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Assistência técnica e crédito ampliam protagonismo feminino no campo do DF

Emater-DF atende quase 4 mil produtoras, estimula agroindústria familiar, diversificação de culturas e oferece cursos e oficinas voltados à ...

Emater-DF atende quase 4 mil produtoras, estimula agroindústria familiar, diversificação de culturas e oferece cursos e oficinas voltados à autonomia econômica das mulheres rurais

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

Rozelita Urany Camargo, a Rosinha, exibe sobre uma mesa guloseimas que produz na agroindústria familiar, com assistência da Emater-DF | Fotos: Divulgação/Emater-DF

A presença feminina no campo do Distrito Federal ganha cada vez mais força e apoio institucional. Das quase 22,5 mil pessoas produtoras cadastradas na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do DF (Emater-DF), 35% são mulheres. Entre cerca de 18 mil propriedades rurais registradas, 6.543 têm mulheres como proprietárias ou coproprietárias. São elas que plantam, colhem, processam alimentos e abastecem programas de compras governamentais, feiras e festivais agropecuários, movimentando a economia rural e assumindo papel central na produção de alimentos.

Esse protagonismo é reforçado por um conjunto de ações da Emater-DF que vão do apoio técnico à capacitação em gestão e empreendedorismo, passando por acesso a políticas públicas e crédito. Nos primeiros seis meses deste ano, a empresa realizou 29.929 atendimentos a 3.781 produtoras rurais, nas áreas social, ambiental e econômica.

Emater-DF: da porteira ao mercado, com foco na autonomia feminina

O presidente da Emater-DF, Cleison Duval, explica que o trabalho com as mulheres vai muito além da assistência produtiva.

“Hoje, grande parte das propriedades são gerenciadas por mulheres, e a Emater-DF atua não só na parte produtiva, ensinando a produzir na agricultura e na pecuária, mas também de forma social, prezando pelo desenvolvimento sociofamiliar, com a ampliação da nossa oferta de cursos e treinamentos, que vão desde empreendedorismo, panificação ao cuidado com a saúde”, afirma.

Segundo ele, ações como o Encontro Distrital de Mulheres Rurais, realizado a cada dois anos, são o “coroamento” desse trabalho. “É quando enfatizamos como acreditamos nessas mulheres e damos espaço para que possam construir relações e trocar experiências”, complementa.

Da cozinha à agroindústria: Rosinha transforma receitas em renda

A história da confeiteira Rozelita Urany Camargo, 54 anos, mostra na prática o impacto da assistência técnica. Filha de agricultores, ela cresceu na roça, mas encontrou sua vocação na cozinha. Hoje, na agroindústria familiar instalada na chácara da família, produz bolos, pães, tortas e biscoitos, com suporte direto da Emater-DF.

“Os meus pais nos sustentaram com tudo daqui da terra. Plantavam milho, mandioca, faziam farinha e rapadura”, lembra. Depois da morte da mãe, Rozelita, conhecida como Rosinha, se viu perdida até ser contatada pela equipe da Emater-DF. “Eu nasci aqui, e eles já tinham assistência desde aquela época. Depois que minha mãe faleceu, eu estava perdida, até que o Aécio chegou aqui, provou meus biscoitos e falou: ‘Onde é que você estava escondida?’. Foi aquela luzinha no final do túnel”, recorda.

O extensionista Aécio Prado, responsável pelo atendimento em Samambaia, destaca a linha de atuação com as produtoras. “Atuamos desde o acesso às políticas públicas até a comercialização. O objetivo é que essas mulheres tenham autonomia econômica e consigam crescer com segurança”, explica. “Temos profissionais especializados para atuar em todas as etapas da produção, desde a infraestrutura até o produto final.”

Passo a passo da agroindústria familiar

Produtora rural, Michelly tem acompanhamento no cultivo: a orientação vai desde a escolha das sementes até a comercialização dos alimentos

No caso de agroindústrias como a de Rosinha, o acompanhamento começa ainda no papel:

  • orientação para obtenção de licenças;
  • adequação às normas sanitárias;
  • elaboração de projetos e planta baixa;
  • acompanhamento da construção e regularização da unidade;
  • capacitações técnicas;
  • acesso a mercados institucionais.

“Se a pessoa não tem estrutura, a gente começa pela planta baixa, acompanha a aprovação do projeto, a construção da agroindústria e todo o processo de regularização”, detalha Aécio.

