Estudos apontam que maioria dos alunos tem dificuldade para manter disciplina fora da escola; cartilha pedagógica reúne orientações práticas...
Estudos apontam que maioria dos alunos tem dificuldade para manter disciplina fora da escola; cartilha pedagógica reúne orientações práticas para estudantes e famílias
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
Manter uma rotina de estudos em casa continua sendo um dos grandes desafios para estudantes brasileiros. Pesquisas recentes mostram que a falta de organização do tempo, a desmotivação e as distrações digitais estão entre os principais obstáculos para a aprendizagem fora da sala de aula – cenário que tem preocupado educadores e motivado a criação de materiais de apoio para alunos e famílias.

Pesquisas mostram dificuldade em organizar o tempo de estudo
Um levantamento do Instituto Datafolha, encomendado por organizações como a Fundação Lemann e o Itaú Social, apontou que 65% dos alunos têm dificuldade em manter uma rotina de estudos em casa.
Entre os principais fatores apontados pelos estudantes estão:
- dificuldade em organizar o tempo;
- falta de motivação para estudar sem o acompanhamento direto do professor;
- excesso de distrações digitais, como celular e redes sociais, que prejudicam a concentração e o rendimento escolar.
Outro estudo, conduzido pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), reforça esse quadro: 67% dos estudantes afirmam ter dificuldade em organizar a rotina diária de estudos.
A pesquisa ouviu mais de 5.500 estudantes, professores e responsáveis de instituições públicas e privadas e mostrou que gestão do tempo e disciplina estão entre os maiores desafios para quem precisa estudar de forma autônoma.
Distrações digitais reduzem produtividade
As distrações digitais também são apontadas como vilãs da concentração. Dados da pesquisa TIC Educação, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), indicam que o uso frequente de celulares, redes sociais e outras plataformas digitais durante o estudo tende a:
- fragmentar a atenção;
- prejudicar a retenção de conteúdo;
- reduzir a produtividade e a qualidade do aprendizado.
O cenário acende um alerta para escolas, famílias e gestores públicos, uma vez que a conectividade, embora seja ferramenta importante para o ensino, exige mediação e uso responsável para não comprometer o desempenho escolar.
“Hábito de estudo faz diferença”, diz coordenador pedagógico
Para Hugo Versiani, coordenador de segmento do Colégio Ideal, em Brasília, a chave para virar esse jogo está na criação de hábitos de estudo bem estruturados.
“A organização do tempo, a escolha do método de estudo, a revisão periódica de conteúdos e a definição de metas de aprendizagem são estratégias que ajudam os estudantes a desenvolver autonomia e melhorar o desempenho escolar”, afirma.
Segundo ele, mais do que aumentar o tempo sentado diante dos livros, é preciso qualificar esse tempo, tornando o estudo:
- mais organizado;
- mais intencional;
- e mais adequado ao estilo de aprendizagem de cada aluno.
Cartilha reúne orientações práticas para estudar em casa
Diante desse contexto, Hugo Versiani e outros especialistas desenvolveram uma cartilha pedagógica voltada para estudantes, pais e responsáveis, com orientações simples e práticas para organizar os estudos em casa.
O material reúne:
- sugestões de métodos de estudo aplicáveis ao dia a dia;
- estratégias para criação de hábitos consistentes;
- dicas para aproveitar melhor o tempo fora da sala de aula.
Entre as recomendações da cartilha estão:
- criar uma rotina de estudos com horários definidos;
- dividir as matérias em pequenas etapas de aprendizagem, evitando acumular conteúdo;
- fazer revisões periódicas dos conteúdos estudados;
- escolher um ambiente favorável (organizado, bem iluminado e com poucas distrações).
A cartilha também orienta os estudantes a estabelecer metas realistas e a organizar o tempo de maneira equilibrada entre:
- tarefas escolares;
- descanso;
- lazer.
O material completo pode ser acessado on-line, em formato digital, para consulta por estudantes e famílias.
Ambiente de estudo: luz, silêncio e menos telas
Outro ponto enfatizado na cartilha é a importância do ambiente onde o aluno estuda. As orientações incluem:
- buscar locais tranquilos e bem iluminados;
- manter o espaço organizado;
- reduzir ao máximo ruídos e interrupções;
- evitar o uso excessivo de celulares e redes sociais durante o período dedicado às atividades escolares.
