Nova estrutura do Ministério da Justiça reforça presença da União no RJ, amplia cooperação com Coaf e prevê apoio logístico, inteligência e ...
Nova estrutura do Ministério da Justiça reforça presença da União no RJ, amplia cooperação com Coaf e prevê apoio logístico, inteligência e ações em presídios de alta periculosidade
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
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O Ministério da Justiça e Segurança Pública inaugurou nesta sexta-feira (3), no Rio de Janeiro, o Escritório Nacional Antifacção, estrutura criada para fortalecer a integração entre a União, o governo fluminense e os municípios no enfrentamento ao crime organizado. A unidade passa a funcionar como um hub estratégico de coordenação, inteligência e apoio às forças estaduais e municipais, dentro do Programa Brasil Contra o Crime Organizado.
Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a instalação do escritório no Rio representa uma presença permanente da pasta em um território que sintetiza os principais desafios da segurança pública brasileira.
Foi no estado, lembrou o ministro, que se consolidaram algumas das mais sofisticadas formas de controle territorial armado e um modelo de atuação criminosa baseado na combinação de:
- violência;
- exploração econômica de comunidades e territórios;
- captura de mercados formais e informais;
- lavagem de dinheiro;
- infiltração em atividades econômicas legais;
- interferência em estruturas institucionais.
Brasil Contra o Crime Organizado: escritórios em três fronteiras críticas
A inauguração do Escritório Nacional Antifacção no Rio é uma das estratégias do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, que prevê estruturas semelhantes em pontos sensíveis do país. Além do RJ, já foram instalados escritórios em:
- São Paulo;
- Foz do Iguaçu (PR) – área estratégica de fronteira.
Paralelamente, São Paulo e Rio de Janeiro receberam sedes regionais do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), reforçando a frente de combate à lavagem de dinheiro e às movimentações financeiras vinculadas a facções.
Coaf no centro da asfixia financeira das facções
O Secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, destacou que o Coaf ocupa posição de “absoluta centralidade” dentro do programa, já que estrangular financeiramente as facções é um dos principais eixos de atuação.
“Se o objetivo final das organizações criminosas é o lucro, e se o lucro financia as ações violentas, a gente tem que fechar esse gargalo”, afirmou.
Segundo ele, o governo federal já trabalha em articulação com a Anatel para identificar:
- operadoras de telefonia e internet que prestam serviços usados pelo crime organizado;
- atividades econômicas capturadas por facções.
A intenção é:
- mapear e eliminar os focos de infiltração;
- regular o mercado para impedir que empresas e serviços sejam instrumentalizados por organizações criminosas.
Escritório no RJ: apoio logístico, inteligência e cooperação entre estados
Chico Lucas explicou que o Escritório Antifacção do Rio vai permitir que o governo federal dê mais apoio logístico às forças de segurança do estado em operações locais e, ao mesmo tempo, auxilie outros estados que enfrentam facções originadas no Rio.
“Não é justo que o Rio de Janeiro suporte essa despesa e todas essas operações sem o apoio da União”, afirmou.
De acordo com o secretário, a nova estrutura atuará:
- em nível estratégico de inteligência;
- na produção de conhecimento sobre dinâmicas criminais;
- no suporte a operações conjuntas;
- na captura de foragidos ligados a facções.
Tudo isso em sinergia com as forças estaduais, incluindo polícias civis e militares, e com órgãos federais, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.
Segurança nos presídios: foco nos 138 estabelecimentos com lideranças criminosas
O Secretário Nacional de Políticas Penais, André Garcia, anunciou que o governo federal também vai reforçar a segurança nos presídios do estado, com medidas como:
- doação de equipamentos de segurança;
- treinamento de policiais penais nos protocolos aplicados em presídios federais de segurança máxima.
No total, 138 presídios em todo o país foram selecionados para receber essas ações, incluindo as principais unidades penitenciárias do Rio de Janeiro.
Além da qualificação estrutural, está previsto que:
- pelo menos duas operações regionais;
- e uma grande operação nacional
sejam realizadas todos os meses nesses estabelecimentos.
“Neles, encontramos quase 80% das lideranças criminosas do nosso país. Com isso, nós pretendemos monitorar, isolar e impedir que esses indivíduos articulem as atividades criminosas fora do presídio”, explicou Garcia.
Meta: integrar inteligência, finanças e sistema prisional
Com a inauguração do Escritório Nacional Antifacção no Rio, a criação de sedes regionais do Coaf e o reforço da gestão penal, o governo federal busca articular três frentes principais de combate às facções:
- Integração operacional e de inteligência entre União, estados e municípios;
- Asfixia financeira das organizações criminosas, por meio do monitoramento e bloqueio de fluxos de dinheiro e atividades econômicas capturadas;
- Controle interno dos presídios, para evitar que lideranças sigam comandando o crime de dentro das unidades.
A expectativa do Ministério da Justiça é que a atuação integrada em torno do Escritório Antifacção no RJ se torne um modelo de cooperação federativa, capaz de apoiar outros estados e reverter o poder de influência das facções sobre territórios, mercados e instituições.
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