Projeto da UnB integra fonoaudiologia, tecnologia e análise molecular para avaliar deglutição, cognição e independência funcional no envelhe...
Projeto da UnB integra fonoaudiologia, tecnologia e análise molecular para avaliar deglutição, cognição e independência funcional no envelhecimento
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Comer, engolir e se comunicar são ações cotidianas que podem se tornar desafiadoras na velhice ou após eventos como o acidente vascular encefálico (AVE). Alterações nessas funções impactam diretamente a saúde, a interação social e a autonomia da pessoa idosa. Para enfrentar esse cenário, a Universidade de Brasília (UnB) desenvolve uma pesquisa inédita que unifica fonoaudiologia, tecnologia e ciência aplicada, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).
O estudo, intitulado “Comunicação, Cognição, Deglutição, Alimentação, Independência Funcional e Perfil Molecular de Idosos”, foi contemplado pelo edital FAPDF Learning e recebe R$ 500 mil em investimentos. Um dos resultados centrais será o desenvolvimento de um aplicativo em formato de jogo educativo (Serious Game) para orientar idosos, familiares e cuidadores sobre alimentação segura e eficiente.
Pesquisa avalia comunicação, deglutição, cognição e independência funcional
Coordenada pela professora Cristina Lemos Barbosa, adjunta do curso de Fonoaudiologia da UnB/FCE, a pesquisa avalia funções relacionadas à:
- comunicação;
- cognição;
- alimentação;
- deglutição (ato de engolir);
- independência funcional.
Cristina atua nas áreas de disfagia, voz e qualidade de vida, é mestre em fisiopatologia experimental, doutora em ciências, e integra a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) e a Dysphagia Research Society (DRS).
Quando há dificuldade para engolir – condição conhecida como disfagia – o risco de complicações aumenta significativamente.
“A alimentação segura é um dos pilares da saúde e da qualidade de vida. Dificuldades para mastigar ou engolir aumentam o risco de desnutrição, desidratação, pneumonias aspirativas e hospitalizações”, explica Cristina. Segundo ela, esses problemas afetam principalmente idosos mais frágeis e vulneráveis e, muitas vezes, passam despercebidos por familiares e até por quem cuida.
Na prática, a pesquisa realiza avaliações clínicas padronizadas que incluem:
- testes de cognição;
- análise da independência funcional;
- avaliação da força muscular;
- testes de tosse e força de língua;
- análise da segurança e eficiência da deglutição.
O estudo também investiga marcadores moleculares em pacientes nas primeiras 72 horas após o AVE, buscando entender como fatores biológicos influenciam a recuperação e a reabilitação.
Serious Game: tecnologia para ensinar alimentação segura
Um dos principais resultados esperados é o desenvolvimento de um aplicativo educativo em formato de jogo, conhecido como Serious Game, destinado a:
- pessoas idosas;
- familiares;
- cuidadores formais e informais.
A ferramenta terá foco em orientações sobre alimentação segura, formas adequadas de preparo e consumo de alimentos, e reconhecimento de sinais de risco.
A ideia surgiu da necessidade de ampliar o acesso a informações confiáveis e baseadas em evidências. “Muitas complicações relacionadas à deglutição poderiam ser prevenidas com informação adequada. O formato de jogo educativo torna o aprendizado mais interativo, favorecendo o engajamento de idosos, familiares e cuidadores”, destaca Cristina.
O aplicativo será construído com base nos dados coletados em diferentes perfis de participantes:
- adultos e idosos após acidente vascular encefálico;
- pessoas idosas em situação de vulnerabilidade, acompanhadas por serviços de gerontologia.
A proposta é que a ferramenta leve em conta:
- as capacidades cognitivas dos usuários;
- o nível de funcionalidade e mobilidade;
- limitações físicas e sensoriais;
- uso de linguagem clara, recursos de acessibilidade e interface simples.
Prevenção, diagnóstico precoce e planejamento do cuidado
A pesquisa aposta na identificação precoce de dificuldades relacionadas à:
- alimentação;
- deglutição;
- cognição.
Reconhecer sinais de risco logo no início permite:
- evitar complicações graves (como pneumonias aspirativas e internações);
- planejar intervenções mais oportunas;
- estruturar melhor o cuidado multiprofissional;
- preservar, por mais tempo, a independência funcional da pessoa idosa.
Isso é especialmente relevante em um contexto de envelhecimento populacional, em que crescem os casos de doenças crônicas e de sequelas decorrentes de AVEs e outras condições neurológicas.
FAPDF garante fomento à pesquisa interdisciplinar e à formação acadêmica
Para Cristina Lemos Barbosa, o apoio da FAPDF foi decisivo para viabilizar um projeto interdisciplinar, que articula:
- assistência em saúde;
- produção científica;
- inovação tecnológica.
Além de impulsionar o desenvolvimento do aplicativo, o projeto:
- envolve estudantes de iniciação científica,
- mestrandos,
- doutorandos e pesquisadores de pós-doutorado;
- fortalece a produção científica na área de envelhecimento, fonoaudiologia e saúde pública no Distrito Federal.
Ao unir ciência, cuidado e tecnologia, a pesquisa busca não apenas produzir conhecimento, mas entregar uma ferramenta concreta para reduzir riscos, qualificar o cuidado e melhorar a qualidade de vida de pessoas idosas, seus familiares e cuidadores em todo o país.
TAGS: FAPDF, UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, UNB, FONOAUDIOLOGIA, DISFAGIA, DEGLUTIÇÃO, IDOSOS, SERIOUS GAME, APLICATIVO DE SAÚDE, CRISTINA LEMOS BARBOSA, AVE, ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO, ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL, PESQUISA CIENTÍFICA, SAÚDE DO IDOSO, DISTRITO FEDERAL
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