Vacinação, exames laboratoriais e fluxos definidos de atendimento ajudam tutores a proteger cães e gatos e evitar a disseminação das doenças...
Vacinação, exames laboratoriais e fluxos definidos de atendimento ajudam tutores a proteger cães e gatos e evitar a disseminação das doenças
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Tutores de animais de estimação no Distrito Federal convivem com duas doenças que requerem atenção permanente: a raiva animal, que atinge cães, gatos e outros mamíferos, e a leishmaniose visceral canina, restrita a cães. Para ambas, há protocolos oficiais de prevenção, identificação, diagnóstico e conduta, que envolvem vacinação, exames laboratoriais e acompanhamento por equipes especializadas em zoonoses.
Leishmaniose visceral canina: como ocorre, sinais e exames
A leishmaniose visceral canina é causada pelo protozoário Leishmania infantum e transmitida pela picada do mosquito-palha. O inseto se infecta ao picar um animal doente e, posteriormente, pode transmitir o protozoário a animais saudáveis. Cães contaminados podem permanecer assintomáticos por longos períodos, o que aumenta o risco de disseminação silenciosa.
Principais sintomas
Quando os sinais clínicos aparecem, os mais frequentes são:
- apatia e fraqueza;
- perda de peso e queda de pelos;
- crescimento exagerado das unhas (onicogrifose);
- feridas na pele, especialmente no focinho e nas orelhas;
- aumento de baço, fígado e gânglios linfáticos.
Diante de qualquer suspeita, o tutor deve procurar o serviço de zoonoses para avaliação.
Fluxo de diagnóstico
Nos casos suspeitos de leishmaniose:
- A equipe de zoonoses faz a coleta de sangue do animal;
- é realizado um teste rápido inicial;
- se o resultado for positivo, é feito o exame Elisa para confirmação;
- para confirmar leishmaniose visceral canina, é necessário um laudo laboratorial positivo.
Para animais com tutores, é imprescindível um laudo elaborado por médico veterinário sobre a suspeita ou confirmação da doença, integrando o diagnóstico clínico e laboratorial.
Conduta: eutanásia ou tratamento
Uma vez confirmada a doença:
- o tutor é orientado sobre a possibilidade de eutanásia, indicada em muitos casos como forma de controle da transmissão;
- se houver concordância, é feito agendamento do procedimento, realizado de forma humanitária.
Caso o tutor opte por submeter o animal a tratamento, a equipe do laboratório acompanha o processo, verificando se:
- o protocolo terapêutico está adequado;
- as medidas de controle de transmissão estão sendo adotadas corretamente.
É importante destacar:
- a unidade laboratorial não realiza o tratamento dos animais contaminados;
- no laboratório, são ofertados apenas cuidados básicos durante observação, diagnóstico e definição de conduta;
- os animais podem permanecer por, no máximo, 24 horas em canil ou gatil, devido ao risco de transmissão para outros animais.
Em caso de confirmação da doença, é necessária transferência para a QNF, Parque Lago do Cortado — Taguatinga, pelo telefone (61) 99670-0897, conforme orientação dos técnicos.
Raiva animal: zoonose letal, vacinação e prevenção
A raiva é uma zoonose viral aguda e letal, que pode atingir todos os mamíferos, incluindo seres humanos. A transmissão ocorre principalmente:
- pela saliva de animais infectados, por meio de:
- mordidas;
- arranhões;
- lambidas em pele lesionada ou mucosas.
Sintomas em animais
Entre os principais sinais de raiva em animais estão:
- alterações bruscas de comportamento (agressividade repentina ou reclusão extrema);
- paralisia ou dificuldade de locomoção;
- salivação excessiva;
- dificuldade para engolir.
Diante de qualquer suspeita, é fundamental não tocar diretamente no animal e acionar a vigilância ambiental.
Vacinação antirrábica
Ao longo de todo o ano, o DF mantém ações e campanhas de vacinação contra raiva animal em postos fixos.
Para receber a vacina, o animal precisa:
- estar saudável;
- ter pelo menos três meses de idade;
- ser levado a um posto de vacinação por um tutor maior de idade, que deve apresentar documento de identidade.
Os locais de vacinação podem ser consultados na página oficial dos serviços de saúde animal, onde o tutor verifica qual posto está mais próximo de sua residência.
Medidas de prevenção no dia a dia
Para reduzir o risco de transmissão da raiva, recomenda-se:
- não mexer ou tocar em cães e gatos desconhecidos ou sem dono, especialmente quando:
- estiverem se alimentando;
- estiverem com filhotes;
- estiverem dormindo;
- não tocar em morcegos ou outros animais silvestres diretamente, principalmente quando estiverem:
- caídos no chão;
- em situações não habituais (voando baixo, desorientados, dentro de casas);
- em caso de encontrar animais sob suspeita de raiva ou mortos, comunicar à vigilância ambiental para recolhimento e análise;
- em caso de agressão (mordida, arranhão, lambida em ferida):
- não matar o animal;
- procurar imediatamente uma unidade de saúde, para avaliação médica e possível início de profilaxia pós-exposição.
Onde buscar informações e atendimento no DF
Para dúvidas, exames e vacinação, os tutores podem procurar:
- Unidade de zoonoses / laboratório de referência
- Endereço: SHCNW — Setor de Habitações Coletivas Noroeste, Trecho 02, Lote 4, Brasília-DF;
- Telefones: (61) 3449-4434 / 3449-4432.
Horários de atendimento
- Coleta de sangue de cães para exame de leishmaniose:
- de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h;
- Vacinação antirrábica:
- de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h.
Com informações corretas sobre prevenção, diagnóstico e fluxos de atendimento, tutores podem agir mais rapidamente diante de suspeitas de raiva ou leishmaniose visceral canina, protegendo seus animais, suas famílias e contribuindo para o controle dessas doenças no Distrito Federal.
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