Imóvel federal doado ao GDF passará por ampla reforma para abrigar comércio popular, economia solidária, agricultura familiar, cultura, gast...
Imóvel federal doado ao GDF passará por ampla reforma para abrigar comércio popular, economia solidária, agricultura familiar, cultura, gastronomia e lazer
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
O Governo do Distrito Federal deu, nesta terça-feira (2), o passo decisivo para a retomada do Shopping Popular de Brasília como polo de comércio e cultura. Em cerimônia no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN), a governadora Celina Leão sancionou a lei que autoriza o GDF a receber o imóvel da União e assinou o contrato de cessão de uso para os feirantes permissionários, abrindo caminho para a criação de um novo Mercado Municipal na capital federal.
Localizado nas proximidades da antiga Rodoferroviária, o prédio – fechado desde 2017 – passa agora à responsabilidade do governo local e será reformado para abrigar um complexo voltado ao comércio popular, à economia solidária, à agricultura familiar e a atividades culturais, esportivas, gastronômicas e de lazer.
Imóvel da União é transferido ao GDF após anos de abandono
O espaço, que integra o programa federal Imóvel da Gente, coordenado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), estava ocioso desde o término do antigo termo de cessão, em 2017. O programa tem como objetivo dar uso social a bens federais subutilizados, destinando-os a projetos que beneficiem diretamente a população.
Ao formalizar a doação, Celina Leão destacou que a regularização da área era condição indispensável para qualquer intervenção. “Nós não podíamos fazer nenhuma intervenção física, nenhuma construção, porque essa área não era nossa”, lembrou. “Hoje recebemos a doação oficial, que nos dá a condição de fazer agora o Mercado Municipal. Nós temos agora uma missão muito grande, que é tirar o sonho das pessoas do papel. É fazer disso aqui um mercadão de verdade, com gente comprando, produtos fresquinhos, frutas fresquinhas e restaurantes funcionando”.
A medida regulariza a destinação do imóvel, permitindo que o GDF finalize o projeto arquitetônico, abra licitação para as obras e execute a transformação do antigo Shopping Popular em um mercado de referência para o Distrito Federal.
Parceria entre União e GDF para resgatar dignidade dos feirantes
O superintendente do Patrimônio da União no DF, Roberto Policarpo, reforçou que a doação, com encargos definidos, é resultado de um processo de negociação voltado à preservação da função social do imóvel e à proteção dos trabalhadores que atuam no local.
“Essa parceria vai, acima de tudo, resgatar a dignidade dos feirantes aqui do Shopping Popular”, afirmou. “A gente sabe o quanto é importante ter as entregas que são necessárias, e o shopping vai ser resgatado, para que a gente possa dar vida ao shopping. Há uma lista de reivindicações dos feirantes que precisam ser atendidas, para a gente poder realmente dar dignidade para os feirantes”.
A secretária do Patrimônio da União, Carolina Gabas, ressaltou que a União exigiu garantias do GDF quanto à execução das reformas, à permanência dos feirantes históricos e à valorização da economia popular e solidária. “Foi um processo longo, porque esse espaço estava parado desde 2017 e havia a reivindicação dos feirantes”, relatou. “O papel do governo federal foi formatar o contrato de doação com os encargos. Agora, o GDF vai fazer a licitação e garantir os feirantes que já investiram aqui. Cabe à União monitorar e fiscalizar o cumprimento dessas obrigações”.
Mercado Municipal terá 36 meses de obras e usos múltiplos
O projeto do novo Mercado Municipal prevê um prazo estimado de 36 meses para execução. Pelo planejamento apresentado, os atuais feirantes ocuparão 35% da área total do edifício, com boxes e espaços adaptados às necessidades do comércio popular.
O restante da estrutura será destinado a gastronomia, atividades culturais, esportivas e de lazer, com áreas para restaurantes, eventos, apresentações artísticas e ações de promoção da economia criativa. Parte do pavimento térreo será cedida ao Ministério do Trabalho e Emprego, que instalará um centro de formação voltado à economia popular e solidária, com cursos, capacitações e apoio a empreendedores.
