Atividade com cavalos promove interação social, bem-estar emocional e estímulo sensorial para pacientes do Cretea-DF em ambiente terapêutico...
Atividade com cavalos promove interação social, bem-estar emocional e estímulo sensorial para pacientes do Cretea-DF em ambiente terapêutico ao ar livre
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
O Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista do Distrito Federal (Cretea-DF) concluiu, na quinta-feira (30), a programação do Abril Azul com uma atividade de equoterapia no espaço Cris César, em Brasília. Crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendidas pela unidade, acompanhadas de familiares, participaram de uma manhã de socialização, estimulação sensorial e cuidado terapêutico fora do ambiente clínico tradicional.
Atividade terapêutica ao ar livre com foco no desenvolvimento
A visita ao centro de equoterapia marcou o encerramento de um mês de ações voltadas à conscientização sobre o autismo. Diferentemente de um simples passeio, a iniciativa foi planejada como extensão do trabalho terapêutico realizado no Cretea-DF, utilizando o cavalo como mediador no desenvolvimento motor, cognitivo, social e emocional das crianças.
Ao longo da atividade, os participantes puderam alimentar, acariciar e montar os animais em um circuito cuidadosamente organizado pela equipe técnica do espaço, em parceria com profissionais do Cretea-DF. Todo o percurso foi acompanhado de perto para garantir segurança e, ao mesmo tempo, estimular autonomia e interação.
Passeios que integram tratamento e vida em sociedade
A gerente do Cretea-DF, Viviane Veras, ressalta que ações externas fazem parte da proposta de atendimento do centro e são planejadas para reforçar o conteúdo trabalhado em consultório.
“Não é um passeio qualquer, ele é terapêutico. Colocamos em prática o que ensinamos para as crianças. Os treinos de habilidades sociais feitos dentro do consultório são levados para a vivência. Trazer a criança para o meio externo e para a sociedade é tão benéfico quanto permanecer no espaço clínico”, explica.
Segundo ela, essa aproximação com novos ambientes e experiências amplia repertórios e ajuda a reduzir barreiras sociais. A vivência com os cavalos, em especial, favorece o vínculo, o contato visual, a comunicação e o controle emocional, aspectos frequentemente trabalhados no atendimento de pessoas com TEA.
Emoção das famílias com a evolução das crianças
Para muitas crianças, a visita ao espaço Cris César representou o primeiro contato direto com cavalos. Viviane destaca o impacto emocional dessas experiências: “Proporcionar vivências para crianças que talvez nunca tiveram essa oportunidade é muito emocionante. Na sessão de equoterapia, teve criança que nunca tinha chegado perto de um cavalo, nunca havia montado ou alimentado o animal. É um marco na vida delas e das famílias.”
A dona de casa Gabriela Anchieta, 34 anos, acompanhou todas as atividades do Abril Azul com a filha Emanuele, de 5 anos, e relata uma mudança significativa no comportamento da criança.
“Estou radiante de felicidade. Minha filha tinha medo de animais grandes e ver, hoje, essa evolução de socialização me dá vontade de explodir de alegria”, conta, emocionada. Para ela, a convivência com outras crianças e o contato com um ambiente diferente foram fundamentais para esse avanço.
Interação ampliada e ganhos no tratamento
Durante a atividade, as crianças foram incentivadas a seguir instruções, aguardar a vez, tocar, alimentar e montar os cavalos, em um circuito pensado para estimular interação, coordenação motora e segurança emocional. A presença da família em todo o processo também reforçou o vínculo afetivo e a confiança das crianças.
Claudineia Santos, 36 anos, mãe de Heitor, de 8 anos, destaca a importância do acompanhamento prestado pelo Cretea-DF: “Achei excelente, uma experiência muito incrível. Meu filho é atendido pelo Cretea desde janeiro e começou a se desenvolver melhor, está interagindo mais. Hoje, ele montou no cavalo sem preocupações”, relata.
O administrador do espaço de equoterapia, Julio Henrique Cesar, reforça que parcerias como essa têm ampliado a visibilidade e o uso da equoterapia como complemento terapêutico no Distrito Federal. “Foi um prazer receber o pessoal do Cretea. Essa interação é muito importante para a equoterapia, que vem sendo cada vez mais difundida no DF como parte do tratamento de diversas condições”, afirma.
Abril Azul: mês de conscientização sobre o autismo
A atividade de equoterapia encerra uma série de ações realizadas pelo Cretea-DF ao longo de abril, mês dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista. A programação incluiu visitas a espaços recreativos, como o planetário, rodas de conversa, orientações às famílias e ações educativas voltadas à inclusão e ao enfrentamento do preconceito.
O Abril Azul busca chamar a atenção da sociedade para os desafios enfrentados por pessoas autistas e seus familiares, bem como para a importância do diagnóstico precoce, do acesso a terapias integradas e da construção de ambientes mais acolhedores em escolas, serviços públicos e espaços de convivência.
TEA no Distrito Federal: dados e desafios
O Transtorno do Espectro Autista é caracterizado, principalmente, por dificuldades na comunicação e na interação social, além de padrões de comportamento repetitivos e interesses restritos. Os sinais podem surgir ainda na primeira infância e variam em intensidade, demandando acompanhamento individualizado.
De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 34,5 mil pessoas vivem com TEA no Distrito Federal, o que representa aproximadamente 1,2% da população local. Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas permanentes, ampliação de serviços especializados e ações de inclusão em diferentes áreas, como educação, saúde, lazer e mercado de trabalho.
Iniciativas como as promovidas pelo Cretea-DF durante o Abril Azul, incluindo a atividade de equoterapia, evidenciam a importância de abordagens terapêuticas que ultrapassam os limites do consultório e levam a criança autista para o convívio social, fortalecendo autonomia, autoestima e participação na comunidade.
TAGS: EQUOTERAPIA, AUTISMO, TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA, ABRIL AZUL, CRETEA-DF, SAÚDE MENTAL, INCLUSÃO SOCIAL, CRIANÇAS COM TEA, TERAPIAS ASSISTIDAS POR ANIMAIS, DISTRITO FEDERAL, BRASÍLIA, SECRETARIA DE SAÚDE DO DF, FAMÍLIAS DE AUTISTAS
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