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Lucro da Caixa sobe 5,9% no 2º trimestre e atinge R$ 3,9 bilhões, mas semestre tem queda

Expansão forte do crédito imobiliário impulsiona resultado, em cenário de alta da inadimplência e maior gasto com provisões para calotes Por...

Expansão forte do crédito imobiliário impulsiona resultado, em cenário de alta da inadimplência e maior gasto com provisões para calotes

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

Fachada da Caixa Econômica Federal

© Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Caixa Econômica Federal fechou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 3,9 bilhões, alta de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025 e avanço de 12,4% frente aos três primeiros meses deste ano. O desempenho foi impulsionado principalmente pela expansão da carteira de crédito, com destaque para o financiamento imobiliário, mas veio acompanhado de aumento da inadimplência e de maiores despesas com provisões para perdas.

No acumulado do primeiro semestre, porém, o lucro recorrente somou R$ 7,4 bilhões, o que representa queda de 17,6% em 12 meses, refletindo um ambiente de crédito mais arriscado e maior pressão sobre a rentabilidade.

A margem financeira – indicador que mede o ganho do banco com operações que envolvem juros – alcançou R$ 19,7 bilhões no trimestre, alta de 20,2% na comparação anual, evidenciando crescimento robusto do negócio de crédito.

Crédito imobiliário puxa carteira e consolida liderança da Caixa

A carteira de crédito total da Caixa chegou a R$ 1,448 trilhão em junho, aumento de 11,9% em 12 meses e de 2,7% em relação ao primeiro trimestre.

O crédito imobiliário segue como carro-chefe da instituição e responde por 69,4% da carteira total. Os números mostram:

  • Saldo do crédito imobiliário: R$ 1,005 trilhão, alta de 15% em um ano;
  • Contratações de financiamento habitacional (abril a junho): R$ 137,6 bilhões, crescimento de 29,3% na comparação anual;
  • Participação de mercado no crédito habitacional: cerca de 68%, mantendo a Caixa como principal agente do segmento no país.

Outros segmentos também avançaram:

  • Crédito para pessoas físicas: R$ 156,5 bilhões (+8,7% em 12 meses);
  • Crédito para empresas: R$ 113,9 bilhões (+6,5%);
  • Carteira total: R$ 1,448 trilhão (+11,9%).

Inadimplência sobe e agronegócio vira principal foco de risco

O crescimento do crédito veio acompanhado de piora nos índices de inadimplência. O percentual de operações com atraso superior a 90 dias atingiu 3,64%, contra 2,66% no segundo trimestre de 2025.

O quadro mais crítico está no agronegócio, onde a inadimplência disparou:

  • Agronegócio: 20,74%, ante 7,02% um ano antes.

Nas demais carteiras, os índices são:

  • Pessoas físicas: 6,29%;
  • Pessoas jurídicas: 14,05%;
  • Crédito imobiliário: 1,45%;
  • Infraestrutura: 0,03%.

A carteira imobiliária, que concentra a maior parte dos empréstimos da Caixa, apresenta inadimplência bem menor que outras modalidades, ajudando a conter o risco geral do portfólio.

Provisões praticamente dobram em um ano

Diante do aumento do risco de crédito, a Caixa reforçou de forma significativa as provisões para perdas – recursos contabilmente reservados para cobrir eventuais calotes.

No segundo trimestre, a despesa com provisões chegou a R$ 6,97 bilhões, o que representa:

  • alta de 97,6% em relação ao mesmo período de 2025;
  • crescimento de 6,9% na comparação com o primeiro trimestre de 2026.

Segundo o banco, a forte concentração em financiamentos habitacionais e operações com garantias reais contribui para reduzir as perdas esperadas e dar maior estabilidade ao crédito, mesmo em um ambiente de inadimplência mais elevada.

Rentabilidade em queda, apesar do lucro maior no trimestre

Embora o lucro recorrente tenha crescido no segundo trimestre, a rentabilidade da Caixa recuou na comparação anual.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 9,16%, queda de 2,7 pontos percentuais em relação a junho de 2025, sinalizando que o banco precisou de mais capital para gerar o mesmo nível de retorno, em um cenário de:

  • provisões mais altas;
  • pressão sobre margens futuras devido ao aumento do risco.

A receita com prestação de serviços somou R$ 7,54 bilhões, alta de 12,9% em 12 meses, enquanto as despesas administrativas atingiram R$ 11,44 bilhões, avanço anual de 5,9%.

O conjunto dos números indica uma Caixa em forte expansão de crédito, especialmente no segmento habitacional, mas operando sob maior vigilância ao risco, com impacto direto na lucratividade acumulada e na rentabilidade do capital.

TAGS: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, LUCRO LÍQUIDO, RESULTADO TRIMESTRAL, CRÉDITO IMOBILIÁRIO, INADIMPLÊNCIA, PROVISÕES PARA PERDAS, SUDENE, SISTEMA FINANCEIRO, ROE, ECONOMIA BRASILEIRA 

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