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TSE suspende julgamento que pode cassar mandato do governador do Rio de Janeiro

Pedido de vista de Nunes Marques interrompe análise com 2 votos a 0 pela cassação de Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico ...

Pedido de vista de Nunes Marques interrompe análise com 2 votos a 0 pela cassação de Cláudio Castro por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022

Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil

Brasília (DF), 25/10/2023 - O governador do Rio de Jnaeiro, Cláudio Castro fala com jornalistas na saída do ministério da Defesa, após reunião com ministro, José Mucio.
Governador fala sobre crise na segurança do Rio de Janeiro
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

© Joédson Alves/Agência Brasil

O ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pediu vista e suspendeu, nesta terça-feira (10), o julgamento da ação que pode levar à cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, por suposto abuso de poder político e econômico durante a campanha de reeleição em 2022. A análise será retomada em 24 de março, com cinco votos ainda pendentes.

Placar está 2 a 0 pela cassação de Castro

Antes da interrupção, o julgamento já contabilizava 2 votos a 0 pela cassação do governador. Em novembro de 2024, a relatora do caso, ministra Maria Isabel Gallotti, abriu a votação defendendo a perda de mandato de Castro, mas o julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira.

Na sessão desta terça, Ferreira devolveu o processo, acompanhou integralmente o voto da relatora e também se manifestou pela cassação. Com isso, o placar parcial é:

  • Maria Isabel Gallotti (relatora) – voto pela cassação
  • Antônio Carlos Ferreira – voto pela cassação
  • Nunes Marques – pediu vista, o que suspendeu o julgamento

Ainda faltam os votos de outros cinco ministros, que serão proferidos na retomada do caso.

Se a maioria do TSE confirmar esse entendimento, Cláudio Castro poderá:

  • Perder o mandato de governador;
  • Ficar inelegível por oito anos;
  • Ter o estado do Rio de Janeiro submetido à realização de novas eleições.

Outros réus também podem ser condenados

Além de Castro, os votos já proferidos também atingem outros réus no processo:

  • Thiago Pampolha, ex-vice-governador;
  • Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Fundação Ceperj;
  • Rodrigo da Silva Bacellar (União Brasil), deputado estadual e ex-secretário de Governo do Rio.

Eles são acusados de participar do suposto esquema de uso da máquina pública para fins eleitorais.

Entenda o caso: Ceperj, Uerj e contratações em massa

O processo julgado pelo TSE é fruto de recurso apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e pela coligação do ex-deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que em maio de 2024 absolveu Castro e os demais acusados.

A acusação aponta supostas irregularidades em:

  • Contratações temporárias na Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj);
  • Projetos vinculados à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Segundo o MPE, o governo teria:

  • Contratado 27.665 pessoas sem amparo legal, em programas e projetos com forte capilaridade social;
  • Promovido a descentralização de projetos sociais, enviando recursos para entidades desvinculadas da administração direta;
  • Gerado gastos que somam cerca de R$ 248 milhões, com impacto eleitoral na base de apoio de Castro em 2022.

Na visão da acusação, essas medidas configuraram uso estratégico da máquina pública e de programas sociais para obter vantagem eleitoral, caracterizando abuso de poder político e econômico.

O que diz a defesa de Cláudio Castro

Antes da suspensão do julgamento, o advogado Fernando Neves, que representa o governador no processo, tentou afastar a responsabilidade direta de Castro sobre as supostas irregularidades.

Ele sustentou que:

  • O governador apenas sancionou lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj);
  • Também editou decreto regulamentando a atuação da Ceperj;
  • Eventuais desvios na execução desses programas não poderiam ser atribuídos pessoalmente a Castro.

Em síntese, a defesa argumenta que o chefe do Executivo atuou dentro de suas atribuições formais e não participou de eventual uso eleitoral das estruturas da Ceperj e da Uerj.

Próximos passos: retomada em março e impacto político

Com o pedido de vista de Nunes Marques, o julgamento foi adiado para 24 de março, quando:

  • O ministro deverá apresentar seu voto;
  • Os demais integrantes do TSE concluirão a votação, salvo novo pedido de vista;
  • Será formada a maioria que definirá o futuro político de Cláudio Castro e dos demais réus.

O caso tem grande repercussão política no Rio de Janeiro:

  • A eventual cassação do governador e do vice pode reconfigurar o comando do Palácio Guanabara;
  • A convocação de novas eleições abriria uma disputa antecipada pelo governo estadual;
  • O desfecho também pode influenciar o cenário nacional, dado o peso político e econômico do Rio.

Até a decisão final do TSE, Castro permanece no cargo, amparado pelo princípio da presunção de inocência e pela ausência de trânsito em julgado de eventual condenação.

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