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Esporte vira eixo central na reintegração de jovens do sistema socioeducativo do DF

Projetos esportivos aliados a cultura e educação fortalecem cidadania, convivência coletiva e novos projetos de vida para adolescentes em me...

Projetos esportivos aliados a cultura e educação fortalecem cidadania, convivência coletiva e novos projetos de vida para adolescentes em medida socioeducativa

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

O esporte vem se consolidando como um dos principais instrumentos de transformação para adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas no Distrito Federal. No sistema coordenado pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF), a prática esportiva deixou de ser atividade acessória para ocupar papel estratégico na promoção da cidadania, da convivência coletiva e do desenvolvimento integral dos jovens atendidos nas unidades.

Esporte como ferramenta de autoestima e cidadania

De acordo com o subsecretário do Sistema Socioeducativo do DF, Daniel Fernandes, a Sejus-DF atua há pelo menos seis anos para alinhar o sistema à legislação de regência e ampliar a garantia de direitos dos adolescentes.

“Por intermédio do esporte, incentivamos valores e resgatamos a confiança e a autoestima dos socioeducandos, congregamos a participação dos servidores e reunimos as unidades para a celebração do trabalho e dos seus resultados”, afirma.

A lógica é usar o ambiente esportivo – com regras, metas, cooperação e convivência – como espaço pedagógico para reconstruir vínculos, reforçar o senso de responsabilidade e incentivar mudanças de comportamento.

Torneios de futsal e apoio de parceiros

O Sistema Socioeducativo do DF desenvolve diversos projetos esportivos adaptados às especificidades de cada unidade e ao perfil dos jovens. Entre as iniciativas se destacam os torneios de futsal nas unidades de internação, realizados com apoio de parceiros externos.

Nessas competições, os adolescentes são organizados em equipes e disputam partidas pautadas pelo espírito esportivo, respeito mútuo e trabalho em grupo. As ações promovem experiências positivas de convivência, reduzem tensões internas e aproximam servidores e socioeducandos em torno de objetivos comuns.

Disciplina, regras e autocontrole

Para a chefe da Unidade de Gestão de Políticas e Atenção à Saúde de Jovens e Adolescentes, Kauane Mineko, o esporte vai muito além do exercício físico ou da competição.

“O esporte se consolida como uma importante ferramenta de ressocialização, capaz de promover disciplina, respeito às regras, convivência coletiva, cooperação e autocontrole emocional dos adolescentes atendidos pelo sistema socioeducativo”, explica.

Segundo ela, a participação em jogos e atividades esportivas permite que os jovens:

  • olhem para si mesmos e reconheçam potencialidades e limitações;
  • valorizem o papel do colega;
  • experimentem o trabalho em equipe de forma concreta;
  • aprendam a lidar com frustrações, vitórias e derrotas.

“Essas ações favorecem a redução de conflitos e incentivam a integração entre as unidades e os socioeducandos”, destaca Kauane. A meta é fortalecer iniciativas que usem o esporte como ferramenta de educação, cidadania e inclusão social, ajudando a reconstruir trajetórias e a desenhar novos projetos de vida.

Artes, cultura e educação física dentro das unidades

O eixo esportivo não atua isolado. Nos últimos anos, o sistema socioeducativo passou a contar com especialistas de diferentes áreas – artes cênicas, música, educação física, artes plásticas – incorporados à carreira socioeducativa.

A presença desses profissionais:

  • amplia o repertório de propostas pedagógicas;
  • estimula práticas interdisciplinares;
  • favorece o desenvolvimento de múltiplas habilidades;
  • contribui para projetos mais humanizados e participativos.

A diversidade de áreas também fortalece a articulação entre unidades e entre diferentes tipos de medida socioeducativa, ampliando o intercâmbio de experiências e as oportunidades formativas para adolescentes e jovens atendidos.

Olimpíada Socioeducativa e novas modalidades

Entre as propostas recentes, a I Olimpíada Socioeducativa, realizada em maio de 2026, representou um marco de integração e valorização dos adolescentes. O evento reuniu diversas modalidades, como:

  • basquete adaptado;
  • pingfut;
  • frescobol;
  • tênis de mesa;
  • revezamento de 100 metros;
  • arremesso de peso.

Além das disputas esportivas, atividades culturais – como a confecção de bandeiras – reforçaram o trabalho em equipe, o senso de pertencimento às unidades e o protagonismo juvenil.

Com a implantação de um campo sintético na Unidade de Internação do Recanto das Emas (Unire), o futebol passou a integrar de forma ainda mais estruturada a programação pedagógica, consolidando-se como ferramenta de educação e inclusão social.

Copas, jogos e intercâmbio entre unidades

A tradicional Copa Atlas de Futsal reúne, anualmente, equipes de diferentes unidades de internação. O torneio estimula o respeito, a convivência coletiva e o intercâmbio entre os adolescentes, criando um ambiente de competição saudável e reconhecimento do esforço individual e coletivo.

Ao longo do ano letivo, os Jogos Interclasses promovem disputas internas em modalidades como futsal, tênis de mesa e futmesa, organizadas de acordo com a realidade e a estrutura de cada unidade. Essas atividades ajudam a manter uma rotina esportiva contínua, com metas de curto e médio prazo, e reforçam a ideia de que o esporte pode ser um caminho para mudar o destino dos participantes.

TAGS: SISTEMA SOCIOEDUCATIVO, SEJUS DF, ESPORTE E RESSOCIALIZAÇÃO, ADOLESCENTES EM MEDIDA SOCIOEDUCATIVA, CIDADANIA, INCLUSÃO SOCIAL, COPA ATLAS, OLIMPÍADA SOCIOEDUCATIVA, UNIRE, FUTSAL, POLÍTICAS PÚBLICAS PARA JOVENS, DISTRITO FEDERAL

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