Realizado entre Salvador e Campo Grande, procedimento exigiu uma conexão estável e com resposta praticamente imediata para transmitir, em te...
Realizado entre Salvador e Campo Grande, procedimento exigiu uma conexão estável e com resposta praticamente imediata para transmitir, em tempo real, os comandos do robô cirúrgico.
A mais de 2,3 mil quilômetros de Campo Grande, um médico em Salvador comandou um robô para retirar um tumor maligno do rim de um paciente internado no Hospital Cassems. A cirurgia utilizou internet via satélite para transmitir os comandos entre as duas cidades, diferentemente dos dois procedimentos de longa distância realizados anteriormente no Brasil, que usaram conexão por fibra óptica.
O procedimento foi conduzido pelo urologista Nilo Jorge Leão e durou cerca de quatro horas. A conexão entre as equipes foi feita via tecnologia da Starlink e, segundo o hospital, foi a segunda vez no mundo em que esse tipo de conectividade foi empregado em uma cirurgia desse tipo. O tumor retirado tinha 6,2 centímetros, e o paciente recebeu alta em menos de 24 horas.
As primeiras experiências de telecirurgia robótica de longa distância no país utilizaram fibra óptica. Em outubro de 2025, um procedimento para tratar câncer de próstata conectou São Paulo e Porto Alegre. Em junho deste ano, a tecnologia chegou ao Sistema Único de Saúde (SUS), em uma cirurgia realizada para retirada de um tumor intestinal entre Barretos (SP) e Porto Velho (RO), a cerca de 2,6 mil quilômetros de distância.
A conexão via satélite diferencia o procedimento realizado entre Salvador e Campo Grande das experiências anteriores no país, que utilizaram fibra óptica. Embora hospitais de grande porte normalmente contem com redes de fibra óptica para esse tipo de procedimento, a tecnologia via satélite amplia as possibilidades da telecirurgia em locais onde redes terrestres de alta capacidade não estão disponíveis ou são insuficientes, além de oferecer uma alternativa de conectividade para hospitais em regiões mais remotas.
Na telecirurgia, os comandos realizados pelo médico precisam ser transmitidos ao robô com estabilidade e baixa latência. A estrutura também deve contar com uma conexão redundante, capaz de manter a comunicação em caso de falha da rede principal.
Regras da telecirurgia no Brasil
O Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamenta as telecirurgias desde 2022 por meio da resolução CFM nº 2.311/2022 e da diretriz geral da telemedicina (resolução CFM nº 2.314/2022). As regras estabelecem que o procedimento seja feito em estrutura hospitalar adequada e conte com equipes preparadas nos dois pontos envolvidos na operação.
Ao lado do paciente, deve haver um cirurgião capacitado para assumir o procedimento presencialmente em caso de emergência ou de problemas com o equipamento ou a conexão, além de profissionais como anestesistas e enfermeiros. Sobre a infraestrutura tecnológica, o CFM prevê conexão eficiente e redundante, fornecimento estável de energia elétrica e mecanismos de segurança para proteger os sistemas contra falhas, vírus e invasões.
%20JCL%202.png)
.jpg)

%20JCL%202.png)

.png)



Nenhum comentário
Obrigado por contribuir com seu comentário! Ficamos felizes por ser nosso leitor! Seja muito bem vindo! Acompanhe sempre as nossas notícias! A equipe Tribuna do Brasil agradece!