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CPI do Crime Organizado: empresa de Marconi Perillo recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025

Valores constam em dados enviados à CPI do Crime Organizado; defesa afirma que serviços foram prestados de forma lícita, transparente e sem...

Valores constam em dados enviados à CPI do Crime Organizado; defesa afirma que serviços foram prestados de forma lícita, transparente e sem vínculo com a gestão do banco

Por Anderson Miranda - Jornalista Diretor-Presidente Jornal Tribuna do Brasil

A MV Projetos e Consultoria, empresa ligada ao ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025, segundo documentos encaminhados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada no Senado.

Empresa de Marconi Perillo recebeu R$ 14,5 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025.jpeg
Foto: Renato Santos.

Os dados constam das declarações de Imposto de Renda do banco, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, e foram compartilhados com o colegiado que investiga suspeitas de fraude ao sistema financeiro e a atuação de organizações criminosas ligadas à instituição. 

Pagamentos por consultoria

De acordo com os registros fiscais, os valores foram pagos à MV Projetos e Consultoria no contexto de contratos de prestação de serviços de consultoria. Dados obtidos pela imprensa a partir do material enviado à CPI detalham a seguinte evolução dos repasses à empresa de Perillo: 

  • Declaração de IR de 2023: R$ 1.673.511,85
  • Declaração de IR de 2024: R$ 4.538.324,15
  • Declaração de IR de 2025: R$ 8.335.876,23

A soma chega a R$ 14.547.712,23, valor arredondado nos relatos oficiais e jornalísticos para R$ 14,5 milhões.

Os documentos enviados à CPI indicam que os pagamentos estão vinculados a consultorias, mas não detalham, até o momento, quais atividades específicas foram realizadas pela empresa de Perillo no âmbito do contrato com o Banco Master. 

Versão da defesa

Em nota, a assessoria de Marconi Perillo afirma que ele está afastado de cargos públicos há mais de oito anos e que, desde então, atua exclusivamente na iniciativa privada, prestando serviços de consultoria a empresas “de forma lícita, transparente e com dignidade”.

A defesa sustenta que:

  • a contratação ocorreu com uma empresa “considerada idônea à época”;
  • não havia qualquer vínculo pessoal com os dirigentes do Banco Master;
  • Perillo não teve participação na gestão da instituição financeira;
  • o contrato com o Master foi encerrado em julho de 2025.

Segundo a própria CPI e especialistas ouvidos pela imprensa, o fato de um agente público ou ex-agente receber valores elevados de um banco ou empresa privada, por si só, não configura irregularidade. O ponto central é verificar se havia impedimentos legais, conflito de interesses ou uso da relação para influenciar decisões públicas e regulatórias, o que exige análise caso a caso. 

Até o momento, não há indicação, nos documentos divulgados, de que os pagamentos a Perillo tenham sido declarados ilegais por órgãos de controle ou pela própria CPI. Os valores foram informados à Receita Federal pelo Banco Master, com retenção de impostos na fonte, e enquadrados como remuneração por serviços de consultoria.

Outros nomes citados e contexto da CPI

Os repasses à empresa de Marconi Perillo integram uma lista mais ampla de pagamentos realizados pelo Banco Master a políticos, ex-ministros, escritórios de advocacia e consultores com atuação em Brasília e em vários estados. 

Entre os nomes mencionados, estão:

  • o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que teria recebido cerca de R$ 18,5 milhões em consultorias entre 2024 e 2025; 
  • o ex-presidente Michel Temer, cujo escritório de advocacia recebeu cerca de R$ 10 milhões em 2025; CPI do Crime Organizado recebeu 4 anos de declarações de IR do ...
  • ex-ministros, ex-autoridades do Judiciário e empresas ligadas a políticos de diferentes partidos. 

No total, as declarações do Banco Master à Receita Federal apontam repasses de R$ 7,3 bilhões a quase 3 mil pessoas físicas e jurídicas entre 2022 e 2025, incluindo pagamentos por serviços, rendimentos de aplicações financeiras e salários de funcionários. 

O relatório da CPI do Crime Organizado, conduzida no Senado, deve propor o aprofundamento das investigações sobre as transações do Banco Master por órgãos como Polícia Federal e Ministério Público. Em relação aos contratos de consultoria e honorários jurídicos, os parlamentares pretendem avaliar se houve, em algum caso, lavagem de dinheiro, tráfico de influência ou outro tipo de crime financeiro. 

Situação política de Marconi Perillo

No cenário eleitoral de Goiás, Marconi Perillo é pré-candidato ao Governo do Estado pelo PSDB. Pesquisas recentes, como a do instituto Paraná Pesquisas, o colocam em segundo lugar nas intenções de voto, atrás do atual governador Daniel Vilela (MDB), segundo levantamento citado por veículos locais. 

Com quatro mandatos como governador (1999–2002, 2003–2006, 2011–2014 e 2015–2018) e passagens pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, Perillo é um dos nomes centrais da política goiana nas últimas décadas. 

A revelação dos pagamentos do Banco Master ocorre em meio ao processo de reorganização do seu grupo político e à tentativa de retorno ao comando do Executivo estadual. Por ora, o caso segue sob análise da CPI e das autoridades de fiscalização, sem decisão final sobre eventual irregularidade ou responsabilização.

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