde.
Bilhões de microrganismos que trabalham a favor (ou contra) o corpo
No intestino vivem bilhões de microrganismos que desempenham funções essenciais:
- ajudam na digestão;
- participam da absorção de nutrientes;
- contribuem para a proteção contra doenças.
Quando essa comunidade está equilibrada, o corpo tende a funcionar melhor. Mas, segundo a nutricionista Bruna Pires, da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Vicente Pires, uma alimentação baseada em produtos ultraprocessados pode romper esse equilíbrio.
“Esse padrão alimentar reduz as bactérias benéficas e favorece o crescimento de outras que estimulam inflamações, prejudicando a proteção natural do intestino e dificultando o funcionamento adequado do organismo”, explica.
Sintomas que o intestino usa para pedir socorro
O desequilíbrio intestinal nem sempre provoca sintomas intensos no início, mas costuma dar sinais que muitas vezes passam despercebidos:
- inchaço abdominal;
- excesso de gases;
- prisão de ventre ou diarreia;
- desconforto após as refeições;
- sensação constante de cansaço;
- infecções frequentes.
Bruna alerta que esses sintomas merecem atenção, pois podem indicar que o intestino não está funcionando da forma adequada e que o organismo já sente as consequências desse descompasso.
O intestino, lembra a nutricionista, também:
- exerce papel importante na imunidade;
- participa da produção de vitaminas;
- mantém uma comunicação direta com o cérebro, influenciando o equilíbrio emocional.
Quando está saudável, o corpo:
- absorve melhor os nutrientes;
- fortalece as defesas naturais;
- reduz inflamações;
- favorece o bem-estar físico e mental.
“Apesar dos riscos associados aos alimentos ultraprocessados, preservar a saúde intestinal pode ser mais simples e acessível do que muitas pessoas imaginam. O tradicional prato com arroz, feijão, verduras e legumes continua sendo um grande aliado, assim como frutas, aveia, cereais integrais e azeite de oliva”, reforça Bruna Pires.
Probióticos: aliados que exigem orientação
Alimentos como iogurte natural e kefir – bebida fermentada rica em probióticos – também ajudam a manter o equilíbrio das bactérias benéficas do intestino.
A nutricionista ressalta, porém, que:
- o consumo de probióticos deve ser feito com orientação de médico ou nutricionista,
- especialmente em casos de doenças pré-existentes ou uso contínuo de medicamentos.
Pequenas escolhas, grandes mudanças
Os efeitos de uma alimentação equilibrada podem ser percebidos por quem decide revisar hábitos alimentares. A empresária Samila Espíndola, de 31 anos, cresceu consumindo muitos alimentos industrializados, mas percebeu que seu corpo já não respondia da mesma forma.
“Eu consumia muitos ultraprocessados. Cresci com esse hábito, mas, com o passar dos anos, fui percebendo que quanto mais eu comia esse tipo de alimento, pior meu organismo reagia. Foi aí que comecei a reduzir esse consumo e senti uma melhora significativa”, relata.
Para Bruna, cuidar da alimentação não significa abrir mão do prazer de comer, e sim fazer escolhas mais conscientes na maior parte do tempo.
Ela sugere mudanças simples:
- substituir refrigerantes por água;
- incluir uma fruta entre as refeições;
- trocar alimentos refinados por integrais;
- aumentar o consumo de legumes e verduras.
“São atitudes que, mantidas ao longo dos anos, ajudam a proteger o intestino e reduzem o risco de doenças relacionadas à inflamação”, pontua.
Nova classificação dos alimentos: o que priorizar no prato
Para ajudar nas escolhas, Bruna recomenda observar o grau de processamento dos alimentos, conforme a classificação Nova, desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP) e adotada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A orientação é:
priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como:
- frutas;
- legumes e verduras;
- carnes;
- ovos;
- leite;
- cereais integrais.
usar ingredientes culinários (óleo, manteiga, açúcar, sal) com moderação;
consumir alimentos processados (queijos, pães, conservas) com equilíbrio;
reduzir ao máximo a ingestão de ultraprocessados, geralmente ricos em:
- aditivos químicos;
- formulações artificiais;
- excesso de açúcar, gordura e sódio.
Comer bem é investir em saúde e qualidade de vida
Mais do que seguir tendências ou dietas da moda, manter uma alimentação equilibrada representa um investimento diário na saúde. Pequenas decisões tomadas à mesa:
- fortalecem o intestino;
- ajudam a prevenir doenças;
- contribuem para uma vida mais longa e com melhor qualidade.
“Cada refeição oferece uma oportunidade de fortalecer o organismo, preservar a saúde e construir um futuro com mais qualidade de vida”, conclui a nutricionista.
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