Hoje, Rosinha fornece bolos para entidades socioassistenciais por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e já foi beneficiada pelo Programa de Fomento Rural do Ministério do Desenvolvimento Social, que concede R$ 4,6 mil, em duas parcelas, a famílias rurais em situação de pobreza para projetos de inclusão produtiva. “Hoje a Emater-DF é uma família para mim, são meus anjos da guarda”, resume.

Diversificação e agrofloresta: a rotina intensa de Michelly na roça

Outra frente forte da atuação da Emater-DF é o acompanhamento direto no cultivo, estimulando o policultivo e a diversificação das atividades. “Na parte de assistência técnica, trabalhamos com o plantio, irrigação, adubação, todo o trato da cultura, mas também mostrando como participar de programas de compras institucionais. Incentivamos o policultivo, em que o produtor trabalha com mais de uma cultura para oferecer variedade e evitar nuances de mercado, ganhando mais segurança financeira”, explica Aécio Prado.

Foi esse apoio que ajudou a produtora Michelly Priscilla Campos a ampliar a produção no Núcleo Rural Boa Esperança, em Ceilândia. “Sempre plantamos hortaliças, mas há uns três anos começamos com o açaí e o café, com apoio da Emater-DF. Agora também estamos com o jiló, o maxixe e o quiabo”, conta.

A diversificação prepara o terreno para a criação de uma agrofloresta na propriedade, cuidada por ela, pela família e dois funcionários. A rotina é intensa. “Ponho a mão na massa mesmo. Já tem 15 anos que estou aqui, colhendo e plantando todos os dias. A roça é a minha paixão”, afirma. “A Emater-DF está sempre aqui com a gente, qualquer dúvida mandamos mensagem e rapidamente nos respondem.”

A produção de Michelly abastece o Programa de Aquisição de Alimentos do governo federal e a Feira do Produtor de Ceilândia. “A minha vida é a roça. Nos dias de feira, acordo às 3h da manhã, organizo as coisas, dou café da manhã para os trabalhadores e já começamos as vendas. Na segunda e na sexta, é dia de colher, enquanto na terça colocamos adubo em tudo. E assim a gente continua trabalhando e vivendo da terra”, relata.

Linha de crédito exclusiva e programas de financiamento

O fortalecimento do protagonismo feminino no campo também passa pelo acesso ao crédito. Em maio deste ano, a governadora Celina Leão sancionou uma linha de crédito específica para mulheres do campo, dentro do Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR), da Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF). A proposta é ampliar autonomia e garantir melhores condições de trabalho às produtoras.

De 2019 até maio deste ano, foram aprovados mais de R$ 67 milhões em crédito rural para 1.262 projetos elaborados pela Emater-DF, em diferentes modalidades de financiamento. Os recursos são voltados ao fortalecimento da agricultura familiar e da produção rural, beneficiando:

  • produtores individuais;
  • associações;
  • cooperativas.

Grande parte dos projetos atende agricultores que participam de programas de compras governamentais, como:

  • Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae);
  • Programa de Aquisição da Produção da Agricultura (Papa-DF).

Além do FDR, o DF conta com:

  • Prospera – programa de crédito da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Renda (Sedet-DF);
  • Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar);
  • FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste);
  • outras linhas de financiamento nacionais.

Cursos, oficinas e encontros reforçam liderança feminina no campo

Para além do crédito e da assistência produtiva, a Emater-DF mantém uma agenda de formação continuada para mulheres rurais, com:

  • cursos e oficinas de gestão, liderança e empreendedorismo;
  • capacitações em processamento de alimentos;
  • atividades de organização comunitária e cidadania.

As iniciativas ocorrem nos escritórios locais da Emater-DF e no Centro de Capacitação Tecnológica e Desenvolvimento Rural (Cepol), ampliando o acesso à informação e ao conhecimento técnico.

O Encontro Distrital de Mulheres Rurais completa esse ciclo, reunindo moradoras de várias regiões administrativas para um dia de interação, palestras, rodas de conversa e troca de experiências, reforçando redes de apoio e o papel das mulheres na economia rural do Distrito Federal.

TAGS: EMATER DF, MULHERES RURAIS, AGRICULTURA FAMILIAR, PROTAGONISMO FEMININO, AGROINDÚSTRIA FAMILIAR, ROSINHA CAMARGO, MICHELLY PRISCILLA CAMPOS, ASSISTÊNCIA TÉCNICA, CRÉDITO RURAL, FUNDO DE DESENVOLVIMENTO RURAL, FDR, CELINA LEÃO, PAA, PNAE, PAPA DF, AGRONEGÓCIO, DESENVOLVIMENTO RURAL, DISTRITO FEDERAL

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