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TSE e Google lançam ferramenta do YouTube para proteger candidatos de deepfakes nas eleições de 2026

Sistema Likeness ID permitirá que candidatas e candidatos rastreiem uso de sua imagem em vídeos com IA e peçam remoção de conteúdos sintétic...

Sistema Likeness ID permitirá que candidatas e candidatos rastreiem uso de sua imagem em vídeos com IA e peçam remoção de conteúdos sintéticos irregulares

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

17/06/2026 - Tribunal Superior Eleitoral - TSE . Foto: Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Google lançaram nesta quarta-feira (26), em Brasília, uma campanha para incentivar candidatas e candidatos das eleições de 2026 a usar uma nova ferramenta do YouTube voltada à identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial (IA) que utilizem a sua imagem. O recurso, chamado Detecção por Semelhanças do YouTube (Likeness ID), está disponível para usuários maiores de 18 anos e permite localizar vídeos sintéticos, como deepfakes, que reproduzam a aparência de pessoas previamente cadastradas na plataforma.

A iniciativa integra a estratégia da Justiça Eleitoral para conter a disseminação de conteúdos manipulados por IA, proteger direitos de personalidade e reforçar a confiança no processo eleitoral em meio ao avanço das tecnologias generativas.

Ferramenta mira deepfakes e uso indevido de imagem na campanha

Com o Likeness ID, o YouTube passa a oferecer um mecanismo específico para rastrear vídeos que utilizem indevidamente a identidade visual de candidatos, seja por:

  • montagem ou alteração de imagem com IA generativa;
  • reprodução sintética de rosto e expressões;
  • uso de imagem em contexto enganoso ou difamatório.

Ao anunciar a ferramenta, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, destacou o caráter estratégico da parceria entre o Poder Público e o setor privado:

“Tenho a certeza de que a união dos setores público e privado, em prol dos valores democráticos, é uma das mais significativas expressões do texto constitucional”, afirmou.

Segundo o ministro, o uso inadequado da inteligência artificial em períodos eleitorais tem potencial de dano elevado, especialmente:

  • para a honra e a imagem dos participantes da disputa;
  • para a qualidade da informação consumida pelos eleitores;
  • para a liberdade de escolha do voto.

Com o Likeness ID, os próprios candidatos passam a ter uma ferramenta ativa de monitoramento, podendo acompanhar o uso de sua imagem no YouTube e acionar a plataforma quando identificarem conteúdos suspeitos.

Como funciona o Likeness ID no YouTube

Para acessar a ferramenta, a candidata ou o candidato precisa ter uma conta no YouTube – que pode ser pessoal ou criada especificamente para essa finalidade – e entrar no YouTube Studio, na área de detecção de conteúdo por semelhança.

O passo a passo inclui:

  1. Aceitar os termos de uso da ferramenta;
  2. Passar por um processo de verificação de identidade, que exige:
    • envio de documento oficial;
    • realização de uma selfie em foto e vídeo;
  3. A partir dessas informações, a plataforma gera um registro da aparência da pessoa, usado para comparar com vídeos publicados e identificar eventuais correspondências.

O processamento do cadastro pode levar até dois dias. Depois disso, o sistema passa a:

  • fazer varreduras contínuas no conteúdo disponível no YouTube;
  • notificar o usuário sempre que encontrar vídeos que aparentem utilizar sua imagem.

Ao receber o alerta, o candidato poderá:

  • analisar o vídeo e verificar o contexto de uso;
  • solicitar a remoção, caso entenda que há uso indevido da imagem ou conteúdo enganoso.

O pedido é então avaliado com base nas políticas de privacidade e diretrizes da comunidade do YouTube. Se for constatada violação das regras, o vídeo é retirado do ar.

Parceria TSE–Google e foco na proteção da imagem, sobretudo de mulheres

O presidente do Google Brasil e vice-presidente da Google Inc., Fábio Coelho, lembrou que a empresa mantém colaboração com a Justiça Eleitoral desde 2014 e reafirmou o compromisso de contribuir com o processo democrático por meio de:

  • gestão responsável das plataformas digitais;
  • oferta de soluções de segurança para eleições;
  • combate à desinformação e ao abuso de tecnologia.

Ele destacou que a cooperação entre instituições públicas e empresas de tecnologia é essencial para:

  • garantir um processo eleitoral mais seguro e confiável;
  • mitigar o uso de IA para difamar pessoas ou criar conteúdos enganosos.

“Nós avaliamos cada denúncia com base nas políticas de privacidade do YouTube e, em caso de qualquer violação, o conteúdo é removido. Essa proteção vale para todo mundo, mas é ainda mais essencial para as mulheres, que costumam ser as maiores vítimas de ataques à imagem durante as eleições”, afirmou Fábio Coelho.

Reforço à fiscalização, sem substituir análise humana

O ministro Kassio Nunes Marques ressaltou que a nova ferramenta não substitui a análise humana nem os mecanismos tradicionais de fiscalização da Justiça Eleitoral, mas amplia a capacidade de detectar conteúdos potencialmente prejudiciais à imagem de candidatos e candidatas.

Para o presidente do TSE, proteger a identidade no ambiente digital significa também:

  • assegurar a autenticidade do debate público;
  • reduzir o risco de manipulação da percepção de eleitores por meio de peças falsas;
  • preservar a liberdade de escolha do cidadão nas urnas.

Ele enfatizou ainda que a parceria com o Google busca antecipar riscos, em vez de reagir apenas após a circulação massiva de conteúdos enganadores.

“A Justiça Eleitoral continuará acompanhando as transformações tecnológicas, dialogando com especialistas e trabalhando em conjunto com as plataformas digitais para criar um ecossistema de informação equilibrado que permita ao eleitorado exercer com plenitude a sua cidadania”, concluiu o ministro.

Com a proximidade das eleições de 2026, a adoção de ferramentas como o Likeness ID se soma a outras iniciativas do TSE para enfrentar deepfakes, adulterações de áudio e vídeo e campanhas de desinformação, consolidando uma agenda de proteção à democracia na era da inteligência artificial.

TAGS: TSE, GOOGLE, YOUTUBE, LIKENESS ID, DEEPFAKE, INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, ELEIÇÕES 2026, JUSTIÇA ELEITORAL, DESINFORMAÇÃO, DIREITOS DIGITAIS, PROCESSO DEMOCRÁTICO, BRASIL

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