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Ceilândia destina 400 lotes para pessoas com deficiência e dá passo decisivo na política habitacional do DF

Endereçamento na QNR 6 e autorização de supressão vegetal preparam terreno para moradias unifamiliares com prioridade para PcDs inscritas no...

Endereçamento na QNR 6 e autorização de supressão vegetal preparam terreno para moradias unifamiliares com prioridade para PcDs inscritas no Morar Bem

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

A governadora Celina Leão participou da cerimônia e destacou a essência humana e transformadora de amparar quem mais precisa | Fotos: Matheus Borges/Agência Brasília

A política habitacional do Distrito Federal deu um avanço significativo neste domingo (28), especialmente para pessoas com deficiência (PcDs). Em solenidade realizada no Setor R Norte da QNR 6, em Ceilândia, o Governo do DF marcou o endereçamento de 400 lotes urbanizados e autorizou a supressão vegetal da área, abrindo caminho para a construção de moradias unifamiliares destinadas prioritariamente a PcDs inscritas no programa Morar Bem, da Codhab-DF.

A governadora Celina Leão participou da cerimônia e destacou o caráter transformador da iniciativa, voltada a quem mais precisa de segurança habitacional.

“Nós tomamos uma decisão política de fazer as entregas dos lotes unifamiliares. É uma política de habitação que deu certo, é rápida, você entrega e o negócio realmente anda. O decreto que nós assinamos vai oportunizar no total 10 mil moradias de lotes unifamiliares. Isso é mudar a vida de 10 mil pessoas. Isso é o que faz realmente a política valer a pena, cuidar de quem mais precisa. E seguindo os critérios da lista da Codhab. É um processo burocrático, porque tem que passar pela Codhab e pela Terracap. Estou muito feliz de estar aqui fazendo essa entrega e tirando do papel aquilo que muita gente esperava há muito tempo. E nós não vamos entregar só o lote, não. Nós vamos entregar o lote com cheque-moradia, para que vocês possam construir com dignidade”, afirmou.

O que é o endereçamento e por que ele é fundamental

O endereçamento representa uma fase central na implantação de projetos habitacionais. É o momento em que cada lote recebe uma identificação oficial, como quadra, conjunto, lote, rua e número, organizando o território de forma formal e urbanisticamente reconhecida.

Esse passo:

  • permite o planejamento das próximas etapas (infraestrutura, ligações de água, energia, transporte etc.);
  • facilita o acesso futuro aos serviços públicos (saúde, educação, assistência social, segurança, correios);
  • garante segurança jurídica ao morador, que passa a ter um endereço oficial, condição essencial para documentação e inclusão em políticas públicas.

Nesta etapa, a organização dos espaços definiu:

  • 50 lotes para cada um dos conjuntos K, L, M, N, O, P e Q;
  • 25 lotes para os conjuntos J e R.

Paralelamente, a autorização de supressão vegetal – emitida por órgãos ambientais – permite, de forma legal e controlada, a retirada da vegetação nativa da área, preparando o terreno para as obras, dentro de critérios de responsabilidade ambiental.

Projeto pensado para PcDs, com acompanhamento especializado

O projeto foi desenhado para acolher as necessidades físicas e emocionais das pessoas com deficiência, desde a concepção até a futura ocupação dos lotes. Por isso, toda a iniciativa foi acompanhada pelo Movimento Habitacional e Cidadania das Pessoas com Deficiência do DF (Mohciped), entidade que atua na orientação, defesa de direitos e apoio às famílias beneficiadas.

A área escolhida, às margens da BR-070, não deixa as famílias isoladas. O entorno já conta com uma rede de equipamentos públicos essenciais, entre eles:

  • UBS 15 e UBS 12 (unidades básicas de saúde);
  • Escolas Classe 65 e 61;
  • Centros de Ensino Fundamental 27 e 24;
  • o Cepi Ipê Amarelo;
  • o Cras Estação Cidadania.

Essa infraestrutura favorece o acesso a serviços de saúde, educação, assistência social e proteção, garantindo condições melhores para a vida cotidiana das famílias que ocuparão os lotes.

