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Lula veta projeto que reconhecia estágio como experiência profissional em concursos públicos

Governo aponta inconstitucionalidade e afirma que proposta comprometeria critérios de seleção e caráter pedagógico do estágio Por Anderson M...

Governo aponta inconstitucionalidade e afirma que proposta comprometeria critérios de seleção e caráter pedagógico do estágio

Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente o projeto de lei que previa o reconhecimento do estágio acadêmico como experiência profissional válida em concursos públicos. A decisão foi publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União e gerou repercussão entre estudantes, universidades e candidatos ao serviço público.

Brasília (DF), 17/06/2024 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça Ricardo Lewandowski durante cerimônia da assinatura de contrato que destina R$ 318,5 milhões do Fundo Amazônia para o fortalecimento do Plano Amazônia: Segurança e Soberania (AMAS), no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

© Valter Campanato/Agência Brasil

Segundo o governo federal, a proposta apresentava problemas constitucionais e poderia comprometer tanto o caráter pedagógico do estágio quanto os critérios de seleção adotados em concursos públicos realizados no país.

Governo alega violação à autonomia dos entes federativos

O texto havia sido aprovado pelo Congresso Nacional em abril e determinava que o Poder Público regulamentasse as situações em que o estágio poderia ser considerado experiência profissional para fins de participação em concursos.

No veto presidencial, o Palácio do Planalto argumenta que a proposta atribuía de forma genérica ao Poder Público uma regulamentação que poderia centralizar competências exclusivamente na Presidência da República, ferindo a autonomia de estados e municípios e a independência entre os Poderes.

A avaliação jurídica do governo considerou a medida inconstitucional sob o ponto de vista federativo e administrativo.

Ministério da Educação e AGU recomendaram veto

A decisão de Lula teve como base pareceres técnicos elaborados pelo Ministério da Educação, pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e pela Advocacia-Geral da União (AGU).

Além da questão constitucional, os órgãos apontaram que o projeto desconsiderava a natureza pedagógica do estágio, prevista na legislação brasileira como atividade complementar à formação educacional do estudante.

Segundo o entendimento do governo, transformar automaticamente o estágio em experiência profissional poderia descaracterizar a finalidade educacional da atividade acadêmica.

Projeto buscava facilitar acesso ao primeiro emprego

O autor da proposta, deputado federal Flávio Nogueira (PT-PI), defendia que a medida ajudaria estudantes e recém-formados a enfrentar uma das principais barreiras do mercado de trabalho: a exigência de experiência profissional.

Na justificativa apresentada ao Congresso, o parlamentar argumentou que muitos jovens encontram dificuldades para ingressar no mercado justamente por não conseguirem comprovar experiência formal, mesmo após realizarem estágios durante a graduação.

O projeto buscava reduzir essa lacuna, permitindo que períodos de estágio fossem considerados em processos seletivos e concursos públicos que exigem experiência na área de atuação.

Debate sobre estágio e empregabilidade ganha força

O veto reacende discussões sobre empregabilidade juvenil, acesso ao primeiro emprego e valorização da experiência acadêmica no Brasil.

Especialistas em educação e mercado de trabalho apontam que os estágios exercem papel fundamental na qualificação profissional dos estudantes, funcionando muitas vezes como principal porta de entrada para o mercado formal.

Por outro lado, juristas e especialistas em concursos públicos alertam que o reconhecimento automático do estágio como experiência profissional poderia gerar controvérsias jurídicas e desequilíbrios em processos seletivos.

Congresso ainda pode analisar veto presidencial

O veto presidencial ainda será apreciado pelo Congresso Nacional, que poderá manter ou derrubar a decisão do Executivo.

Para que o veto seja rejeitado, é necessária maioria absoluta de deputados e senadores em sessão conjunta.

Enquanto isso, continuam valendo as regras atuais da Lei do Estágio, que define a atividade como ato educativo supervisionado voltado à preparação para o trabalho produtivo.

TAGS: LULA, ESTÁGIO, EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL, CONCURSOS PÚBLICOS, GOVERNO FEDERAL, PALÁCIO DO PLANALTO, LEI DO ESTÁGIO, EMPREGABILIDADE, PRIMEIRO EMPREGO, FLÁVIO NOGUEIRA, AGU, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, CONGRESSO NACIONAL, JOVENS PROFISSIONAIS, SERVIÇO PÚBLICO, ESTUDANTES, MERCADO DE TRABALHO, EDUCAÇÃO, CONCURSO PÚBLICO, POLÍTICA BRASILEIRA

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