A ideia é transformar o espaço de estudo em um ambiente que favoreça a concentração, evitando que o aluno precise “lutar” contra estímulos constantes enquanto tenta aprender.
Papel da família é decisivo na disciplina e na autonomia
O conteúdo da cartilha reforça ainda o papel da família no processo de aprendizagem. Mesmo quando os pais ou responsáveis não conseguem ajudar diretamente com os conteúdos, o simples ato de:
- incentivar a organização das tarefas;
- apoiar a manutenção dos horários de estudo;
- acompanhar o cumprimento das rotinas;
já contribui para fortalecer a disciplina e a autonomia dos estudantes.
A presença atenta dos responsáveis, segundo os especialistas, funciona como um “marco de apoio” para que o aluno leve a rotina de estudos mais a sério e aprenda a gerir o próprio tempo.
Na prática: estudante adapta estratégias para vencer distrações
A experiência da aluna Maria Luiza, estudante da 3ª série do Ensino Médio, ilustra os desafios e caminhos possíveis para organizar os estudos em casa.
Ela conta que conciliar tarefas escolares, redes sociais e outras atividades nem sempre é simples. “Esse começo de ano tem sido bem desafiador. Na escola, eu consigo me concentrar muito mais, mas em casa o conforto acaba atrapalhando. Depois de um dia cheio, chego cansada e minha energia já não é a mesma”, relata.
Maria Luiza também destaca a dificuldade de planejar o estudo de conteúdos mais longos. “Tenho dificuldade de organizar o que estudar, principalmente quando o conteúdo é muito extenso ou não tem uma prova próxima. Acabo adiando e, quando vejo, não consegui revisar tudo como gostaria.”
Para enfrentar o problema, ela passou a testar diferentes estratégias:
- sempre que possível, usa a sala de estudos do condomínio, onde consegue focar mais;
- quando precisa ficar em casa, muda de ambiente – estuda, por exemplo, na cozinha para não sentir sono, como costuma acontecer no quarto;
- utiliza aplicativos que bloqueiam o celular e marcam o tempo de estudo, reduzindo as distrações com notificações e redes sociais.
Ao longo do tempo, a estudante percebeu que entender o próprio estilo de aprendizagem é fundamental. Ela adapta o método de estudo conforme a disciplina:
- em humanas, prefere leituras mais aprofundadas;
- em exatas, foca em resolução de exercícios;
- em biologia, combina leitura com prática;
- em linguagens, usa flashcards para revisar conceitos e vocabulário.
Mesmo reconhecendo as dificuldades, Maria Luiza vê o processo como oportunidade de autoconhecimento. “Estudar em casa pode ser mais desafiador, mas também é uma oportunidade de descobrir o que realmente funciona para você”, conclui.
Rotina de estudos: desafio coletivo e chance de mudança
Os dados de pesquisas nacionais e os relatos de alunos mostram que a falta de organização do tempo, a desmotivação e as telas seguem como barreiras importantes para o estudo em casa. Ao mesmo tempo, iniciativas como a cartilha pedagógica e o incentivo à criação de hábitos de estudo estruturados apontam caminhos concretos para reverter esse cenário.
Com o apoio de escolas, famílias e materiais orientadores, estudantes podem aprender a:
- planejar melhor o próprio tempo;
- usar a tecnologia a seu favor;
- construir uma rotina mais estável e eficiente de estudos fora da sala de aula.
A construção dessa autonomia, defendem especialistas, é um dos pilares não apenas para melhorar notas e resultados escolares, mas para desenvolver competências que acompanham o estudante ao longo de toda a vida.
TAGS: EDUCAÇÃO, ROTINA DE ESTUDOS, GESTÃO DO TEMPO, DISTRAÇÕES DIGITAIS, TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO, ESTUDANTES, FAMÍLIAS, CARTILHA PEDAGÓGICA, COLÉGIO IDEAL, APRENDIZAGEM, AUTONOMIA, ENSINO MÉDIO, BRASIL
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