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PF aponta que pai de Daniel Vorcaro liderava “milícia pessoal” ligada ao Banco Master

Operação Compliance Zero revela grupo acusado de monitorar, intimidar desafetos e acessar informações sigilosas com apoio de agentes público...

Operação Compliance Zero revela grupo acusado de monitorar, intimidar desafetos e acessar informações sigilosas com apoio de agentes públicos

Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil

A Polícia Federal identificou o empresário Henrique Moura Vorcaro, pai do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, como uma das figuras centrais de um grupo denominado “A Turma”, apontado pelas investigações como uma espécie de milícia privada utilizada para intimidar adversários, obter informações sigilosas e operar ações clandestinas de interesse do núcleo investigado.

Brasília (DF), 31/08/2023 - Movimentação no prédio sede da Polícia Federal, que ouve Bolsonaro e mais sete envolvidos no caso da venda de joias. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Henrique Vorcaro foi preso nesta quinta-feira (14) durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo o antigo Banco Master e agentes públicos.

PF diz que grupo atuava com monitoramento e intimidação

Segundo relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), os grupos conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos” seriam compostos por operadores encarregados de realizar ações de monitoramento, perseguição e intimidação contra pessoas consideradas desafetas de Henrique e Daniel Vorcaro.

Na decisão que autorizou a prisão, o ministro André Mendonça afirmou que Henrique Vorcaro não apenas se beneficiava das ações do grupo, mas também financiava e mantinha contato constante com seus integrantes mesmo após o avanço das investigações.

As provas foram obtidas a partir de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro e também de aparelhos ligados ao policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como operador estratégico da organização.

Polícia Federal investiga vazamento de informações sigilosas

As investigações apontam que integrantes da organização conseguiam acesso ilegal a informações confidenciais relacionadas a investigações em andamento contra o núcleo Vorcaro.

De acordo com a PF, Marilson Roseno articulava ações de intimidação e também obtinha dados sigilosos mediante pagamentos a uma delegada e a um agente da própria Polícia Federal.

O policial federal Anderson da Silva Lima, lotado na superintendência da PF no Rio de Janeiro, também foi preso preventivamente nesta quinta-feira.

Segundo os investigadores, Anderson realizava consultas internas e sondagens sobre inquéritos sigilosos de interesse do grupo investigado.

Ministro do STF determina transferência para presídio federal

Diante da gravidade das suspeitas, o ministro André Mendonça determinou a transferência de Marilson Roseno para o Sistema Penitenciário Federal.

A decisão considera que ele exerceria posição hierárquica elevada dentro da organização criminosa e teria capacidade de interferir nas investigações caso permanecesse em unidade prisional comum.

Investigação envolve hackers e ataques digitais

Outro núcleo investigado pela Polícia Federal envolve supostos ataques cibernéticos realizados por hackers contratados pela organização.

Segundo a PF, David Henrique Alves seria responsável por coordenar ações ilegais como invasões de sistemas, monitoramento digital, derrubada de perfis em redes sociais e espionagem eletrônica.

Também foram presos Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier, apontados como hackers responsáveis pela execução dos crimes digitais investigados.

PF aponta ligação com ameaças e jogo do bicho

As investigações também levaram à prisão de Manoel Mendes Rodrigues, suspeito de liderar uma ramificação da organização criminosa no Rio de Janeiro.

Segundo depoimentos obtidos pela PF, ele teria feito ameaças de morte contra funcionários de um iate em Angra dos Reis e mencionado proximidade com Henrique Vorcaro, além de afirmar envolvimento com o jogo do bicho.

Operação já bloqueou bilhões em bens

A Operação Compliance Zero já é considerada uma das maiores investigações financeiras e criminais em andamento no país.

Nas fases anteriores, a Justiça autorizou bloqueio e sequestro de bens que chegam a R$ 27,7 bilhões, além do afastamento de investigados de cargos públicos.

Ao todo, sete pessoas foram presas nesta nova etapa da operação.

Defesa critica prisão de Henrique Vorcaro

Os advogados de Henrique Vorcaro classificaram a prisão como “grave e desnecessária”, afirmando que a defesa ainda não havia sido formalmente ouvida sobre os fatos investigados.

Segundo os defensores Eugênio Pacelli e Frederico Horta, a decisão judicial teria sido baseada em elementos cuja legalidade e racionalidade econômica ainda não teriam sido devidamente esclarecidas no processo.

As investigações seguem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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