Unidades administradas pelo IgesDF atenderam mais de 600 pacientes com alterações agudas da glicemia entre janeiro e maio; especialistas ori...
Unidades administradas pelo IgesDF atenderam mais de 600 pacientes com alterações agudas da glicemia entre janeiro e maio; especialistas orientam quando procurar ajuda
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Às vésperas do Dia Nacional do Diabetes, celebrado nesta sexta-feira (26), profissionais da rede pública de saúde do Distrito Federal reforçam um alerta: reconhecer rapidamente os sinais de descompensação do diabetes e procurar atendimento imediato pode evitar complicações graves e até salvar vidas. Entre janeiro e maio deste ano, as 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) administradas pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (IgesDF) atenderam 604 pacientes com diabetes e complicações relacionadas à doença.
As UPAs têm papel central no atendimento de urgência em casos de alterações agudas da glicemia, como hipoglicemia (queda brusca de açúcar no sangue), hiperglicemia (aumento acentuado da glicose) e cetoacidose diabética, uma das complicações mais graves, que exige intervenção imediata. Nessas situações, a assistência rápida é fundamental para estabilizar o quadro e, quando necessário, encaminhar o paciente para unidades de maior complexidade.
Quando procurar uma UPA? Sinais de alerta para quadros agudos
Segundo o gerente da UPA de Vicente Pires, Jackson Teixeira, os casos mais frequentes ligados ao diabetes estão relacionados às alterações agudas da glicemia. Os pacientes geralmente chegam à unidade após sentirem:
- fraqueza intensa;
- tonturas;
- náuseas e vômitos;
- sonolência excessiva;
- mal-estar generalizado.
“Quanto mais cedo ocorre a assistência, maiores são as chances de estabilização clínica e recuperação do paciente”, ressalta.
Em situações como essas, a orientação dos especialistas é procurar imediatamente uma UPA ou serviço de urgência, especialmente se:
- os sintomas surgirem de forma súbita;
- houver dificuldade para permanecer acordado;
- aparecer respiração acelerada, sede intensa ou dor abdominal (sinais compatíveis com cetoacidose).
Foi esse cenário que levou o paciente Jorge Chaves, 46 anos, à UPA de Vicente Pires. Ele apresentou um quadro de cetoacidose diabética, complicação que ocorre quando o organismo passa a produzir corpos cetônicos em excesso, geralmente por falta de insulina.
“Sou uma pessoa com diabetes e precisei buscar ajuda na UPA de Vicente Pires por causa de uma emergência causada pela doença. Fui atendido rapidamente por profissionais preparados, que logo iniciaram o tratamento. Em momentos como esse, procurar uma UPA faz diferença”, conta Jorge.
Rede articulada: estabilização na UPA e continuidade do cuidado
As UPAs integram uma rede de cuidado organizada de forma articulada. Após avaliação e tratamento inicial:
- o paciente pode receber alta com orientações para ajuste do tratamento e retorno à unidade básica de saúde (UBS);
- ou, em casos mais graves, ser encaminhado a hospitais para internação ou exames complementares.
“As unidades têm papel estratégico porque garantem a estabilização dos quadros agudos e contribuem para a continuidade do cuidado dentro da rede pública de saúde”, explica Jackson Teixeira.
Profissionais que vivem o diabetes e acolhem quem chega em crise
A nutricionista da UPA de Vicente Pires, Bruna Pires, conhece o diabetes na prática – como profissional de saúde e como pessoa que convive com a doença.
“O acompanhamento adequado, a alimentação equilibrada, o uso correto das medicações e o monitoramento da glicemia são fundamentais para manter a qualidade de vida e prevenir complicações”, afirma.
Bruna observa que muitos pacientes chegam assustados e inseguros diante de uma descompensação. Por isso, o acolhimento emocional é tão importante quanto o tratamento clínico. “Muitas vezes, a pessoa precisa de orientação e tranquilidade para entender o que está acontecendo e quais serão os próximos passos do cuidado”, destaca.
Pé diabético, hipoglicemia e hiperglicemia: foco de atenção em Brazlândia
Na UPA de Brazlândia, a coordenadora de enfermagem Rayane Pergentino explica que as ocorrências mais comuns são:
- episódios de hipoglicemia (glicose baixa);
- hiperglicemia (glicose alta);
- complicações relacionadas ao pé diabético – condição que provoca perda de sensibilidade nos pés, dificulta a cicatrização e aumenta o risco de infecções e feridas graves.
“Quanto mais cedo a descompensação é identificada e tratada, maiores são as chances de evitar complicações e restabelecer o equilíbrio do organismo com segurança”, pontua.
O pé diabético requer atenção especial. Feridas que parecem pequenas podem evoluir rapidamente se não forem tratadas, aumentando o risco de infecção, internação e, em casos extremos, amputações. Sempre que houver:
- feridas que não cicatrizam;
- vermelhidão intensa;
- dor ou secreção;
- alterações de cor ou temperatura nos pés;
a recomendação é buscar atendimento, começando pela UBS e, em casos mais graves ou associados a febre e mal-estar, pela UPA.
UPAs para urgência, UBS para acompanhamento contínuo
Embora as UPAs sejam responsáveis pelos quadros agudos e emergenciais, o acompanhamento contínuo do diabetes acontece principalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), geridas pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF).
Nas UBSs, os pacientes recebem:
- acompanhamento multiprofissional (médicos, enfermeiros, nutricionistas, entre outros);
- ajuste de medicações;
- orientação alimentar;
- apoio para controle da glicemia e do peso;
- rastreio e prevenção de complicações.
“Manter o tratamento conforme orientação da equipe de saúde, monitorar a glicemia regularmente e adotar hábitos saudáveis continuam sendo as principais formas de prevenir complicações. Ainda assim, quando surgem sinais de descompensação, as UPAs permanecem preparadas para oferecer assistência rápida e qualificada”, conclui Rayane Pergentino.
No Dia Nacional do Diabetes, a mensagem das equipes do IgesDF é clara: controle diário e acompanhamento regular protegem, mas diante de sintomas agudos, procurar uma UPA rapidamente é fundamental para evitar agravamentos e garantir segurança no cuidado.
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