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Canetas emagrecedoras: uso sem supervisão aumenta risco de perda muscular e carência de vitaminas

Endocrinologista alerta para desnutrição, queda de cabelo e sarcopenia em tratamentos sem acompanhamento nutricional e atividade física Por ...

Endocrinologista alerta para desnutrição, queda de cabelo e sarcopenia em tratamentos sem acompanhamento nutricional e atividade física

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

Brasília (DF), 04/09/2025 - A liraglutida é o princípio ativo do Saxenda, caneta emagrecedora. Foto: Cristian Camilo/Divulgação

© Cristian Camilo/Divulgação

O uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, da classe dos agonistas do receptor GLP-1, tem se mostrado eficaz no combate à obesidade, mas vem sendo associado a casos de deficiência de vitaminas e perda de massa muscular, sobretudo quando não há mudança de hábitos alimentares e de atividade física nem acompanhamento profissional adequado.

Em entrevista, o endocrinologista Marcio Mancini, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), explica que o forte impacto desses remédios sobre o apetite e o esvaziamento gástrico pode levar a uma ingestão insuficiente de proteínas e micronutrientes, abrindo caminho para desnutrição e sarcopenia (perda de massa muscular).

Como as canetas emagrecedoras podem afetar músculos e nutrientes

Segundo Mancini, os agonistas de GLP-1 reduzem drasticamente a fome e fazem o estômago esvaziar mais lentamente. O resultado é que muitos pacientes passam a comer muito menos – e, se não houver cuidado com a qualidade nutricional, a dieta fica pobre em proteínas, vitaminas e minerais.

“Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes”, ressalta.

O médico recomenda metas diárias aproximadas de proteína:

  • 1,2 g por quilo de peso corporal para adultos jovens saudáveis;
  • 1,5 g por quilo de peso corporal para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia.

Sem esse cuidado, parte relevante do peso perdido pode vir da massa magra, o que traz prejuízos à força física, à mobilidade e ao metabolismo.

Monitoramento da massa magra e função muscular

Para evitar que a perda de músculo ultrapasse níveis considerados seguros, Mancini recomenda monitorar periodicamente a composição corporal. Entre os exames e testes indicados estão:

  • bioimpedância em consultório, que estima percentual de gordura e massa magra;
  • densitometria de corpo inteiro, feita em laboratório, para análise mais detalhada;
  • testes de força de preensão manual (hand grip), que avaliam a força muscular das mãos e braços.

A meta é impedir que a perda de massa muscular ultrapasse 25% de todo o peso perdido ao longo do tratamento. Acima disso, cresce o risco de sarcopenia, especialmente problemático em idosos.

Efeitos colaterais comuns sem supervisão

Entre as queixas mais frequentes associadas ao uso das canetas emagrecedoras sem acompanhamento adequado, o especialista destaca:

  • queda e afinamento de cabelo;
  • unhas frágeis;
  • náuseas persistentes;
  • constipação intestinal;
  • excesso de gases (flatulência);
  • sensação intensa de estufamento.

Muitos desses sintomas estão ligados tanto à ação do medicamento sobre o trato digestivo quanto à dieta inadequada e à deficiência de micronutrientes, como vitaminas e minerais.

Estratégias para reduzir riscos durante o uso

Para minimizar complicações e garantir que o emagrecimento seja mais saudável, Mancini sugere algumas estratégias comportamentais e alimentares:

  • Fracionar as refeições: fazer refeições pequenas, frequentes e densas em nutrientes ao longo do dia, em vez de grandes volumes de uma só vez;
  • Priorizar proteínas no início da refeição: consumir alimentos ricos em proteína logo no começo, antes que a saciedade precoce dificulte a ingestão;
  • Evitar alimentos muito gordurosos: comidas com alta concentração de gordura tendem a agravar náuseas e desconforto gastrointestinal;
  • Aumentar fibras e líquidos: reforçar o consumo de fibras (frutas, verduras, legumes, grãos integrais) e água para ajudar a combater constipação e outros sintomas gastrointestinais.

O endocrinologista reforça que essas medidas devem ser ajustadas pelo nutricionista, de acordo com a realidade clínica e social de cada paciente.

Sinais de alerta para desnutrição e dose excessiva

Quem utiliza canetas emagrecedoras deve ficar atento a sinais que podem indicar desnutrição ou excesso de medicação. Entre os principais alertas, Mancini cita:

  • Queda na força física ou mobilidade no dia a dia, que pode indicar sarcopenia, sobretudo em idosos;
  • Alterações em exames laboratoriais, como redução de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12;
  • Restrição alimentar extrema e perda completa do prazer em comer, o que sugere que a dose pode estar alta demais para aquele paciente.

Diante de qualquer um desses sinais, a recomendação é procurar rapidamente o médico para rever dose, dieta e suplementação.

Tratamento deve ser multiprofissional

Mancini ressalta que o uso seguro desses medicamentos exige o trabalho de uma equipe multiprofissional, integrando:

  • endocrinologista, responsável pelo ajuste da medicação e avaliação clínica;
  • nutricionista, que orienta a alimentação, distribuição de proteínas e suplementação quando necessário;
  • educador físico, que prescreve exercícios voltados à preservação e ganho de massa muscular.

“É importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento”, conclui o médico.

Quando o acompanhamento faz diferença

A experiência da mentora de mulheres Amanda Vila Nova ilustra o impacto do seguimento profissional adequado. Segundo ela, o uso das canetas emagrecedoras resultou em emagrecimento eficaz e melhora na qualidade de vida, sem os efeitos colaterais mais temidos.

“Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”, relata.

O caso reforça o alerta dos especialistas: as canetas emagrecedoras podem ser ferramentas importantes no tratamento da obesidade, mas o uso por conta própria, sem exames, sem ajuste de dieta e sem exercício, aumenta muito o risco de perda muscular, carências nutricionais e outros problemas de saúde.

TAGS: CANETAS EMAGRECEDORAS, OBESIDADE, LIRAGLUTIDA, GLP-1, PERDA MUSCULAR, SARCOPENIA, DEFICIÊNCIA DE VITAMINAS, ENDOCRINOLOGIA, NUTRIÇÃO, ATIVIDADE FÍSICA, SAÚDE

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