Crise no Estreito de Ormuz pressiona oferta global, enquanto pré-sal brasileiro atinge marca histórica de 5,53 milhões de barris diários de ...
Crise no Estreito de Ormuz pressiona oferta global, enquanto pré-sal brasileiro atinge marca histórica de 5,53 milhões de barris diários de óleo equivalente
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
Em um cenário de forte tensão no mercado internacional de energia, provocado pela guerra no Irã e pelas dificuldades logísticas no Estreito de Ormuz, o Brasil registrou em março um recorde histórico de produção de petróleo e gás natural. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (4) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país produziu 5,531 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), superando o recorde anterior, de fevereiro, quando haviam sido registrados 5,304 milhões de boe/d.

A marca foi alcançada justamente no primeiro mês completo após a intensificação do conflito, desencadeado por ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que levaram Teerã a retaliar com bloqueios parciais ao tráfego de navios petroleiros em uma das principais rotas do planeta.
O que é boe e por que esse número importa
A unidade boe (barril de óleo equivalente) é usada para padronizar a soma da produção de petróleo e gás natural, convertendo o volume de gás em um valor energético equivalente ao do petróleo bruto. Dessa forma, é possível medir, em um único indicador, tudo o que o país produz em hidrocarbonetos.
A elevação da produção brasileira ocorre em meio a uma oferta global pressionada pela guerra e reforça o peso do Brasil como produtor relevante no mercado internacional, especialmente por conta do desempenho do pré-sal.
Produção separada: petróleo e gás em alta de dois dígitos em um ano
Em março:
- A produção de petróleo foi de 4,247 milhões de barris por dia, alta de 4,6% em relação a fevereiro e de 17,3% na comparação com março de 2025
- A produção de gás natural atingiu 204,11 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), expansão de 3,3% sobre o mês anterior e de 23,3% frente a março do ano passado
Os números mostram que, mesmo em um cenário de incerteza externa, a indústria brasileira de óleo e gás avança em capacidade de produção, sustentada principalmente pelos campos do pré-sal na Bacia de Santos.
Pré-sal responde por quase 80% da produção nacional
O boletim da ANP mostra que, em março, a produção combinada de óleo cru e gás natural no pré-sal somou 4,421 milhões de boe/d, também um recorde. O volume representa um crescimento de:
- 3,6% em relação a fevereiro
- 19% na comparação com março de 2025
O pré-sal já responde por 79,9% de toda a produção nacional, consolidando-se como o principal polo energético do país. Esses campos, localizados a cerca de 2 mil metros de profundidade da lâmina d’água, exigem alta tecnologia e grandes investimentos, mas se tornaram o coração da expansão da Petrobras e de seus parceiros.
Búzios e Mero lideram produção; Petrobras domina 88% do volume
Na lista dos campos produtores, o destaque em março foi:
- Campo de Búzios (Bacia de Santos) – líder na produção de petróleo, com 886,43 mil barris por dia
- Campo de Mero (pré-sal de Santos) – campeão na produção de gás natural, com 42,06 milhões de m³/d
Os campos operados pela Petrobras, sozinha ou em consórcio com outras empresas, foram responsáveis por 88,23% de tudo o que foi produzido no país no mês, evidenciando o peso da estatal na cadeia produtiva.
A plataforma FPSO Almirante Tamandaré, instalada em Búzios, foi a unidade marítima que mais contribuiu para o resultado:
- 186 mil barris de petróleo por dia extraídos dessa estrutura, uma das mais modernas da frota da Petrobras.
P-79 antecipa operação e reforça produção a partir de maio
A tendência é que a produção siga em alta. Na última sexta-feira (1º), a Petrobras informou o início da operação da plataforma P-79, também ancorada em Búzios, com três meses de antecedência em relação ao cronograma inicial.
A unidade tem capacidade para:
- Produzir até 180 mil barris de óleo por dia
- Comprimir 7,2 milhões de m³ de gás diariamente
Esse reforço deve consolidar novos patamares de produção de óleo cru e gás natural nos próximos meses, contribuindo para reduzir a dependência do país em relação a importações de derivados e ampliando a oferta interna.
Choque do petróleo: guerra no Irã pressiona preços e logística global
O avanço da produção brasileira ocorre em um contexto de “choque do petróleo” provocado pela guerra no Oriente Médio. Após o início do conflito, o Irã passou a impor restrições ao tráfego de navios no Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica que liga os golfos Pérsico e de Omã, por onde circulavam, antes da guerra, cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
Com interrupções e riscos à navegação na região:
- Parte do transporte de óleo foi paralisada ou redirecionada, elevando custos logísticos
- A oferta global efetiva encolheu, mesmo sem queda proporcional na produção física
- O preço do barril de Brent, referência internacional, saltou em dois meses de cerca de US$ 70 para US$ 114
Como o petróleo é uma commodity negociada em mercados globais, a escassez e a incerteza empurram para cima os preços do óleo e dos derivados em todo o mundo, inclusive em países produtores como o Brasil.
Governo tenta conter impacto dos derivados no mercado interno
Diante da escalada internacional, o governo brasileiro passou a adotar medidas para atenuar o impacto dos preços dos combustíveis no mercado doméstico. Entre as ações mencionadas estão:
- Isenção de impostos ou redução de tributos sobre alguns derivados
- Subsídios pontuais a produtores e importadores, para aliviar o custo final ao consumidor
Ao mesmo tempo, a Petrobras e o setor de óleo e gás buscam elevar a produção interna, na tentativa de diminuir a exposição do Brasil às turbulências externas, embora os preços internos continuem influenciados pelas cotações globais.
Com o recorde de março e a entrada em operação de novas plataformas, o país reforça sua posição como grande produtor de petróleo e gás, mas segue desafiado a transformar essa vantagem em segurança energética, estabilidade de preços e equilíbrio ambiental na transição para uma matriz mais limpa.
TAGS: PETRÓLEO, GÁS NATURAL, PRODUÇÃO RECORDe, PRÉ-SAL, ANP, PETROBRAS, BÚZIOS, MERO, PLATAFORMA P-79, ALMIRANTE TAMANDARÉ, ESTREITO DE ORMuz, IRÃ, GUERRA NO ORIENTE MÉDIO, PREÇO DO BRENT, COMMODITIES, ENERGIA, MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA, MERCADO INTERNACIONAL, ECONOMIA BRASILEIRA
%20JCL%202.png)
.jpg)

%20JCL%202.png)

.png)



Nenhum comentário
Obrigado por contribuir com seu comentário! Ficamos felizes por ser nosso leitor! Seja muito bem vindo! Acompanhe sempre as nossas notícias! A equipe Tribuna do Brasil agradece!