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Merenda escolar do DF passa a oferecer filé de tilápia da agricultura familiar em projeto-piloto

Secretaria de Educação amplia consumo de alimentos naturais, fortalece produtores locais e diversifica cardápio de uma das maiores políticas...

Secretaria de Educação amplia consumo de alimentos naturais, fortalece produtores locais e diversifica cardápio de uma das maiores políticas de alimentação escolar do país

Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil

As tilápias são criadas em tanques instalados em propriedades da agricultura familiar e permanecem entre seis e dez meses até atingirem o peso ideal para o consumo | Foto: Divulgação

A alimentação escolar da rede pública do Distrito Federal começou a servir, neste ano, filé de tilápia produzido pela agricultura familiar, em um projeto-piloto que integra a política de incentivo a alimentos saudáveis e naturais nas escolas. O pescado já está no prato de estudantes atendidos pelas Coordenações Regionais de Ensino (CREs) de Sobradinho, Núcleo Bandeirante, Guará e Plano Piloto, ampliando a oferta de proteínas de qualidade e fortalecendo a produção local.

A iniciativa é conduzida pela Secretaria de Educação do DF (SEEDF), por meio da Subsecretaria de Apoio às Políticas Educacionais (Suape), e tem como meta avançar gradualmente para toda a rede pública de ensino.

“O objetivo é fortalecer a agricultura familiar, diversificar o cardápio oferecido aos estudantes e ampliar a oferta de alimentos saudáveis e de qualidade nas escolas”, afirma Camila Beiró, diretora de Alimentação Escolar da Suape.

Do tanque ao prato: como a tilápia chega às escolas

As tilápias são criadas em tanques instalados em propriedades da agricultura familiar, onde permanecem entre seis e dez meses, até atingirem o peso ideal para consumo. Após esse período:

  1. os peixes são encaminhados para um frigorífico;
  2. passam pelos processos de filetagem e embalagem;
  3. são distribuídos às unidades escolares, seguindo critérios técnicos de qualidade e segurança alimentar.

A inclusão do filé de tilápia amplia a variedade de proteínas na merenda e contribui para um cardápio mais equilibrado, com foco em nutrientes essenciais para crianças e adolescentes.

Alimentação escolar em números: escala e orçamento

A alimentação escolar da rede pública do DF está entre as maiores políticas de merenda do país. Diariamente, em média, são servidas:

  • 515.958 refeições
  • para 382.624 estudantes
  • matriculados em 694 escolas públicas.

Em 2026, o orçamento autorizado para a alimentação escolar soma, até o momento, R$ 144,6 milhões, destinados a:

  • aquisição de alimentos;
  • logística de distribuição;
  • execução do programa nas unidades de ensino.

Os cardápios contam hoje com 83 alimentos, entre:

  • frutas, verduras, legumes;
  • carnes, ovos e pescados;
  • laticínios, grãos e derivados.

Desse total, 34 itens são provenientes da agricultura familiar, o que reforça o papel do campo como fornecedor estratégico da merenda escolar.

Entre as proteínas já ofertadas estão:

  • patinho moído;
  • acém em cubos;
  • peito de frango, coxa, sobrecoxa e tulipa de frango;
  • lombo e paleta suínos;
  • ovos;
  • e, agora, tilápia.

Os cardápios também incluem:

  • queijo muçarela;
  • iogurte natural;
  • manteiga;
  • arroz e feijão;
  • leite em pó;
  • macarrão;
  • flocão de milho, entre outros.

Impacto na aprendizagem e na saúde dos estudantes

A inclusão do filé de tilápia produzido pela agricultura familiar amplia a variedade e a qualidade nutricional da merenda oferecida aos estudantes da rede pública do Distrito Federal | Foto: André Amendoeira/Ascom SEEDF

A subsecretária de Apoio às Políticas Educacionais, Lilian Borges, destaca que a inclusão de alimentos naturais na merenda tem impacto direto na saúde e no desempenho escolar.

“Uma alimentação saudável contribui para a melhora da concentração, da memória e da disposição dos estudantes, fatores que favorecem o processo de aprendizagem e o desempenho escolar. O consumo regular desses alimentos também auxilia na formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância, reduzindo o risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão, ao longo da vida”, ressalta.

Ao privilegiar alimentos in natura e minimamente processados, com origem rastreada, a SEEDF busca consolidar a merenda como instrumento de promoção da saúde, e não apenas de combate à fome.

Agricultura familiar: pilar da merenda escolar

A agricultura familiar é protagonista na política de alimentação escolar do DF. Atualmente:

  • 796 agricultores familiares fornecem frutas, verduras e legumes para as escolas;
  • 212 produtores abastecem a rede com laticínios (queijo, manteiga, iogurte);
  • 10 agricultores são responsáveis pelo fornecimento de mel.

Os alimentos chegam de propriedades situadas em:

  • Planaltina;
  • Brazlândia;
  • São Sebastião;
  • Vargem Bonita;
  • municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride).

A inclusão do filé de tilápia produzido pela agricultura familiar amplia a variedade e a qualidade nutricional da merenda, ao mesmo tempo em que gera renda e estabilidade para pequenos produtores rurais.

Como os cardápios são planejados e adaptados

Todo o planejamento dos cardápios é feito pela Diretoria de Alimentação Escolar (Diae), da Suape, vinculada à SEEDF. O trabalho envolve uma equipe de 68 nutricionistas, responsável por:

  • elaborar cardápios;
  • acompanhar a qualidade dos alimentos;
  • oferecer suporte técnico às 14 Coordenações Regionais de Ensino.

Os cardápios seguem as diretrizes da Resolução nº 4/2026 e consideram:

  • faixa etária dos estudantes;
  • necessidades nutricionais específicas;
  • sazonalidade dos alimentos;
  • hábitos alimentares da população local.

O planejamento anual é dividido em:

  • seis ciclos de distribuição, cada um com sete semanas letivas;
  • em cada ciclo, são produzidas 61 variações de cardápios;
  • o que resulta em cerca de 366 diferentes cardápios ao longo do ano.

A equipe também elabora cardápios especiais para estudantes com:

  • alergia à proteína do leite de vaca (APLV);
  • diabetes mellitus;
  • intolerância à lactose;
  • intolerância ao glúten, entre outras condições.

Nesses casos, as escolas recebem orientações técnicas específicas para aquisição de alimentos adequados à condição de saúde dos alunos.

Ao incluir a tilápia da agricultura familiar na merenda, o DF fortalece uma política que une nutrição, desenvolvimento rural, educação e saúde, consolidando a alimentação escolar como um dos principais instrumentos de promoção de qualidade de vida para crianças e adolescentes da rede pública.

TAGS: ALIMENTAÇÃO ESCOLAR, MERENDA ESCOLAR, TILÁPIA, AGRICULTURA FAMILIAR, SEEDF, SUAPE, CAMILA BEIRÓ, LILIAN BORGES, PRODUTORES RURAIS, NUTRIÇÃO ESCOLAR, DOENÇAS CRÔNICAS, CARDÁPIO ESPECIAL, DIETA PARA APLV, DIABETES, INTOLERÂNCIA À LACTOSE, DISTRITO FEDERAL

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