Estados reforçam cooperação diante do avanço do greening em Goiás e da ocorrência de cancro cítrico e cancro bacteriano da videira no DF Por...
Estados reforçam cooperação diante do avanço do greening em Goiás e da ocorrência de cancro cítrico e cancro bacteriano da videira no DF
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
Uma reunião realizada nesta quinta-feira (9), em Goiânia (GO), definiu estratégias para reforçar a vigilância fitossanitária e ampliar a cooperação entre o Distrito Federal e Goiás no enfrentamento de doenças que ameaçam a produção agrícola das duas regiões. Técnicos dos órgãos de defesa agropecuária compartilharam dados sobre a situação atual, discutiram medidas de fiscalização, monitoramento, prevenção e controle e estabeleceram ações coordenadas, com foco especial nas áreas de divisa e nos municípios do Entorno do DF.
O encontro prevê, ainda, troca imediata de informações, planejamento integrado e apoio das forças policiais, elevando a capacidade de prevenção, detecção e resposta às ameaças fitossanitárias que atingem culturas estratégicas, como citros e uvas.
Greening: maior ameaça à citricultura e focos próximos ao DF
Entre as doenças analisadas, o greening (HLB) foi apontado como a principal preocupação. Considerada a doença mais grave e destrutiva dos citros no mundo, ela compromete laranjeiras, limoeiros e outros citros, reduzindo drasticamente a produtividade e a qualidade dos frutos.
Recentemente, foram identificados dois focos de greening em Goiás, em:
- Cidade Ocidental – município do Entorno do Distrito Federal;
- Campo Limpo de Goiás.
A proximidade geográfica e o fluxo constante de mudas, materiais vegetais, máquinas, equipamentos e pessoas entre áreas produtoras do DF e de Goiás tornam a integração das ações ainda mais necessária. A atuação coordenada busca impedir que a doença avance para novas áreas, protegendo pomares que exigem anos de investimento até alcançarem plena produção.
Medidas discutidas contra o greening
Entre as ações debatidas para prevenir a disseminação do HLB estão:
- reforço da vigilância nas regiões produtoras de citros;
- fiscalização do trânsito de material vegetal, em especial mudas e estacas;
- orientação aos produtores para compra de mudas de origem regular, certificadas e rastreáveis;
- estímulo à identificação precoce de sintomas nos pomares e à comunicação imediata às autoridades.
A procedência das mudas foi destacada como ponto crítico: adquirir material de origem duvidosa aumenta o risco de introdução da doença em áreas ainda livres, colocando em risco extensas áreas produtivas.
Como o greening é transmitido
A transmissão do HLB ocorre principalmente por meio do psilídeo, um pequeno inseto que:
- ao se alimentar de uma planta contaminada, pode adquirir a bactéria associada à doença;
- posteriormente, transmite o agente etiológico a plantas sadias, espalhando a infecção.
Por isso, as estratégias de enfrentamento incluem:
- identificação e eliminação das plantas infectadas, para reduzir a fonte de inóculo;
- controle do inseto vetor, com manejo integrado de pragas e medidas de biossegurança.
Cancro cítrico: DF segue em alerta, mesmo sem casos confirmados
A reunião também abordou o cancro cítrico, doença bacteriana que afeta diferentes espécies de citros, como:
- laranjas doces;
- limões;
- limas ácidas;
- tangerinas.
Até o momento, o Distrito Federal não registra casos confirmados de cancro cítrico, mas as equipes permanecem em estado de vigilância.
Entre as estratégias discutidas estão:
- compartilhamento de informações sobre ocorrências e suspeitas entre DF e Goiás;
- realização de ações coordenadas de monitoramento em áreas de maior risco;
- intensificação das orientações aos produtores, sobretudo onde há grande circulação de mudas e outros materiais vegetais.
O cancro cítrico provoca lesões em folhas, ramos e frutos, reduzindo a produtividade e a qualidade comercial da produção, o que reforça a importância de medidas preventivas antes da confirmação de casos.
Cancro bacteriano da videira: casos identificados no DF e monitoramento ampliado
No Distrito Federal, já foram identificados dois casos de cancro bacteriano da videira, causados pela bactéria Xanthomonas citri pv. viticola. Os focos foram registrados em propriedades localizadas:
- no Programa de Assentamento Dirigido do Distrito Federal (PAD-DF);
- em Brazlândia.
Após a confirmação dos casos, foi intensificado o monitoramento nas regiões próximas, com:
- vistorias em propriedades dentro de um raio de até 10 km dos focos;
- coleta de material para análise laboratorial nos locais onde houve suspeita da doença.
Esse acompanhamento continua sendo realizado pela Secretaria, em regime de vigilância permanente.
Como o cancro bacteriano da videira se espalha
A doença pode afetar folhas, ramos e frutos, comprometendo o desenvolvimento das plantas e gerando perdas significativas na produção de uvas.
Sua disseminação ocorre principalmente por:
- mudas e estacas contaminadas, utilizadas na formação de novos vinhedos;
- ferramentas, máquinas e equipamentos de manejo, quando usados sem higienização e desinfecção adequadas;
- operações de poda e colheita realizadas sem medidas de biossegurança.
Por isso, as ações de vigilância recomendam:
- uso de material de propagação certificado;
- protocolos de limpeza e desinfecção de ferramentas;
- controle rigoroso de entrada e trânsito de insumos e equipamentos nas áreas de produção.
Cooperação regional para proteger a produção agrícola
A reunião em Goiânia reforça a importância de uma estrutura regional de defesa agropecuária, capaz de:
- monitorar rapidamente a ocorrência de doenças em áreas vizinhas;
- articular ações conjuntas entre DF e Goiás;
- mobilizar forças policiais para apoiar fiscalizações e barreiras sanitárias;
- ampliar a capacidade de resposta dos órgãos de defesa vegetal.
Ao alinhar metas e protocolos de vigilância, os dois entes buscam proteger a citricultura, a viticultura e outras cadeias produtivas, garantindo segurança fitossanitária, manutenção de empregos no campo e estabilidade econômica das regiões produtoras.
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