Levantamento revela avanço da violência contra instituições de ensino em 83 países e alerta para impactos duradouros sobre milhões de crianç...
Levantamento revela avanço da violência contra instituições de ensino em 83 países e alerta para impactos duradouros sobre milhões de crianças e adolescentes
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
Os ataques contra escolas, universidades, estudantes e profissionais da educação aumentaram 40% em todo o mundo entre 2024 e 2025, segundo relatório divulgado pela Coalizão Global para Proteger a Educação de Ataques (GCPEA). O levantamento identificou mais de 8,5 mil incidentes em 83 países e contabilizou pelo menos 10,6 mil vítimas entre mortos, feridos, sequestrados, detidos ou diretamente afetados pela violência relacionada a conflitos armados.

Os dados reforçam o agravamento da crise humanitária em regiões marcadas por guerras, instabilidade política e confrontos militares, colocando a educação entre os setores mais impactados pela escalada da violência global.
Educação sob ataque em zonas de conflito
De acordo com o relatório, a Palestina lidera o número de ocorrências registradas, com cerca de 2,4 mil ataques envolvendo estudantes, professores e estruturas educacionais. A Ucrânia aparece em seguida, com aproximadamente 900 ataques registrados desde o agravamento do conflito com a Rússia.
O estudo aponta que escolas e universidades deixaram de ser apenas vítimas indiretas dos confrontos e passaram a ser utilizadas como alvos estratégicos por grupos armados e forças militares. O número de casos de ocupação militar de instituições de ensino quase dobrou no período analisado, alcançando 1.912 registros, um crescimento de 91% em relação ao levantamento anterior.
Especialistas alertam que a utilização de escolas para fins militares compromete a segurança de estudantes e profissionais da educação, além de interromper o funcionamento de sistemas educacionais inteiros.
Mais de 10 mil vítimas entre estudantes e educadores
O relatório destaca que países como Mianmar, Nigéria, Iêmen e Camarões concentraram alguns dos episódios mais graves registrados nos últimos dois anos.
Somente nessas nações, mais de 1.700 estudantes e profissionais da educação foram mortos ou ficaram feridos durante ataques relacionados a conflitos armados.
Na Nigéria, mais de 700 pessoas ligadas ao setor educacional foram sequestradas. Em Mianmar, pelo menos 80 estudantes e funcionários morreram e cerca de 240 ficaram feridos em ações violentas registradas durante o período analisado.
Os números evidenciam o risco crescente enfrentado por comunidades escolares em regiões onde a violência se tornou parte da rotina.
Impactos vão além da sala de aula
Além das perdas humanas, organizações internacionais alertam para os efeitos de longo prazo provocados pelos ataques.
O professor Tejendra Pherali, especialista em educação e conflitos da University College London, afirmou que a violência contra escolas compromete o desenvolvimento de gerações inteiras e destrói a sensação de segurança necessária para o aprendizado.
Segundo ele, milhares de crianças passam a enxergar o ambiente escolar como um local de risco, o que contribui para o aumento da evasão escolar, problemas psicológicos e dificuldades futuras de inserção social e econômica.
A destruição de infraestrutura educacional também dificulta a retomada das atividades em áreas afetadas por conflitos prolongados.
Meninas e estudantes com deficiência estão entre os mais vulneráveis
O relatório identificou ataques direcionados especificamente a meninas e mulheres em pelo menos 11 países.
Entre os casos destacados está uma invasão a um internato feminino na Nigéria, ocorrida em novembro de 2025, quando homens armados mataram uma vice-diretora e sequestraram 25 estudantes.
Alunos com deficiência também aparecem entre os grupos mais vulneráveis. Em um dos episódios documentados, uma escola especializada para crianças com necessidades especiais foi destruída durante uma operação militar no Líbano.
Organizações de direitos humanos alertam que esses grupos enfrentam obstáculos ainda maiores para retornar aos estudos após episódios de violência.
Mundo vive maior escalada de conflitos em décadas
Os dados divulgados pela GCPEA coincidem com o aumento global dos conflitos armados.
Segundo o Programa de Dados sobre Conflitos da Universidade de Uppsala, o planeta registrou 65 conflitos armados em 2025, dos quais 13 foram classificados oficialmente como guerras.
Ao longo do ano, mais de 244 mil pessoas morreram em episódios de violência organizada, tornando o período um dos mais letais desde o genocídio de Ruanda, em 1994.
O avanço dos conflitos amplia os desafios para organismos internacionais responsáveis pela proteção de civis e pela garantia do acesso à educação em áreas afetadas.
Organizações cobram resposta internacional
Diante do crescimento dos ataques, entidades humanitárias defendem medidas urgentes para proteger estudantes e profissionais da educação.
A diretora da GCPEA, Lisa Chung Bender, afirmou que governos e organismos internacionais precisam reforçar mecanismos de proteção às instituições de ensino e responsabilizar autores de ataques contra escolas.

Entre as medidas defendidas estão a proibição do uso militar de escolas, o fortalecimento da legislação internacional de proteção à educação e a ampliação de mecanismos de monitoramento em regiões de conflito.
Para especialistas, garantir a segurança das escolas é fundamental não apenas para preservar vidas, mas também para assegurar o futuro de milhões de crianças e jovens afetados pela violência ao redor do mundo.
TAGS: EDUCAÇÃO, ATAQUES A ESCOLAS, VIOLÊNCIA ESCOLAR, CONFLITOS ARMADOS, PALESTINA, UCRÂNIA, UNICEF, GCPEA, GUERRAS, DIREITOS HUMANOS, ESTUDANTES, PROFESSORES, SEGURANÇA ESCOLAR, CRISE HUMANITÁRIA, EDUCAÇÃO GLOBAL
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