Moeda norte-americana registra queda diante da redução das tensões geopolíticas e de indicadores econômicos favoráveis nos Estados Unidos; I...
Moeda norte-americana registra queda diante da redução das tensões geopolíticas e de indicadores econômicos favoráveis nos Estados Unidos; Ibovespa encerra sessão em baixa
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
O mercado financeiro encerrou a quinta-feira com movimentos distintos entre câmbio e renda variável. Enquanto o dólar registrou forte queda frente ao real, fechando abaixo da marca de R$ 5,05, a Bolsa de Valores brasileira terminou o pregão em baixa, refletindo cautela dos investidores com o cenário doméstico e o desempenho de grandes companhias do índice.
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A redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a divulgação de indicadores de inflação mais favoráveis nos Estados Unidos contribuíram para fortalecer moedas de países emergentes e reduzir a procura global por ativos considerados mais seguros, como o dólar.
Dólar fecha em queda e amplia perdas no ano
A moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 5,032, com recuo de 0,57%, após iniciar as negociações próxima de R$ 5,07.
Ao longo da tarde, o dólar chegou a atingir a mínima de R$ 5,02, acompanhando o movimento observado nos mercados internacionais.
Apesar da valorização recente da moeda norte-americana ao longo de maio, quando acumula alta de 1,60%, o desempenho em 2026 continua negativo. No acumulado do ano, a divisa registra queda superior a 8%, refletindo a entrada de recursos estrangeiros e a melhora da percepção de risco sobre economias emergentes.
Analistas apontam que o real foi uma das moedas mais beneficiadas pelo novo cenário internacional, superando inclusive o desempenho de outras moedas latino-americanas.
Entendimento entre Estados Unidos e Irã reduz pressão global
O principal fator por trás da queda do dólar foi a sinalização de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
Informações divulgadas pelo mercado apontam para um entendimento preliminar que pode ampliar o cessar-fogo na região e abrir espaço para novas rodadas de diálogo sobre o programa nuclear iraniano.
A perspectiva de redução dos conflitos diminuiu a aversão ao risco e reduziu a busca por proteção em ativos tradicionalmente considerados refúgios financeiros.
Esse movimento costuma favorecer países emergentes, como o Brasil, que passam a atrair maior fluxo de capital estrangeiro em busca de rentabilidade.
Inflação americana reforça expectativa de juros menores
Outro elemento importante para o comportamento do câmbio foi a divulgação do índice PCE (Personal Consumption Expenditures), considerado o principal indicador de inflação monitorado pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos.
Os números vieram ligeiramente abaixo das projeções do mercado, fortalecendo a percepção de que a inflação americana segue em trajetória de desaceleração.
Com isso, aumentam as expectativas de que o Fed possa adotar uma postura menos restritiva em relação às taxas de juros nos próximos meses.
Quando o mercado projeta juros mais baixos nos Estados Unidos, ativos de países emergentes tendem a se tornar mais atrativos, favorecendo moedas como o real.
Bolsa brasileira encerra o dia em baixa
Enquanto o câmbio reagiu positivamente ao cenário internacional, a Bolsa de Valores brasileira não acompanhou o otimismo registrado em Wall Street.
O Ibovespa fechou aos 175.063 pontos, com recuo de 0,39%.
O principal índice da B3 foi pressionado pelo desempenho negativo de ações ligadas ao setor de petróleo e pela cautela dos investidores em relação à política monetária brasileira.
Mesmo diante de sinais de desaceleração da atividade econômica, o mercado continua monitorando os indicadores de inflação para avaliar os próximos passos do Banco Central em relação à taxa Selic.
Petrobras influencia desempenho do índice
As ações da Petrobras tiveram papel decisivo na queda do Ibovespa.
Os papéis preferenciais da estatal encerraram o dia com recuo de 0,72%, enquanto as ações ordinárias registraram queda de 1,16%.
O movimento ocorreu em meio à volatilidade dos preços internacionais do petróleo e apesar do anúncio recente de reajuste dos combustíveis nas refinarias.
Como a Petrobras possui um dos maiores pesos na composição do índice brasileiro, oscilações em seus papéis costumam impactar diretamente o desempenho geral da Bolsa.
Petróleo fecha em alta moderada após forte volatilidade
No mercado internacional, o petróleo registrou mais um dia de oscilações intensas.
O barril do tipo Brent, referência para os preços praticados pela Petrobras, encerrou o pregão cotado a US$ 92,70, com alta de 0,49%.
Já o WTI, referência do mercado norte-americano, avançou 0,25%, fechando a US$ 88,90 por barril.
Durante o dia, a possibilidade de avanços diplomáticos envolvendo o Irã chegou a pressionar as cotações para baixo, principalmente diante da expectativa de normalização do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do planeta.
No entanto, relatos de novos episódios de instabilidade na região mantiveram os investidores cautelosos, contribuindo para que os contratos encerrassem o dia em território positivo.
Mercado segue atento aos próximos movimentos
Especialistas avaliam que os próximos dias continuarão sendo marcados pela influência de fatores internacionais sobre os ativos brasileiros.
As negociações envolvendo o Oriente Médio, a trajetória da inflação nos Estados Unidos e as decisões futuras do Federal Reserve devem continuar exercendo forte impacto sobre o comportamento do dólar, dos juros e das bolsas globais.
No Brasil, o foco permanece voltado para os indicadores econômicos domésticos e para as expectativas em relação ao ciclo de juros do Banco Central, fatores que deverão orientar o humor dos investidores nas próximas semanas.
TAGS: DÓLAR, CÂMBIO, IBOVESPA, BOLSA DE VALORES, MERCADO FINANCEIRO, ECONOMIA, ESTADOS UNIDOS, FEDERAL RESERVE, FED, INFLAÇÃO AMERICANA, PCE, PETRÓLEO BRENT, PETROBRAS, REAL, JUROS, SELIC, ORIENTE MÉDIO, IRÃ, INVESTIMENTOS, ECONOMIA GLOBAL.
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