A ideia é transformar o espaço em um verdadeiro “mercadão” – nos moldes de mercados centrais de outras capitais brasileiras –, que funcione ao mesmo tempo como centro de compras, ponto turístico, polo cultural e local de convivência para moradores e visitantes.
Câmara Legislativa promete acompanhar o projeto
O vice-presidente da Câmara Legislativa do DF (CLDF), deputado distrital Ricardo Vale, destacou o papel do Legislativo na fiscalização da implementação do mercado e na garantia de que o projeto seja executado conforme o previsto.
“Eu fico à disposição para, enquanto Câmara Legislativa, acompanhar todo esse processo. Eu falo em nome da Câmara Legislativa do Distrito Federal, de todos os deputados. Logo, logo a gente vai ter aqui um mercado central muito bonito, numa área extremamente importante. Todos os estados para os quais a gente viaja têm um mercado central. E aqui tem condições de virar um mercado central, uma referência, para o Distrito Federal. Então, vamos acompanhar, junto com o governo, junto com o governo federal. Vamos juntos”, afirmou.
História, decadência e retomada do Shopping Popular
Inaugurado em 2008, o Shopping Popular de Brasília foi concebido para receber ambulantes e camelôs que atuavam principalmente na Rodoviária do Plano Piloto. Em seu auge, o espaço chegou a abrigar cerca de 1.500 boxes, oferecendo estrutura formalizada para comerciantes que viviam do varejo popular.
Com o passar dos anos, porém, o empreendimento perdeu fluxo de clientes, acumulou boxes fechados e deixou de receber investimentos estruturais. O encerramento do termo de cessão, em 2017, agravou o cenário, deixando o imóvel sem gestão clara e os feirantes em situação de incerteza.
A assinatura dos novos instrumentos jurídicos representa, para os comerciantes, a chance de reconstruir o espaço e retomar o movimento. Edilene Fernandes, conhecida como “Galega” e presidente da Associação do Shopping Popular, descreveu o momento como um recomeço.
“Nós estavámos à espera de um milagre”, disse. “A gente tem a certeza de que agora a nossa vida vai mudar. Eu imagino isso aqui cheio, um centro de referência e um ponto turístico de Brasília. As assinaturas de hoje representam uma nova vida para o Shopping Popular. Os feirantes estão aqui há 18 anos, com muita dificuldade. A gente tem a certeza de que agora a nossa vida vai mudar. A gente espera que o governo entre com seriedade, identifique quem realmente quer trabalhar e dê destino aos blocos de quem não quer abrir. Também esperamos a presença de órgãos públicos aqui dentro, para trazer movimento”.
Mercadão como referência de comércio, cultura e turismo
Com a doação formalizada e o contrato de cessão assinado, o próximo passo do GDF será concluir os projetos executivos, lançar o processo licitatório das obras e definir, em diálogo com os feirantes e com a União, a ocupação dos espaços.
A expectativa do governo e dos comerciantes é que, ao fim dos 36 meses de obras, o antigo Shopping Popular se converta em um Mercado Municipal moderno, com produtos frescos, frutas, hortifrutigranjeiros, gastronomia variada, artesanato, serviços e uma programação cultural permanente.
Ao combinar comércio popular, economia solidária, agricultura familiar, cultura e lazer em um só endereço, o novo “mercadão” do SAAN tem potencial para se tornar símbolo da revitalização urbana da região e referência de turismo e economia popular no Distrito Federal.
TAGS: SHOPPING POPULAR DE BRASÍLIA, MERCADO MUNICIPAL, SAAN, CELINA LEÃO, GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL, PATRIMÔNIO DA UNIÃO, ECONOMIA POPULAR E SOLIDÁRIA, AGRICULTURA FAMILIAR, COMÉRCIO POPULAR, FEIRANTES, IMÓVEL DA GENTE, MERCADÃO, TURISMO, CULTURA E LAZER, MERCADO CENTRAL DF
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