Secretaria de Educação amplia consumo de alimentos naturais, fortalece produtores locais e diversifica cardápio de uma das maiores políticas...
Secretaria de Educação amplia consumo de alimentos naturais, fortalece produtores locais e diversifica cardápio de uma das maiores políticas de alimentação escolar do país
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
A alimentação escolar da rede pública do Distrito Federal começou a servir, neste ano, filé de tilápia produzido pela agricultura familiar, em um projeto-piloto que integra a política de incentivo a alimentos saudáveis e naturais nas escolas. O pescado já está no prato de estudantes atendidos pelas Coordenações Regionais de Ensino (CREs) de Sobradinho, Núcleo Bandeirante, Guará e Plano Piloto, ampliando a oferta de proteínas de qualidade e fortalecendo a produção local.
A iniciativa é conduzida pela Secretaria de Educação do DF (SEEDF), por meio da Subsecretaria de Apoio às Políticas Educacionais (Suape), e tem como meta avançar gradualmente para toda a rede pública de ensino.
“O objetivo é fortalecer a agricultura familiar, diversificar o cardápio oferecido aos estudantes e ampliar a oferta de alimentos saudáveis e de qualidade nas escolas”, afirma Camila Beiró, diretora de Alimentação Escolar da Suape.
Do tanque ao prato: como a tilápia chega às escolas
As tilápias são criadas em tanques instalados em propriedades da agricultura familiar, onde permanecem entre seis e dez meses, até atingirem o peso ideal para consumo. Após esse período:
- os peixes são encaminhados para um frigorífico;
- passam pelos processos de filetagem e embalagem;
- são distribuídos às unidades escolares, seguindo critérios técnicos de qualidade e segurança alimentar.
A inclusão do filé de tilápia amplia a variedade de proteínas na merenda e contribui para um cardápio mais equilibrado, com foco em nutrientes essenciais para crianças e adolescentes.
Alimentação escolar em números: escala e orçamento
A alimentação escolar da rede pública do DF está entre as maiores políticas de merenda do país. Diariamente, em média, são servidas:
- 515.958 refeições
- para 382.624 estudantes
- matriculados em 694 escolas públicas.
Em 2026, o orçamento autorizado para a alimentação escolar soma, até o momento, R$ 144,6 milhões, destinados a:
- aquisição de alimentos;
- logística de distribuição;
- execução do programa nas unidades de ensino.
Os cardápios contam hoje com 83 alimentos, entre:
- frutas, verduras, legumes;
- carnes, ovos e pescados;
- laticínios, grãos e derivados.
Desse total, 34 itens são provenientes da agricultura familiar, o que reforça o papel do campo como fornecedor estratégico da merenda escolar.
Entre as proteínas já ofertadas estão:
- patinho moído;
- acém em cubos;
- peito de frango, coxa, sobrecoxa e tulipa de frango;
- lombo e paleta suínos;
- ovos;
- e, agora, tilápia.
Os cardápios também incluem:
- queijo muçarela;
- iogurte natural;
- manteiga;
- arroz e feijão;
- leite em pó;
- macarrão;
- flocão de milho, entre outros.
Impacto na aprendizagem e na saúde dos estudantes
A subsecretária de Apoio às Políticas Educacionais, Lilian Borges, destaca que a inclusão de alimentos naturais na merenda tem impacto direto na saúde e no desempenho escolar.
“Uma alimentação saudável contribui para a melhora da concentração, da memória e da disposição dos estudantes, fatores que favorecem o processo de aprendizagem e o desempenho escolar. O consumo regular desses alimentos também auxilia na formação de hábitos alimentares saudáveis desde a infância, reduzindo o risco de doenças crônicas, como obesidade, diabetes e hipertensão, ao longo da vida”, ressalta.
Ao privilegiar alimentos in natura e minimamente processados, com origem rastreada, a SEEDF busca consolidar a merenda como instrumento de promoção da saúde, e não apenas de combate à fome.
Agricultura familiar: pilar da merenda escolar
A agricultura familiar é protagonista na política de alimentação escolar do DF. Atualmente:
- 796 agricultores familiares fornecem frutas, verduras e legumes para as escolas;
- 212 produtores abastecem a rede com laticínios (queijo, manteiga, iogurte);
- 10 agricultores são responsáveis pelo fornecimento de mel.
Os alimentos chegam de propriedades situadas em:
- Planaltina;
- Brazlândia;
- São Sebastião;
- Vargem Bonita;
- municípios da Região Integrada de Desenvolvimento do DF e Entorno (Ride).
A inclusão do filé de tilápia produzido pela agricultura familiar amplia a variedade e a qualidade nutricional da merenda, ao mesmo tempo em que gera renda e estabilidade para pequenos produtores rurais.
Como os cardápios são planejados e adaptados
Todo o planejamento dos cardápios é feito pela Diretoria de Alimentação Escolar (Diae), da Suape, vinculada à SEEDF. O trabalho envolve uma equipe de 68 nutricionistas, responsável por:
- elaborar cardápios;
- acompanhar a qualidade dos alimentos;
- oferecer suporte técnico às 14 Coordenações Regionais de Ensino.
Os cardápios seguem as diretrizes da Resolução nº 4/2026 e consideram:
- faixa etária dos estudantes;
- necessidades nutricionais específicas;
- sazonalidade dos alimentos;
- hábitos alimentares da população local.
O planejamento anual é dividido em:
- seis ciclos de distribuição, cada um com sete semanas letivas;
- em cada ciclo, são produzidas 61 variações de cardápios;
- o que resulta em cerca de 366 diferentes cardápios ao longo do ano.
A equipe também elabora cardápios especiais para estudantes com:
- alergia à proteína do leite de vaca (APLV);
- diabetes mellitus;
- intolerância à lactose;
- intolerância ao glúten, entre outras condições.
Nesses casos, as escolas recebem orientações técnicas específicas para aquisição de alimentos adequados à condição de saúde dos alunos.
Ao incluir a tilápia da agricultura familiar na merenda, o DF fortalece uma política que une nutrição, desenvolvimento rural, educação e saúde, consolidando a alimentação escolar como um dos principais instrumentos de promoção de qualidade de vida para crianças e adolescentes da rede pública.
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