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Lago Sul registra coleta de lagartas venenosas para produção de soro antiveneno no DF

Lonomia, uma das espécies mais perigosas para humanos, é enviada ao Instituto Butantan; Secretaria de Saúde reforça pedido de apoio da popul...

Lonomia, uma das espécies mais perigosas para humanos, é enviada ao Instituto Butantan; Secretaria de Saúde reforça pedido de apoio da população na identificação do animal

Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil

A Diretoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) recolheu dezenas de lagartas da espécie Lonomia em uma residência no Lago Sul na última semana. Considerada a lagarta mais perigosa para o ser humano, o animal é utilizado como matéria-prima para a produção do soro antilonômico (SALon), antiveneno específico para acidentes causados pelo contato com suas cerdas urticantes, capazes de provocar hemorragias graves e até morte.

Morador aciona Vigilância Ambiental e lagartas seguem para o Instituto Butantan

O alerta partiu do próprio morador do Lago Sul, que identificou a presença das lagartas em uma área verde próxima à sua casa e acionou a Vigilância Ambiental. Após a confirmação da espécie e a coleta segura dos animais, o material foi acondicionado em recipiente apropriado e enviado, em poucas horas, para o Instituto Butantan, em São Paulo, referência nacional na produção de soros antiveneno.

O Brasil é o único país produtor do SALon, utilizado na rede de saúde para o tratamento de pacientes intoxicados pelo veneno da Lonomia. Manter estoques suficientes do soro exige reposição constante de lagartas, o que torna essencial a participação da população na identificação dos focos.

“Um acidente vai acontecer, então o serviço de saúde precisa ter sempre o soro antiveneno disponível. A matéria-prima é a própria lagarta. Por isso, é preciso recolher o maior número desse animal. Ao mesmo tempo em que ela é o problema, é a solução”, explica o biólogo Israel Moreira, da Vigilância Ambiental.

Como o veneno é usado para fabricar o soro

Diferentemente de serpentes, aranhas e escorpiões, que podem ser mantidos em biotérios e manejados por longos períodos para extração de toxinas, as lagartas têm ciclo de vida curto e não permanecem estáveis em cativeiro. Por esse motivo, a coleta de Lonomia na natureza precisa ser contínua.

O processo de produção do soro envolve o corte e a maceração das cerdas da lagarta, estrutura onde se concentra o veneno. A partir desse material, são produzidos os antígenos que serão usados para imunizar animais – geralmente cavalos – cujo plasma servirá de base para o soro antiveneno.

“A gente precisa do apoio da população para realizar a coleta desses animais. Essa é a única forma de produzir o soro. Por isso, cada lagarta recolhida é tão importante”, reforça Israel Moreira.

Risco de acidente: onde as lagartas ficam e como identificá-las

Os acidentes com Lonomia acontecem, em geral, por contato involuntário da pessoa com grupos de lagartas, que costumam se alojar em troncos de árvores, folhagens e vegetação densa. A coloração do animal favorece a camuflagem, o que aumenta o risco de encostar nas cerdas sem perceber.

Alguns sinais podem indicar a presença de lagartas em determinado local:

  • Folhas parcialmente comidas
  • Fezes acumuladas na base da planta ou sobre galhos
  • Grupos de lagartas aderidos ao tronco ou galhos, mimetizando a casca da árvore

Atividades corriqueiras em áreas verdes — como colher frutas em pomares, apoiar-se em troncos para descansar ou realizar manutenções em jardins e sítios — exigem atenção redobrada. A recomendação é sempre observar bem o local antes de tocar em superfícies vegetais e, sempre que possível, utilizar luvas grossas para diminuir o risco de contato direto com as cerdas.

Só o estágio de lagarta representa perigo: importância ecológica

Israel Moreira destaca que o risco para a população está concentrado no estágio larval (lagarta) de determinadas espécies de mariposas, como a Lonomia, devido à presença de cerdas urticantes e veneno. Na fase adulta, quando já se transformaram em mariposas, esses insetos não oferecem risco ao ser humano.

O biólogo também chama atenção para a importância de não eliminar indiscriminadamente todas as lagartas encontradas na natureza. Muitas espécies são inofensivas e desempenham papel fundamental no equilíbrio ecológico, seja como parte da cadeia alimentar, seja na interação com plantas e outros organismos.

“As espécies inofensivas aos seres humanos devem permanecer no meio ambiente. Elas cumprem um papel fundamental no equilíbrio ecológico”, alerta.

Apoio da população é peça-chave para manter soro disponível

A SES-DF ressalta que o apoio da população é imprescindível tanto para a prevenção de acidentes quanto para a garantia de matéria-prima na produção do soro. Em caso de suspeita de presença de Lonomia em áreas urbanas ou rurais do DF, a orientação é:

  • Não tocar no animal
  • Evitar tentar remover as lagartas por conta própria
  • Acionar a Vigilância Ambiental ou os canais oficiais da Secretaria de Saúde para orientação e, se necessário, coleta especializada

Ao comunicar rapidamente a presença de lagartas suspeitas, o cidadão contribui para o monitoramento ambiental, a redução de acidentes e o abastecimento contínuo do soro antilonômico nos serviços de saúde.

TAGS: LAGARTA LONOMIA, SORO ANTIVENENO, INSTITUTO BUTANTAN, VIGILÂNCIA AMBIENTAL, SECRETARIA DE SAÚDE DO DF, LAGO SUL, ENVENENAMENTO, SALON, ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS, DISTRITO FEDERAL, SAÚDE PÚBLICA

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