O presidente da Codhab, Marcelo Fagundes, destacou o fim de uma longa espera. “Por anos e anos, essas pessoas que estão aqui esperaram a oportunidade de ter uma moradia. Eu vi aqui vários PcDs emocionados e com razão, porque a gente sabe o quanto vocês esperaram e aguardaram isso com ansiedade. Cada um de vocês que está aqui precisa da sua moradia e precisa que a mão do Estado, a mão do governo resolva a vida de vocês. Todo mundo que está aqui vai ter seu lote e vai viver em paz”, afirmou.

Histórias de quem esperou anos por segurança e um endereço

A conquista dos lotes marca um recomeço para famílias que enfrentaram anos de incerteza, aluguel e vulnerabilidade.

Aos 45 anos, Bárbara Kelly Gomes Pires viu sua vida mudar quando se tornou PcD há três anos. Mãe de dois filhos, aposentada e morando em uma casa cedida, ela descreve o impacto dessa nova etapa.

“Saber que a gente vai ter a casa própria, que não tem que pagar aluguel, é maravilhoso”, conta. Para ela, a moradia definitiva devolve segurança à família. “Você ter um lugar e poder dizer ‘é meu’ é muito gratificante. Fico sem unha de tanta ansiedade, mas fico feliz por mim e pelos demais que estão esperando essa chave logo chegar na mão”, comemorou.

A dona de casa Caccilda Neres Pessoa, 51 anos, viveu 19 anos de espera e forte aperto financeiro. Com renda de R$ 800 de pensão, ela relata que o dinheiro mal dava para sobreviver. “Só dá mesmo para pagar o aluguel, que já inclui água e luz, e não dá para comprar nada de comer”, desabafou. Para ela, o lote é sinônimo de alívio.

“A maioria dos PCDs como eu ganha até um salário mínimo e não dá para se manter e pagar aluguel. Então, hoje é um dia de alegria. Parece que eu estou sonhando. Deus, quando faz, faz bem feito”, celebrou.

Na mesma linha, Maria Edite Santos, 50 anos, aguardava na fila habitacional desde 2009, vivendo de aluguel. Ela destaca o impacto coletivo da entrega: “As pessoas que estavam sem casa, sem teto, agora vão ter um teto, uma casa, um endereço”, comemorou. Cheia de planos, já antecipa a próxima etapa: “Estou só esperando a hora de construir tudinho para a gente entrar.”

Habitação e meio ambiente: compensação florestal e Cerrado protegido

O avanço social na QNR 6 está sendo articulado com responsabilidade ambiental. O presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Gutemberg Gomes, ressaltou a importância de conciliar política de moradia com proteção do Cerrado.

“Nós estamos aqui hoje inaugurando um projeto social importantíssimo, que é um projeto de habitação para pessoas vulneráveis”, afirmou. Ele lembrou que, para construir, é inevitável utilizar o terreno – o que exige supressão de vegetação –, mas isso não significa abandonar o cuidado ambiental.

“Logicamente, para que haja moradia, você precisa de terreno e, com isso, a supressão da vegetação”, explicou, destacando que, em paralelo, o governo está revisando o decreto que estabelece critérios claros de compensação florestal.

A ideia é garantir que:

  • a política habitacional avance, especialmente para os mais vulneráveis;
  • e, ao mesmo tempo, sejam cumpridas exigências de compensação ambiental, preservando e restaurando áreas de Cerrado.

“Você estabelece os critérios para compensação florestal e automaticamente você faz a política habitacional acontecer. Isso é o que eu chamo de desenvolvimento sustentável”, concluiu Gutemberg Gomes.

Com o endereçamento de 400 lotes, o foco prioritário em PcDs e a previsão de cheque-moradia para construção, Ceilândia dá um passo concreto para transformar a realidade de pessoas historicamente excluídas do acesso à moradia digna, combinando direito à cidade, inclusão social e responsabilidade ambiental.

Para Bárbara Kelly Gomes Pires, 45 anos, que é uma pessoa com deficiência, a conquista da casa própria devolve a segurança para a família

TAGS: CEILÂNDIA, QNR 6, MORAR BEM, PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, PCD, LOTES UNIFAMILIARES, CHEQUE MORADIA, CODHAB DF, TERRACAP, CELINA LEÃO, MARCELO FAGUNDES, MOHCIPED, BRASÍLIA AMBIENTAL, GUTEMBERG GOMES, HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL, COMPENSAÇÃO FLORESTAL, DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, DISTRITO FEDERAL

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