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DF se torna referência nacional ao detectar doença de Fabry pelo teste do pezinho ampliado

Capital é pioneira no rastreio neonatal da condição genética rara, permitindo diagnóstico precoce e tratamento gratuito pelo SUS Por Anderso...

Capital é pioneira no rastreio neonatal da condição genética rara, permitindo diagnóstico precoce e tratamento gratuito pelo SUS

Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil

O Distrito Federal assumiu protagonismo no enfrentamento à doença de Fabry ao incluir o rastreio da condição genética rara no Teste do Pezinho Ampliado da rede pública de saúde. A iniciativa, destacada neste 28 de abril, Dia Nacional de Conscientização sobre a Doença de Fabry, tem permitido identificar bebês ainda na fase neonatal, possibilitando acompanhamento precoce e tratamento ofertado pelo SUS antes que ocorram danos irreversíveis em órgãos vitais.


O que é a doença de Fabry e por que o diagnóstico precoce é crucial

A doença de Fabry é uma enfermidade genética rara e de caráter progressivo, causada pela deficiência da enzima alfa-galactosidase A. A falta dessa enzima impede o metabolismo adequado de substâncias da família dos glicosfingolipídeos, que passam a se acumular dentro das células em diferentes partes do organismo.

Esse depósito progressivo pode atingir principalmente:

  • Rins, levando à insuficiência renal e, em casos graves, à necessidade de diálise ou transplante
  • Coração, com risco de hipertrofia cardíaca, arritmias e insuficiência cardíaca
  • Sistema nervoso central, com maior probabilidade de acidente vascular cerebral (AVC) precoce

Ao identificar a doença ainda na infância, o sistema de saúde ganha tempo para monitorar o paciente, iniciar o tratamento adequado e evitar a evolução para quadros graves.

“Ao interromper novos depósitos da substância nos órgãos, o tratamento protege o paciente contra desfechos como transplante e derrame”, explica a cardiologista Sandra Marques, referência no atendimento da doença de Fabry no DF.

Teste do pezinho ampliado: DF sai na frente no rastreio neonatal

O Distrito Federal se diferencia no cenário nacional ao incluir a triagem para a doença de Fabry no Teste do Pezinho Ampliado realizado na rede pública. A coleta é feita nos primeiros dias de vida do recém-nascido, junto aos demais exames neonatais obrigatórios, o que permite um rastreio mais abrangente de doenças raras.

Graças a essa política, bebês já foram diagnosticados precocemente no DF, o que garante:

  • Início antecipado do acompanhamento multiprofissional
  • Planejamento terapêutico antes de lesões em órgãos vitais
  • Melhor qualidade de vida ao longo do desenvolvimento
  • Redução de custos futuros com internações, procedimentos de alta complexidade e reabilitação

A inclusão da doença de Fabry no painel de triagem neonatal reforça o papel do SUS no DF como provedor de cuidado integral, especialmente para doenças raras que, em muitos casos, demoram anos para serem identificadas em adultos.

Dor intensa e estigma na infância: sinais que não podem ser ignorados

Embora os danos mais graves tendam a aparecer na idade adulta, os sintomas da doença de Fabry frequentemente se manifestam ainda na infância. Entre os sinais mais comuns estão:

  • Dores intensas nas extremidades (mãos e pés), descritas por pacientes como sensação de “pisar em uma chapa quente”
  • Crises de dor que não respondem a analgésicos comuns, podendo não melhorar nem com medicamentos potentes
  • Fadiga excessiva, que compromete atividades diárias e escolares
  • Alterações gastrointestinais, como dor abdominal e episódios de diarreia

Segundo a cardiologista Sandra Marques, esses sintomas muitas vezes são minimizados no convívio familiar e social:

“Geralmente, as pessoas costumam chamar de ‘criança manhosa’. Mas, na verdade, essa criança sente muita dor, uma dor que não responde nem à morfina e só melhora com a enzima. É preciso valorizar as queixas das crianças para não causar um problema futuro para a família e a sociedade”, alerta.

O estigma e a falta de informação podem atrasar o diagnóstico por anos, aumentando o risco de sequelas. Por isso, especialistas reforçam a importância de pais, responsáveis e profissionais de saúde ficarem atentos a queixas persistentes de dor intensa e sintomas recorrentes sem explicação aparente.

SUS garante tratamento e acompanhamento no DF

Com o diagnóstico confirmado, os pacientes com doença de Fabry no Distrito Federal têm acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A terapia, que inclui reposição enzimática específica, é capaz de:

  • Reduzir a progressão da doença
  • Prevenir novos depósitos de substâncias nos órgãos
  • Diminuir o risco de insuficiência renal, AVC e complicações cardíacas
  • Melhorar a qualidade de vida e a expectativa de sobrevida

O acompanhamento é feito por equipes multiprofissionais, que podem envolver cardiologistas, nefrologistas, neurologistas, geneticistas, enfermeiros, psicólogos e outros especialistas, de acordo com a necessidade de cada paciente.

Ao combinar triagem neonatal ampliada, diagnóstico precoce e tratamento garantido pelo SUS, o DF se consolida como referência nacional na abordagem da doença de Fabry e reforça a importância de políticas públicas específicas para doenças raras.


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