Delegado titular e dois agentes são alvo da Operação Anomalia, que apura uso da estrutura do Estado para extorsão, corrupção e lavagem de di...
Delegado titular e dois agentes são alvo da Operação Anomalia, que apura uso da estrutura do Estado para extorsão, corrupção e lavagem de dinheiro
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (10), três policiais civis do Rio de Janeiro, entre eles o delegado titular de uma delegacia da capital fluminense, suspeitos de integrar um esquema de extorsão contra membros do Comando Vermelho, maior facção criminosa do estado. O grupo também é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro.
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As prisões ocorreram em mais uma fase da Operação Anomalia, que mira um núcleo criminoso formado por policiais civis e operadores financeiros. Além das detenções, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Decisões do STF miram patrimônio e afastamento dos servidores
Segundo a Polícia Federal, a Suprema Corte autorizou um conjunto de medidas cautelares com foco na descapitalização do grupo e na interrupção imediata de suas atividades ilícitas. Entre elas, estão:
- Afastamento imediato das funções públicas dos policiais investigados;
- Suspensão do exercício de atividades empresariais de pessoas jurídicas usadas no esquema;
- Bloqueio de valores em contas bancárias e de criptoativos vinculados aos alvos.
As medidas buscam impedir a continuidade dos crimes, preservar provas e evitar a dissipação de bens supostamente obtidos de forma ilícita.
Como funcionava o esquema, segundo a PF
As investigações apontam que o esquema era liderado por um delegado e um policial civil, que se valiam da estrutura do Estado para coagir integrantes da facção criminosa. De acordo com a PF:
- Os servidores emitiam intimações de forma reiterada, não para instruir investigações legítimas, mas com o propósito exclusivo de pressionar lideranças do tráfico;
- A partir dessas intimações, eram exigidas propinas elevadas em troca da omissão em atos de ofício, como não deflagrar operações, não cumprir prisões ou não aprofundar investigações;
- As cobranças eram feitas com insistência e imposição de prazos, em um claro padrão de extorsão.
Para receber os valores ilícitos e manter distância das lideranças do Comando Vermelho, os policiais contavam com dois intermediários, responsáveis por operacionalizar os pagamentos e intermediar as negociações.
Patrimônio milionário e empresas de fachada
A área de inteligência financeira da PF identificou que os policiais investigados apresentavam movimentação patrimonial milionária, considerada incompatível com os vencimentos oficiais de servidores públicos.
Para ocultar e dissimular a origem dos recursos, a estrutura criminosa utilizava uma rede de empresas de fachada, registradas em nome de familiares dos investigados, agora também alvo de suspensão judicial.
Essas pessoas jurídicas eram usadas, segundo a PF, para:
- Dar aparência lícita ao dinheiro de propina;
- Movimentar recursos em contas empresariais;
- Facilitar a lavagem de capitais por meio de contratos simulados e operações financeiras artificiais.
Crimes investigados e próximos passos
Os envolvidos responderão pelos crimes de:
- Organização criminosa;
- Extorsão;
- Corrupção passiva e ativa;
- Lavagem de capitais.
A Operação Anomalia segue em andamento, com análise de documentos, dados bancários, quebras de sigilo e material apreendido nas buscas. A PF não divulgou, até o momento, os nomes dos policiais presos e nem o detalhamento das unidades onde atuavam, para não comprometer as investigações.
O caso expõe mais um capítulo da atuação de agentes públicos em conluio com o crime organizado no Rio de Janeiro, cenário que desafia a credibilidade das instituições de segurança e reforça a necessidade de mecanismos robustos de controle interno, transparência e responsabilização.

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