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Mercado eleva previsão da inflação para 4,91% e pressão nos preços preocupa Banco Central

Guerra no Oriente Médio, alta dos combustíveis e alimentos elevam expectativas do mercado financeiro para o IPCA em 2026 Por Anderson Mirand...

Guerra no Oriente Médio, alta dos combustíveis e alimentos elevam expectativas do mercado financeiro para o IPCA em 2026

Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil

O mercado financeiro voltou a elevar a previsão da inflação oficial brasileira para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,89% para 4,91%, marcando a nona alta consecutiva nas projeções do mercado.

Brasília (DF) 10/01/2025 - Inflação oficial do país em 2024 é de 4,83%, acima do limite da meta
Percentual é o mais alto desde 2022 (5,79%)
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

© Joédson Alves/Agência Brasil

O novo percentual ultrapassa o teto da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece objetivo central de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Com isso, o limite máximo permitido é de 4,5%.

Guerra no Oriente Médio pressiona combustíveis e inflação

A escalada das tensões no Oriente Médio aparece como um dos principais fatores responsáveis pela deterioração das expectativas inflacionárias no Brasil.

O aumento internacional do preço do petróleo vem impactando diretamente os combustíveis e pressionando também os custos logísticos e os preços dos alimentos, dificultando o controle da inflação pela política monetária brasileira.

Em março, o IPCA registrou alta de 0,88%, acima do resultado de fevereiro, quando a inflação havia ficado em 0,7%. No acumulado de 12 meses, o índice oficial chegou a 4,14%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Banco Central mantém cautela com juros elevados

Para tentar conter o avanço da inflação, o Banco Central segue utilizando a taxa Selic como principal instrumento de controle monetário.

Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,5% ao ano. Na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC promoveu um novo corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo os juros pela segunda vez consecutiva.

Apesar da redução recente, a Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março de 2026, maior nível registrado em quase duas décadas.

O Banco Central reconheceu que o cenário internacional, especialmente os reflexos da guerra no Oriente Médio, aumenta os riscos para a inflação brasileira e dificulta futuras reduções dos juros.

Mercado projeta queda gradual da Selic nos próximos anos

Mesmo diante das pressões inflacionárias, o mercado financeiro ainda aposta em uma trajetória gradual de queda da Selic nos próximos anos.

Segundo o Boletim Focus:

  • a taxa básica deve encerrar 2026 em 13% ao ano;

  • cair para 11,25% em 2027;

  • atingir 10% em 2028 e 2029.

Especialistas avaliam que a velocidade dos cortes dependerá do comportamento da inflação, do cenário internacional e da estabilidade fiscal brasileira.

PIB brasileiro mantém expectativa de crescimento moderado

As projeções para o crescimento da economia brasileira permaneceram relativamente estáveis.

O mercado estima expansão de 1,85% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. Para 2027, a previsão avançou levemente de 1,75% para 1,76%.

Já para 2028 e 2029, a expectativa é de crescimento econômico de 2% ao ano.

Em 2025, o Brasil registrou crescimento de 2,3%, impulsionado principalmente pelo desempenho da agropecuária e pela expansão em diferentes setores da economia.

Dólar deve fechar ano em R$ 5,20

O Boletim Focus também manteve praticamente estável a previsão para o dólar.

A expectativa do mercado financeiro é que a moeda norte-americana encerre 2026 cotada a R$ 5,20. Para o final de 2027, a projeção é de R$ 5,30.

A oscilação cambial continua sendo acompanhada com atenção pelo mercado diante das incertezas internacionais, da política monetária dos Estados Unidos e dos efeitos das tensões geopolíticas globais.

Inflação elevada impacta consumo e crédito

Com juros altos e inflação pressionada, consumidores e empresas continuam enfrentando dificuldades no acesso ao crédito e no planejamento financeiro.

Taxas elevadas encarecem financiamentos, reduzem o consumo e desaceleram investimentos produtivos, embora sejam consideradas necessárias pelo Banco Central para conter a inflação.

O próximo encontro do Copom, responsável por definir os rumos da Selic, está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

TAGS: INFLAÇÃO, IPCA, BANCO CENTRAL, BOLETIM FOCUS, SELIC, COPOM, ECONOMIA BRASILEIRA, JUROS ALTOS, DÓLAR, PIB DO BRASIL, GUERRA NO ORIENTE MÉDIO, COMBUSTÍVEIS, ALIMENTOS, MERCADO FINANCEIRO, TAXA SELIC, RECEITA FEDERAL, CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL, IBGE, ECONOMIA 2026, JUROS NO BRASIL

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