Oceanógrafa Letícia Carvalho comanda negociações internacionais sobre exploração sustentável do fundo do mar e reforça protagonismo do Brasi...
Oceanógrafa Letícia Carvalho comanda negociações internacionais sobre exploração sustentável do fundo do mar e reforça protagonismo do Brasil na governança oceânica
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
A oceanógrafa brasileira Letícia Carvalho está à frente de uma das discussões mais estratégicas da atualidade envolvendo recursos naturais, meio ambiente e economia global. Desde 2025, ela ocupa o cargo de secretária-geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA), organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU) responsável pela gestão dos recursos minerais localizados em áreas oceânicas fora das jurisdições nacionais.
![]()
Com sede em Kingston, na Jamaica, a ISA coordena a regulamentação de uma área que corresponde a cerca de 54% dos oceanos do planeta. Sob liderança brasileira, o órgão avança agora na fase final da elaboração do Código de Mineração do Fundo do Mar — conjunto de regras internacionais que irá definir como poderá ocorrer a exploração mineral em águas profundas de forma sustentável.
Código internacional deve regulamentar mineração em alto-mar
Após mais de uma década de negociações multilaterais, os 171 países-membros da ISA, além da União Europeia, deverão concluir ainda este ano o documento considerado fundamental para a governança global dos oceanos.
Segundo Letícia Carvalho, a regulamentação marca a transição de uma fase voltada à pesquisa científica para uma nova etapa de exploração comercial dos recursos minerais presentes no fundo oceânico.
“Passaremos de uma etapa crucial de pesquisa e geração de conhecimento para uma etapa de explotação e uso comercial”, afirmou a brasileira durante entrevista concedida no Brasil.
Os minerais encontrados nas profundezas marítimas são considerados estratégicos para setores ligados à transição energética, tecnologia, defesa e produção industrial de alta complexidade.
ONU busca equilíbrio entre exploração econômica e proteção ambiental
A proposta do novo código internacional prevê rígidas exigências ambientais para empresas e governos interessados em explorar comercialmente o fundo do mar.
De acordo com Letícia Carvalho, a mineração oceânica só poderá ocorrer mediante mecanismos robustos de proteção ambiental, mitigação de impactos e prevenção de danos irreversíveis aos ecossistemas marinhos.
“As atividades minerais precisam acontecer de forma a não gerar danos descontrolados ou irreversíveis a esses ambientes sensíveis”, destacou.
A ISA também atua na mediação de interesses envolvendo biodiversidade, pesca, cabos submarinos de comunicação, navegação internacional e exploração mineral.
Fundo do mar concentra minerais estratégicos para economia global
As áreas oceânicas administradas pela ISA concentram recursos considerados essenciais para o futuro da economia mundial. Além da biodiversidade marinha, o fundo oceânico abriga minerais críticos utilizados em baterias, tecnologias limpas, sistemas de armazenamento de energia e equipamentos eletrônicos.
A exploração dessas riquezas ganhou importância estratégica diante da corrida global por minerais necessários à transição energética e à indústria tecnológica.
Segundo especialistas, países sem reservas minerais em seus territórios enxergam o fundo do mar como alternativa para garantir segurança econômica e energética nas próximas décadas.
ISA cria maior banco mundial de dados sobre oceanos
Outro destaque da gestão brasileira na ISA é a criação de um amplo sistema internacional de dados sobre os oceanos profundos. A iniciativa reúne informações sedimentares e biológicas coletadas durante pesquisas autorizadas pela entidade.
O projeto inclui a criação de um biobanco internacional desenvolvido em parceria com o governo da Coreia do Sul. O objetivo é preservar amostras biológicas e sedimentares por pelo menos 15 anos, permitindo estudos científicos e monitoramento ambiental contínuo.
As estruturas serão financiadas pelos próprios investidores e empresas interessadas na mineração, sem utilização de recursos públicos internacionais.
Brasileira é primeira mulher a comandar órgão da ONU
Além do protagonismo técnico e ambiental, a eleição de Letícia Carvalho representa um marco histórico para o Brasil e para a participação feminina em organismos multilaterais.
Ela se tornou a primeira mulher, primeira cientista e primeira latino-americana a ocupar o cargo máximo da governança internacional dos oceanos.
A oceanógrafa destacou que pretende ampliar programas voltados à inclusão feminina na governança oceânica, setor historicamente dominado por homens.
“Quero ser exemplo para outras mulheres jovens que possam sonhar em ocupar espaços como esse”, afirmou.
Governança oceânica entra no centro das discussões globais
A conclusão do Código de Mineração em Águas Profundas é considerada um dos temas mais relevantes da agenda ambiental e econômica internacional dos próximos anos.
Especialistas avaliam que a regulamentação poderá definir os limites entre exploração econômica e preservação ambiental em uma das últimas fronteiras naturais ainda pouco exploradas pela humanidade.
Ao assumir posição de liderança nesse debate global, o Brasil amplia sua influência nas discussões internacionais sobre sustentabilidade, biodiversidade e uso estratégico dos recursos naturais marinhos.
TAGS: LETÍCIA CARVALHO, ONU, ISA, MINERAÇÃO EM ALTO-MAR, FUNDO DO MAR, GOVERNANÇA OCEÂNICA, OCEANOS, MINERAIS CRÍTICOS, TRANSIÇÃO ENERGÉTICA, BIODIVERSIDADE MARINHA, AUTORIDADE INTERNACIONAL DOS FUNDOS MARINHOS, BRASIL NA ONU, MINERAÇÃO SUSTENTÁVEL, MEIO AMBIENTE, OCEANOGRAFIA, ALTO-MAR, RECURSOS MINERAIS, SUSTENTABILIDADE, GOVERNANÇA GLOBAL, MULHERES NA CIÊNCIA
%20JCL%202.png)
.jpg)

%20JCL%202.png)

.png)



Nenhum comentário
Obrigado por contribuir com seu comentário! Ficamos felizes por ser nosso leitor! Seja muito bem vindo! Acompanhe sempre as nossas notícias! A equipe Tribuna do Brasil agradece!