Iniciativa referência na SEEDF já levou quase 200 estudantes à UnB, mobiliza mais de 700 jovens e mostra o poder transformador da escola púb...
Iniciativa referência na SEEDF já levou quase 200 estudantes à UnB, mobiliza mais de 700 jovens e mostra o poder transformador da escola pública organizada
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
Um núcleo criado dentro de uma escola pública de Taguatinga vem mudando a trajetória de centenas de jovens do Distrito Federal. O Núcleo de Apoio aos Vestibulandos (Nave), do Centro de Ensino Médio (CEM) 03, já acumula mais de 400 aprovações em instituições de ensino superior e se consolidou como referência na rede pública, ao democratizar o acesso à universidade e fortalecer o protagonismo estudantil.
Idealizado e coordenado pela professora Regina Cotrim, o projeto integra as ações da Secretaria de Educação do DF (SEEDF) voltadas à preparação acadêmica de estudantes para vestibulares, Enem e programas de ingresso no ensino superior. Atualmente, mais de 700 alunos participam das atividades do Nave.
Recentemente, a comunidade escolar celebrou os três anos do projeto em uma cerimônia com presença de estudantes, familiares, educadores e autoridades, entre elas a reitora da Universidade de Brasília (UnB), Rozana Reigota Naves.
Quase 200 aprovações na UnB e vagas em diversas instituições
Os resultados do Nave refletem o alcance do projeto:
- mais de 400 aprovações em cursos superiores;
- quase 200 alunos aprovados na UnB;
- vagas no Instituto Federal de Brasília (IFB);
- aprovações na Universidade do Distrito Federal (UnDF);
- ingressos em universidades federais de outros estados;
- contemplados em programas de bolsas, como o Prouni.
Para além dos números, o Nave tem como foco preparar e sustentar projetos de vida acadêmicos, ajudando estudantes a ingressar na universidade e a se reconhecerem como sujeitos desse espaço.
“Sonhamos com uma escola pública que não fosse um lugar de passagem, mas um lugar de chegada. Um lugar onde o filho da classe trabalhadora pudesse entrar pela porta da frente da universidade e dizer: ‘Este espaço também é meu’”, afirma a coordenadora Regina Cotrim. “Celebrar três anos e mais de 400 sonhos realizados é provar que, quando a escola pública se organiza com rigor e com coração, ela é imbatível”, completa.
Pedagogia histórico-crítica e mediação pedagógica
O Nave vai além da lógica de cursinho tradicional. O projeto se fundamenta na pedagogia histórico-crítica, que busca ampliar o acesso dos estudantes a conhecimentos sistematizados e às oportunidades educacionais, articulando escola, comunidade e projeto de sociedade.
Na prática, o núcleo funciona como um projeto de mediação pedagógica, oferecendo:
- aulas de reforço e aprofundamento de conteúdos;
- preparação específica para vestibulares e Enem;
- atividades de orientação de estudos;
- visitas guiadas a universidades;
- apoio à construção de projetos de vida.
“Quando a gente mostra esses resultados, fazemos com que esses estudantes, e tantos outros que jamais ousaram pensar que aquele poderia ser o seu lugar, acreditem. A gente modifica a vida dessas pessoas”, ressalta Regina.
Reconhecimento da SEEDF: experiência a ser compartilhada
A secretária de Educação do DF, Iêdes Soares Braga, participou da celebração e destacou o Nave como exemplo de inovação pedagógica na rede pública.
“O CEM 03 hoje tem uma experiência riquíssima que precisa ser compartilhada. Quando a gente mostra esses resultados, fazemos com que esses estudantes, e tantos outros que jamais ousaram pensar que aquele poderia ser o seu lugar, acreditem. A gente modifica a vida dessas pessoas”, afirmou.
Para a SEEDF, iniciativas como o Nave mostram que, com engajamento da comunidade escolar, apoio institucional e foco nos estudantes, a escola pública pode ampliar significativamente o acesso de jovens da periferia às universidades.
Famílias envolvidas e novos voos para os estudantes
O sucesso do projeto também passa pela participação das famílias, que encontram no Nave um aliado na tarefa de apoiar os sonhos dos filhos.
Representando os pais dos estudantes aprovados, Viviane Oliveira leu uma carta de agradecimento à equipe pedagógica durante a solenidade.
“O projeto Nave demonstra na prática a força transformadora da educação pública e de qualidade. Vocês ofereceram o acolhimento, a estrutura e a direção certeira de que eles precisavam para navegar. Cada aula foi como um tijolo na construção dessas aprovações; vocês transformaram uma realidade e abriram portas para o futuro”, declarou.
A filha de Viviane, Amy Lee Oliveira, hoje estudante da UnB, conta que, no início do ensino médio, enxergava a universidade pública como um objetivo distante. Isso mudou com o apoio da escola e a participação nas atividades do projeto.
“O projeto foi muito importante na minha trajetória porque me ajudou a perceber que eu também poderia pertencer à universidade pública e que esse espaço era uma possibilidade real para mim”, relata.
Ao combinar preparação acadêmica rigorosa, acompanhamento próximo e valorização do protagonismo juvenil, o Nave mostra, na prática, como a educação pública pode ser instrumento concreto de transformação social, abrindo caminhos para que mais jovens do DF cruzem as portas da universidade.
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