Reabertura do tráfego nas pistas inferiores dos viadutos 10 e 11 marca penúltima etapa de intervenção estrutural; conclusão total está previ...
Reabertura do tráfego nas pistas inferiores dos viadutos 10 e 11 marca penúltima etapa de intervenção estrutural; conclusão total está prevista para julho de 2026
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
A reforma dos viadutos 10 e 11 do Eixo Rodoviário (DF-002), na região do Buraco do Tatu, chegou à penúltima etapa com a liberação, no último domingo (31), das faixas de rolamento inferiores para o tráfego de veículos. A medida, autorizada pelo Departamento de Estradas de Rodagem do Distrito Federal (DER-DF) após conclusão desta fase da obra pela Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), já resultou em melhora perceptível na fluidez do trânsito entre o fim do Eixão Norte e o início do Eixão Sul.
Tráfego mais fluido e travessia mais segura
Segundo o DER-DF, em apenas três dias após a reabertura parcial da via, foi registrada uma melhora significativa na circulação de veículos no trecho. O presidente do órgão, Fauzi Nacfur Junior, lembrou que o prolongamento das obras se deveu às condições estruturais encontradas no interior dos viadutos.
“Sabemos que a obra nestes viadutos demandaria mais tempo do que o previsto inicialmente por causa das condições que foram encontradas por dentro deles quando iniciaram as obras, e por isso, a liberação do trânsito foi muito aguardada por quem trafega pela região diariamente. Isso é natural. Mas agora já podemos observar uma melhora significativa no trânsito ali no final do Eixão Norte para o Sul”, afirmou.
Motoristas que utilizam o trecho diariamente relatam a diferença no tempo de deslocamento. O comerciante João Carlos Zenoto, de 46 anos, reforçou a percepção. “Passo por aqui todos os dias e devo admitir que, de domingo pra cá, a nossa condição como motorista por aqui melhorou consideravelmente. Sei que não é a liberação total ainda, mas já ajudou muito”, disse.
A mudança também impactou positivamente os pedestres. Desde segunda-feira (1º), a travessia passou a ser feita por cima do viaduto 10, em ponto mais próximo às paradas de ônibus e às passarelas, oferecendo trajeto mais seguro.
A técnica em enfermagem Maria Rita Dias, 25 anos, destacou o ganho em segurança. “A gente fica mais tranquila quando sabe que não só os motoristas foram beneficiados com a liberação do trânsito, mas que pensaram em nós também. Atravessar o Eixão sempre é perigoso, então ter por onde passar com segurança deixa a gente mais tranquila, com certeza”, relatou.
Estrutura em risco exigiu intervenção profunda
As obras nos viadutos 10 e 11 começaram em junho de 2024, com orçamento inicial de R$ 13,5 milhões, e tinham como objetivo a reforma, recuperação estrutural e revitalização das estruturas. Logo nas primeiras inspeções internas, no entanto, foram identificadas anomalias graves no concreto armado, revelando um cenário muito pior do que o observado externamente.
Os laudos apontaram patologias severas e estado iminente de colapso estrutural, situação semelhante à que antecedeu a queda do viaduto sobre a Galeria dos Estados, em 2018. Diante do risco, a Novacap acionou a Defesa Civil do DF e, em conjunto com as equipes técnicas da companhia e da empresa contratada, determinou a interdição imediata dos viadutos por segurança.
“Tínhamos que agir rápido e decidir o que faríamos diante daquela situação alarmante. Há seis anos, tínhamos visto um pedaço do viaduto sobre a Galeria dos Estados cair, e não podíamos permitir que algo semelhante acontecesse mais uma vez”, recordou o diretor-presidente da Novacap, Fernando Leite.
A necessidade de praticamente refazer trechos das estruturas levou à formalização de um aditivo contratual, incluindo serviços não previstos inicialmente, ampliando o prazo de execução e elevando o valor total investido para R$ 24,3 milhões. O cronograma de conclusão foi ajustado para meados de 2026.
Transparência, controle e foco na segurança
Fernando Leite reconheceu que a ampliação de prazo e de custos gera questionamentos da população, mas ressaltou que todas as etapas foram acompanhadas e validadas por órgãos de controle.
“É fato que a população não compreende o porquê do prazo estipulado inicialmente ter sido estendido e não entende também o acréscimo no valor informado no começo da obra. Mas tudo está documentado e atestado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF), que acompanhou cada etapa e que viu, sempre in loco, a necessidade de todo o trabalho que fizemos aqui: o de, praticamente, refazer os viadutos”, explicou.
Segundo a Novacap, a atuação antecipada nesses viadutos foi estratégica para prevenir acidentes futuros, garantindo a estabilidade das estruturas antes mesmo de outras intervenções previstas na região, com foco na durabilidade do patrimônio público e na segurança de quem utiliza o Eixão diariamente.
Última etapa: acabamentos e prazo para julho de 2026
Com a liberação parcial das faixas inferiores, a obra entra na fase final. No viaduto 10, os serviços de concretagem estão praticamente concluídos, restando apenas a execução dos guarda-rodas e o acabamento, com pintura dos pilares e da laje inferior.
No viaduto 11, o estágio é semelhante, com trabalhos de acabamento em andamento nas estruturas inferiores. A previsão é que a intervenção completa – incluindo todos os detalhes finais – seja concluída até julho de 2026, quando o trecho deverá ser entregue totalmente requalificado.
Programa permanente de inspeção de viadutos
A intervenção nos viadutos 10 e 11 integra uma política mais ampla de manutenção de Obras de Artes Especiais (OAEs) no DF. Em fevereiro de 2019, o GDF instituiu um grupo técnico para vistoriar mais de 700 viadutos da capital, disseminando a cultura da manutenção preventiva.
O grupo é formado por engenheiros e técnicos do governo, representantes de entidades da sociedade civil e estudantes de universidades, e desde a queda do viaduto do Eixão, em 2018, já inspecionou 160 estruturas – incluindo todas apontadas no relatório do Tribunal de Contas do DF.
A Secretaria de Obras e Infraestrutura (SODF), a Novacap e o DER-DF seguem responsáveis pela inspeção, elaboração de projetos e execução de obras de recuperação de pontes e viadutos, dentro de seus limites operacionais e orçamentários. O objetivo é evitar novos episódios de colapso estrutural e garantir a segurança de motoristas e pedestres que circulam diariamente pelas principais vias da capital.
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