Levantamento com dados do DataSUS mostra alta de 7,7% em três anos e aponta que mais de 90% dos acidentes poderiam ser evitados com prevençã...
Levantamento com dados do DataSUS mostra alta de 7,7% em três anos e aponta que mais de 90% dos acidentes poderiam ser evitados com prevenção e supervisão
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Quedas e queimaduras foram as principais causas de internações de crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no Brasil em 2025, segundo levantamento do Projeto Criança Segura, da ONG Aldeias Infantis SOS, com base em dados do DataSUS. No período, foram registradas mais de 55 mil hospitalizações por quedas (43,4% do total nessa faixa etária) e mais de 25 mil por queimaduras (19,6%).
Ao todo, o país registrou mais de 1,6 milhão de internações por acidentes em todas as idades em 2025. Desse universo, 162 mil envolveram crianças e adolescentes até 14 anos (9,7% do total). O projeto mapeou em detalhe 128,5 mil internações infantis, o que representa 79,3% das ocorrências nessa faixa etária.
Onde as internações mais acontecem
Em média, 10,7 mil crianças e adolescentes até 14 anos foram hospitalizados a cada mês em 2025 em consequência de acidentes. Em números absolutos, os estados com maior volume de internações foram:
- São Paulo – 19.837 casos (15,4%);
- Minas Gerais – 12.183 casos (9,5%);
- Paraná – 10.708 casos (8,3%).
Na outra ponta, as menores incidências em números absolutos ocorreram em:
- Amapá – 468 internações (0,4%);
- Roraima – 543 internações (0,4%);
- Sergipe – 297 internações (0,2%).
Quando os dados são ponderados pela população, o cenário muda e revela estados com maior risco proporcional:
- Pará – 120 internações por 100 mil habitantes (maior taxa do país);
- Tocantins – 113 por 100 mil;
- Maranhão – 102 por 100 mil.
As menores taxas foram observadas em:
- Rio de Janeiro – 43 internações por 100 mil habitantes;
- Rio Grande do Norte – 39 por 100 mil;
- Sergipe – 13 por 100 mil.
Outras causas: trânsito, intoxicações, sufocações e afogamentos
Além de quedas e queimaduras, o relatório destaca outros tipos de acidentes que levam crianças ao hospital:
Acidentes de trânsito
- 12,6 mil internações (9,9% do total infantil);
- concentrados na faixa de 10 a 14 anos (50,4% dos casos);
- presença relevante também entre 5 e 9 anos (32,3%).
Intoxicações
- 4,2 mil casos (3,3%);
- 37,7% das ocorrências em crianças de 1 a 4 anos;
- 31,2% em crianças de 5 a 9 anos.
Sufocações
- 644 internações (0,5%);
- quase metade (49,1%) em crianças de 1 a 4 anos.
Afogamentos
- 261 casos (0,2%);
- 71,6% em crianças de 1 a 4 anos, faixa de maior vulnerabilidade.
Acidentes com armas de fogo
- 70 casos (0,1%), com menor incidência entre as categorias analisadas.
O relatório resume: “quedas, queimaduras, sinistros de trânsito, intoxicações, sufocações e afogamentos continuam figurando entre as principais causas de internação infantil no Brasil. Investir em ambientes seguros, educação preventiva e fortalecimento de políticas públicas significa reduzir hospitalizações, sequelas permanentes e óbitos evitáveis”.
Tendência de alta e categorias que mais cresceram
A análise do período 2023–2025 indica uma tendência de crescimento nas internações de crianças e adolescentes por acidentes:
- +2,2% em 2024 em relação a 2023;
- +5,4% em 2025 na comparação com 2024.
No triênio, o aumento consolidado foi de 9.221 hospitalizações, uma alta de 7,7% entre crianças e adolescentes até 14 anos.
As categorias com maior crescimento entre 2024 e 2025 foram:
- Intoxicações – aumento de 19,7%;
- Sufocações – crescimento de 10,8%;
- Queimaduras – alta de 7,4%.
Os acidentes com armas de fogo foram a única categoria com queda, registrando redução de 13,6% e indicando leve tendência de diminuição.
Educação, supervisão e uso de celular no centro do problema
O relatório é enfático ao apontar que mais de 90% dos acidentes com crianças e adolescentes são evitáveis com medidas simples de prevenção e supervisão adequada.
As principais recomendações incluem:
- Ambientes mais seguros em casa, na escola e em espaços públicos (proteção em janelas, escadas, piscinas, fogões, tomadas, produtos de limpeza e medicamentos);
- Campanhas educativas contínuas voltadas a pais, responsáveis, educadores e cuidadores;
- Fortalecimento de políticas públicas específicas para prevenção de acidentes infantis.
Um ponto de atenção especial é o uso de celulares por adultos responsáveis. A desatenção de pais e cuidadores, muitas vezes distraídos por telas enquanto crianças estão sob seus cuidados, é apontada como fator decisivo para o aumento recente das ocorrências.
Segundo o Projeto Criança Segura, reduzir o tempo de distração com o celular, manter vigilância ativa, especialmente sobre crianças pequenas, e adotar rotinas de segurança em casa e nas vias públicas são passos fundamentais para reverter a curva crescente de internações e evitar sequelas permanentes e mortes que poderiam ser prevenidas.
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