Governo destina R$ 5,7 bilhões de valores não resgatados ao fundo garantidor do Desenrola 2.0, mas correntistas continuam com direito de rec...
Governo destina R$ 5,7 bilhões de valores não resgatados ao fundo garantidor do Desenrola 2.0, mas correntistas continuam com direito de recuperar os recursos
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
Milhões de brasileiros ainda possuem dinheiro esquecido em bancos, cooperativas de crédito, consórcios e outras instituições financeiras. Mesmo após o governo federal transferir R$ 5,7 bilhões do Sistema de Valores a Receber (SVR), administrado pelo Banco Central, para reforçar o programa Desenrola Brasil 2.0, cerca de R$ 4,9 bilhões continuam disponíveis para saque por cidadãos e empresas.
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Os dados mais recentes apontam que mais de 50 milhões de brasileiros — entre pessoas físicas e jurídicas — ainda possuem recursos esquecidos no sistema financeiro nacional, resultado de contas encerradas com saldo remanescente, tarifas cobradas indevidamente, cotas de cooperativas, consórcios encerrados e outras operações financeiras que geraram créditos não resgatados.
A medida integra a estratégia do governo federal para fortalecer o Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo utilizado para garantir renegociações de dívidas e ampliar o acesso ao crédito dentro da nova fase do Desenrola Brasil.
Dinheiro continua pertencendo aos titulares
Apesar da transferência dos recursos para o fundo garantidor, o Ministério da Fazenda esclareceu que os valores não deixam de pertencer aos seus legítimos proprietários.
Segundo o governo, será publicado um edital específico regulamentando a devolução dos recursos incorporados ao Fundo de Garantia de Operações. Após a publicação, cidadãos e empresas terão prazo para solicitar a restituição dos valores que eventualmente tenham sido transferidos.
Caso não haja manifestação dentro do período previsto, os recursos passarão definitivamente a compor o patrimônio do fundo utilizado para dar suporte às operações do programa de renegociação de dívidas.
Para os valores que permanecem diretamente no Sistema de Valores a Receber, o procedimento de consulta e solicitação continua disponível normalmente.
Mais de 45 milhões de pessoas físicas têm valores a receber
Levantamento do Banco Central revela que aproximadamente 45 milhões de pessoas físicas e cerca de 5 milhões de empresas ainda possuem algum tipo de recurso esquecido no sistema financeiro.
Os valores podem variar de poucos centavos a quantias significativamente maiores, dependendo da origem dos recursos e do histórico financeiro de cada titular.
Entre as situações mais comuns estão:
Contas bancárias encerradas com saldo remanescente;
Tarifas cobradas indevidamente por instituições financeiras;
Valores não resgatados em consórcios finalizados;
Cotas de participação em cooperativas de crédito;
Recursos mantidos em corretoras de investimento;
Parcelas devolvidas de operações de crédito;
Restituições financeiras não reclamadas.
Desenrola 2.0 busca ampliar renegociação de dívidas
A utilização dos recursos no Fundo de Garantia de Operações faz parte da estratégia do governo para ampliar a capacidade de renegociação de dívidas de pessoas físicas e pequenas empresas.
Na prática, o FGO funciona como uma espécie de garantia para as instituições financeiras participantes do programa. Caso ocorra inadimplência em contratos renegociados, parte do prejuízo pode ser coberta pelo fundo, reduzindo o risco das operações e incentivando a oferta de crédito.
A expectativa é que o reforço financeiro contribua para ampliar o alcance das futuras etapas do Desenrola Brasil, considerado uma das principais iniciativas federais de combate ao endividamento da população.
Banco Central reforça alerta contra golpes
Com o aumento das consultas ao Sistema de Valores a Receber, o Banco Central também intensificou os alertas sobre tentativas de fraude.
A instituição enfatiza que a consulta é totalmente gratuita e deve ser realizada exclusivamente por meio dos canais oficiais.
O BC não envia mensagens por WhatsApp, SMS, e-mail ou redes sociais solicitando dados pessoais, senhas ou pagamentos para liberar recursos.
Qualquer abordagem nesse sentido deve ser considerada suspeita.
Como consultar e resgatar valores esquecidos
O procedimento é simples e pode ser realizado diretamente pelo portal oficial do Banco Central.
Passo a passo:
Acesse o portal oficial do Sistema de Valores a Receber:
https://valoresareceber.bcb.gov.brClique na opção “Consulte valores a receber”.
Informe CPF ou CNPJ e a data de nascimento ou abertura da empresa.
Faça login utilizando uma conta Gov.br nível prata ou ouro.
Acesse a área “Meus Valores a Receber”.
Informe uma chave Pix vinculada ao CPF para receber os recursos.
Caso não possua chave Pix, entre em contato diretamente com a instituição financeira responsável para combinar a devolução.
Resgate automático facilita devoluções futuras
Uma das novidades implementadas pelo Banco Central é a funcionalidade de resgate automático.
Com ela, novos valores eventualmente identificados em nome do cidadão poderão ser transferidos automaticamente, sem necessidade de novas solicitações.
O recurso está disponível para pessoas físicas que possuam:
Conta Gov.br com nível prata ou ouro;
Verificação em duas etapas ativada;
Chave Pix vinculada ao CPF.
Herdeiros também podem solicitar recursos
Os valores esquecidos não desaparecem em caso de falecimento do titular.
Herdeiros, inventariantes ou representantes legais podem solicitar a devolução dos recursos mediante apresentação da documentação exigida e preenchimento do termo de responsabilidade previsto pelo Banco Central.
A medida garante que recursos financeiros pertencentes a pessoas falecidas possam ser corretamente incorporados aos processos de inventário e sucessão patrimonial.
Recursos esquecidos movimentam bilhões no sistema financeiro
Criado para facilitar a devolução de valores esquecidos, o Sistema de Valores a Receber tornou-se uma das maiores iniciativas de recuperação de recursos financeiros já realizadas no país.
Mesmo após diversas rodadas de resgate, bilhões de reais continuam disponíveis aguardando solicitação por seus proprietários, reforçando a importância da consulta periódica ao sistema.
Especialistas recomendam que cidadãos e empresas realizem a verificação regularmente, principalmente após encerramento de contas bancárias, participação em consórcios ou movimentações financeiras antigas que possam ter gerado créditos pendentes.
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