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Hepatites virais: diagnóstico precoce é decisivo para evitar cirrose e câncer de fígado

Doenças podem permanecer anos sem sintomas; vacinação, exames de sorologia e medidas de prevenção reduzem riscos e complicações graves Por M...

Doenças podem permanecer anos sem sintomas; vacinação, exames de sorologia e medidas de prevenção reduzem riscos e complicações graves

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

As hepatites B e C podem ser transmitidas por relações sexuais desprotegidas | Foto: Divulgação

Milhares de pessoas convivem com hepatites virais sem saber. Em grande parte dos casos, a infecção evolui durante anos sem provocar sintomas, e o diagnóstico só aparece quando o fígado já apresenta lesões importantes. Nesta terça-feira (28), Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, especialistas reforçam que se trata de doenças preveníveis, controláveis e tratáveis, desde que sejam identificadas precocemente.

As hepatites virais são infecções que atingem o fígado e podem ser causadas por cinco vírus diferentes: A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais frequentes. Em muitos casos, sinais como cansaço, febre, mal-estar, tontura e pele ou olhos amarelados (icterícia) só surgem quando a doença já está mais avançada.

Por que o diagnóstico precoce salva vidas

A hepatologista Liliana Mendes destaca que identificar a hepatite antes de danos graves ao fígado é determinante para o sucesso do tratamento.

“Quanto mais cedo a doença for identificada, mais cedo podemos iniciar o tratamento e evitar complicações. A principal forma de prevenção da hepatite B é a vacinação. Além disso, a recomendação é que todos os adultos realizem pelo menos uma vez na vida o exame de sorologia para rastreamento da doença”, explica.

O exame de sorologia permite detectar a presença do vírus ou marcadores da infecção, mesmo na ausência de sintomas, possibilitando o acompanhamento clínico e o início de medicamentos quando necessário.

Caso real: diagnóstico por acaso evitou piora

O paciente Adalto Pinheiro, de 63 anos, descobriu que tinha hepatite B há quase 20 anos em um exame de rotina, sem apresentar qualquer sinal da doença.

“Eu descobri totalmente por acaso, não sentia sintoma nenhum. Agora tomo os remédios e faço exames para garantir que não piore”, relata.

A história ilustra como a testagem preventiva pode revelar infecções silenciosas e evitar que o quadro evolua para cirrose ou câncer de fígado.

Formas de transmissão: como cada tipo de hepatite se propaga

As hepatites virais têm vias de transmissão diferentes, o que exige estratégias específicas de prevenção.

Hepatite A

  • Transmitida principalmente pela via fecal-oral;
  • associada ao consumo de água e alimentos contaminados;
  • ligada a condições inadequadas de saneamento básico e higiene.

Hepatites B e C

Podem ser transmitidas por:

  • relações sexuais desprotegidas;
  • compartilhamento de objetos perfurocortantes de uso pessoal, como:
    • lâminas de barbear;
    • escovas de dente;
    • alicates de unha;
  • compartilhamento de agulhas e seringas;
  • transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.

Pessoas com maior risco de exposição, como usuários de drogas e profissionais do sexo, devem realizar exames de rastreamento anualmente.

Hepatites D e E

  • Hepatite D: ocorre principalmente na Região Norte e depende da presença de infecção prévia por hepatite B;
  • Hepatite E: é rara no Brasil, sendo mais comum em regiões da África e da Ásia, geralmente associada ao consumo de água contaminada.

Tipos de hepatites e impacto mundial

Os cinco tipos principais são:

  • Hepatite A;
  • Hepatite B;
  • Hepatite C;
  • Hepatite D;
  • Hepatite E.

Segundo o Ministério da Saúde, as hepatites virais provocam cerca de 1,3 milhão de mortes por ano no mundo, em decorrência de:

  • infecção aguda;
  • cirrose;
  • câncer de fígado.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que as hepatites B e C, juntas, causam mais mortes anuais do que o HIV e um número semelhante ao da tuberculose, evidenciando a gravidade do problema de saúde pública.

Como acessar exames e tratamento pelo SUS

O tratamento varia conforme:

  • o tipo de hepatite (A, B, C, D ou E);
  • o estágio da infecção (aguda ou crônica).

Em todos os casos, consultas, exames e medicamentos são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Onde fazer a sorologia de rastreamento

  • A população em geral pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para realizar o exame de sorologia;
  • nos casos agudos, com sintomas intensos e súbitos, o atendimento deve ser buscado em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Quando necessário, o paciente é:

  • encaminhado para avaliação especializada;
  • inserido em fluxos de acompanhamento e tratamento em serviços de referência.

Prevenção: vacinas, higiene e cuidados com sexo e sangue

A prevenção das hepatites virais combina vacinação, medidas de higiene, saneamento básico e práticas seguras de sexualidade e manejo de sangue.

Vacinação

  • Hepatite A:

    • vacina eficaz prevista no Calendário Nacional de Vacinação para crianças aos 15 meses de idade.
  • Hepatite B:

    • vacina segura, eficaz e gratuita pelo SUS;
    • é fundamental completar o esquema vacinal, tanto na infância quanto na vida adulta.
  • Hepatites C, D e E:

    • não há vacina disponível;
    • no caso da hepatite D, a prevenção depende da imunização contra a hepatite B, evitando a coinfecção.

Higiene e saneamento (especialmente para hepatites A e E)

  • consumir água tratada e alimentos bem lavados ou cozidos;
  • lavar as mãos frequentemente, especialmente antes das refeições e após usar o banheiro;
  • evitar contato com esgoto;
  • manter higiene adequada da região genital, perineal e anal.

Prevenção da transmissão sexual e pelo sangue (B e C)

  • utilizar preservativo em todas as relações sexuais, incluindo sexo vaginal, anal e oral;
  • não compartilhar:
    • lâminas de barbear;
    • escovas de dente;
    • alicates de unha;
    • outros objetos perfurocortantes;
  • não compartilhar agulhas, seringas ou equipamentos para uso de drogas;
  • certificar-se de que tatuagens, piercings e procedimentos médicos, odontológicos e estéticos sejam realizados com materiais esterilizados ou descartáveis.

Ao combinar vacinação em dia, testagem preventiva e mudanças de hábitos, é possível reduzir de forma significativa o risco de contrair hepatites virais e evitar que infecções silenciosas evoluam para quadros graves.

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