Seleção desperdiça pênalti, sofre dois gols de Haaland na reta final e repete histórico negativo contra europeus, em sua pior campanha desde...
Seleção desperdiça pênalti, sofre dois gols de Haaland na reta final e repete histórico negativo contra europeus, em sua pior campanha desde 1990
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
A Seleção Brasileira se despediu da Copa do Mundo de 2026 de forma precoce e traumática. No dia 5 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, o Brasil foi derrotado por 2 a 1 pela Noruega, nas oitavas de final, resultado que selou a pior campanha brasileira em um Mundial em 36 anos, desde a eliminação em 1990.
Apesar de um início dominante, com posse de bola e chances criadas, a equipe não conseguiu transformar o controle em gols e ainda desperdiçou um pênalti aos 12 minutos, cobrado por Bruno Guimarães e defendido pelo goleiro Ørjan Nyland. No segundo tempo, a desatenção defensiva e o desgaste físico abriram espaço para Erling Haaland, que marcou dois gols nos minutos finais. Neymar ainda descontou em cobrança de pênalti nos acréscimos, mas o placar já estava definido.
Haaland decisivo: Brasil resiste 75 minutos, mas desaba na reta final
Durante boa parte da partida, o plano defensivo brasileiro conseguiu limitar as ações de Haaland, isolando o camisa 9 e reduzindo seu raio de atuação. A Noruega, porém, manteve sua estratégia de transições rápidas, esperando o momento em que o Brasil mostraria queda física e desorganização no meio-campo.
Esse cenário se materializou nos 15 minutos finais:
- Aos 34 do segundo tempo, após cruzamento pela esquerda, Haaland apareceu livre na área, subiu sem marcação e abriu o placar de cabeça.
- Com o Brasil lançado ao ataque, desestruturando a última linha, o espaço para contra‑golpes aumentou.
- Aos 45, o norueguês recebeu na intermediária, teve liberdade para dominar e, de fora da área, acertou um chute forte no canto esquerdo de Alisson, ampliando para 2 a 0.
O gol de Neymar, em pênalti nos acréscimos, suavizou o marcador, mas não mudou o desfecho de um jogo em que a eficiência norueguesa foi decisiva.
Com os dois gols no MetLife, Haaland chegou a sete gols na Copa de 2026, passando a dividir a artilharia do torneio com Lionel Messi e Kylian Mbappé.
Fantasma europeu e tabu contra a Noruega
A eliminação para a Noruega reforça um padrão que se tornou um fantasma recorrente para o futebol brasileiro. Ao longo da história das Copas, o Brasil foi eliminado 18 vezes; 15 dessas quedas foram diante de seleções europeias. Desde o pentacampeonato de 2002, todas as eliminações posteriores tiveram adversários do Velho Continente.
O jogo em Nova Jersey também manteve um tabu incômodo: a seleção principal do Brasil nunca venceu a Noruega em jogos oficiais ou amistosos. Com o resultado nas oitavas:
- os noruegueses somam 3 vitórias e 2 empates em 5 confrontos,
- mantendo-se como um adversário invicto contra os brasileiros.
As seleções que mais eliminaram o Brasil em Copas
O histórico de eliminações expõe a recorrência de alguns “carrascos”:
França – 3 eliminações
- Quartas de final em 1986;
- Final da Copa de 1998, com vitória francesa por 3 a 0 no Stade de France;
- Quartas de final em 2006.
Holanda – 2 eliminações
- Segunda fase de grupos em 1974;
- Quartas de final em 2010, na África do Sul, em derrota de virada.
Itália – 2 eliminações
- Semifinal da Copa de 1938;
- A famosa Tragédia do Sarriá, em 1982, quando Paolo Rossi marcou três gols na segunda fase e derrubou o time de Telê Santana.
Argentina – 1 eliminação
- Nas oitavas de final de 1990, mesmo estágio em que a Noruega eliminou o Brasil em 2026.
O novo revés contra uma seleção europeia aprofunda o debate sobre a dificuldade histórica da equipe brasileira em superar adversários do continente em fases decisivas de Mundiais.
Falhas de Ancelotti: nervosismo pós‑pênalti, criatividade travada e descontrole emocional
A chegada de Carlo Ancelotti à Seleção Brasileira gerou grande expectativa, pelo histórico vitorioso do treinador em clubes europeus. Contudo, o desempenho diante da Noruega evidenciou problemas de criatividade tática e gestão emocional.
No início do jogo, o Brasil teve:
- alta posse de bola;
- boas trocas de passe;
- chances claras de gol.
O momento chave, porém, foi o pênalti perdido aos 12 minutos. Depois da marcação pela arbitragem de vídeo, Bruno Guimarães foi para a cobrança e parou nas mãos de Nyland. O lance gerou:
- queda de confiança;
- nervosismo perceptível;
- aumento de jogadas individuais sem efetividade;
- excesso de cruzamentos aleatórios na área, sem coordenação.
A partir daí, o Brasil manteve volume de jogo, mas com pouca organização no terço final, falhando em criar oportunidades limpas e em aproveitar a superioridade técnica.
No segundo tempo, Ancelotti tentou modificar o desenho ofensivo ao colocar Endrick no lugar de Matheus Cunha. O jovem atacante conseguiu aparecer em condição clara de gol após passe de Vinícius Júnior, ficando cara a cara com o goleiro, mas errou o tempo da bola e finalizou para fora.
A falta de contundência do ataque brasileiro contrastou com o pragmatismo e a letalidade da Noruega, que soube esperar o momento certo para explorar o cansaço e a desorganização defensiva rival.
Pior campanha em décadas e fim de ciclo conturbado
A eliminação nas oitavas de final, em uma Copa disputada na América do Norte, marca:
- o fim de um ciclo conturbado da Seleção;
- a pior campanha brasileira em Mundial desde 1990;
- um ponto de inflexão para discussões sobre renovação de elenco e revisão de estratégias na CBF.
A incapacidade de transformar domínio territorial e posse de bola em gols decisivos, aliada a erros em momentos cruciais (como o pênalti desperdiçado e a exposição defensiva na reta final), transforma o projeto da Copa de 2026 em uma das campanhas mais frustrantes da história recente da Seleção Brasileira.
Com a queda diante da Noruega, o hexacampeonato fica mais uma vez adiado, e o debate sobre modelo de jogo, preparação psicológica e enfrentamento de europeus em Copas volta a ocupar o centro das discussões sobre o futuro do futebol brasileiro.
TAGS: COPA DO MUNDO 2026, SELEÇÃO BRASILEIRA, NORUEGA, ERLING HAALAND, NEYMAR, BRUNO GUIMARÃES, CARLO ANCELOTTI, ELIMINAÇÃO DO BRASIL, METLIFE STADIUM, FRANÇA, HOLANDA, ITÁLIA, ARGENTINA, FUTEBOL, CBF, HEXACAMPEONATO, FUTEBOL EUROPEU, RENOVAÇÃO DA SELEÇÃO
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