Parlamentares do Maranhão e suplente de Sergipe respondem por corrupção passiva e organização criminosa em esquema de R$ 1,6 milhão; caso é ...
Parlamentares do Maranhão e suplente de Sergipe respondem por corrupção passiva e organização criminosa em esquema de R$ 1,6 milhão; caso é relatado por Cristiano Zanin
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, nesta terça-feira (10), dois deputados federais e um suplente do PL acusados de participar de um esquema de cobrança de propina para liberar emendas parlamentares. A sessão está prevista para as 9h e integra uma pauta que inclui ainda outras duas reuniões específicas para analisar o caso, uma ainda nesta tarde e outra na manhã de quarta-feira (11).
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Quem são os réus e quais crimes estão em análise
O colegiado julga uma ação penal que tem como réus:
- Josimar Maranhãozinho (PL-MA), deputado federal
- Pastor Gil (PL-MA), deputado federal
- Bosco Costa (PL-SE), suplente de deputado federal
Eles respondem pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa, segundo denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Além dos três políticos, outras cinco pessoas ligadas aos parlamentares também são rés no processo e serão julgadas pela Primeira Turma.
O caso tem como relator o ministro Cristiano Zanin. Também compõem a turma os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
Acusação: propina para liberar emendas a município maranhense
De acordo com a PGR, entre janeiro e agosto de 2020, os acusados teriam solicitado vantagem indevida de R$ 1,6 milhão para viabilizar a liberação de R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município de São José de Ribamar (MA).
O Ministério Público sustenta que o grupo atuaria de forma estruturada, configurando organização criminosa voltada ao desvio e à negociação de recursos públicos oriundos de emendas individuais. A denúncia foi recebida pelo STF, transformando os investigados em réus e abrindo caminho para o julgamento de mérito que começa agora.
Se condenados, os parlamentares podem sofrer penas de reclusão, multa e, em última instância, perda de mandato e suspensão de direitos políticos, conforme o entendimento da Corte e as previsões da legislação penal e eleitoral.
Sessões extras para análise do caso
Diante da complexidade da ação penal e do número de réus, o Supremo já programou três sessões específicas para o julgamento:
- Terça-feira (10), pela manhã – início da análise, com leitura do relatório, manifestações da PGR e das defesas;
- Terça-feira (10), à tarde – continuidade dos votos, caso não haja conclusão na primeira parte;
- Quarta-feira (11), pela manhã – sessão adicional já marcada para eventual prosseguimento, até a formação de maioria na Primeira Turma.
A dinâmica pode envolver sustentação oral das defesas, voto do relator e, em seguida, manifestações dos demais ministros, com possibilidade de pedido de vista, o que poderia adiar a conclusão.
O que dizem as defesas dos parlamentares
Ao longo da tramitação do processo, os advogados dos réus apresentaram versões distintas para tentar afastar as acusações.
Defesa de Josimar Maranhãozinho
A defesa do deputado Josimar Maranhãozinho afirmou ao STF que as acusações formuladas pela PGR são “frágeis e desfundamentadas”. Os advogados contestam a narrativa do Ministério Público e sustentam que não há provas que liguem o parlamentar à cobrança de propina ou à suposta organização criminosa.
Defesa de Bosco Costa
No caso do suplente Bosco Costa, a defesa pediu a rejeição da denúncia por falta de provas. Os advogados alegam que a acusação está baseada em:
- “Diálogos de terceiros” – conversas em que o parlamentar não teria participação direta;
- “Anotações manuscritas desconhecidas de Bosco” – documentos cuja autoria e contexto de produção seriam questionados.
Segundo a defesa, esses elementos seriam insuficientes para sustentar uma condenação criminal.
Defesa de Pastor Gil
A defesa do deputado Pastor Gil argumenta que as provas produzidas na investigação são ilegais, sob a alegação de que o caso deveria ter sido iniciado diretamente no STF, e não na Justiça Federal do Maranhão, em razão do foro por prerrogativa de função.
Os advogados também afirmam que a denúncia estaria baseada em “hipóteses e conjecturas”, sem elementos concretos que demonstrem participação do parlamentar no suposto esquema de propina.
Próximos passos e impacto político
O julgamento da Primeira Turma poderá:
- Condenar, absolver ou, eventualmente, anular a ação penal em relação a alguns ou a todos os réus;
- Fixar entendimento sobre a forma de atuação parlamentar na destinação e liberação de emendas;
- Voltar a colocar em debate o uso político e a transparência dos recursos de emendas no orçamento público.
Por se tratar de deputados federais em exercício e de um suplente, o resultado do processo pode ter reflexos na composição da Câmara e na imagem do PL, partido com forte presença nas bancadas de oposição e de centro-direita no Congresso Nacional.
Até a conclusão do julgamento, os réus permanecem no exercício de suas funções, preservada a presunção de inocência, princípio que só é afastado após condenação definitiva.

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