Secretaria de Saúde do DF reforça que dieta equilibrada supre a maioria das necessidades e que suplementação deve ser sempre individualizada...
Secretaria de Saúde do DF reforça que dieta equilibrada supre a maioria das necessidades e que suplementação deve ser sempre individualizada
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
O consumo de suplementos alimentares – como multivitamínicos, proteínas em pó, colágeno e probióticos – cresce em todo o país, impulsionado por influenciadores digitais e estratégias de marketing. A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), porém, faz um alerta: para a maior parte das pessoas, uma alimentação variada é suficiente, e o uso de suplementos sem orientação profissional pode trazer riscos à saúde.
Crescimento do uso de suplementos e a ilusão do “atalho saudável”
Nos últimos anos, produtos como multivitamínicos, magnésio, probióticos, óleo de peixe, vitamina C, colágeno, vitamina B12, proteína em pó, fibras e os chamados “pós verdes” se popularizaram nas prateleiras e nas redes sociais. A promessa costuma ser a mesma: mais energia, imunidade fortalecida, melhor desempenho físico e envelhecimento saudável.
A gerente de Nutrição da SES-DF, Carolina Gama, ressalta que essa visão de que o suplemento é um atalho para a saúde não corresponde à realidade para a maioria da população. Segundo ela, em pessoas sem carências nutricionais comprovadas, o uso rotineiro desses produtos dificilmente traz benefícios relevantes.
“Se a pessoa tiver necessidades específicas ou carências nutricionais diagnosticadas, os suplementos fazem a diferença. Fora disso, não substituem uma alimentação saudável”, afirma a nutricionista.
Alimentação equilibrada continua sendo a base da boa saúde
Nutrientes direto do prato
De acordo com a Secretaria de Saúde, uma dieta balanceada, rica em alimentos in natura e minimamente processados, é suficiente para atender às necessidades nutricionais da maior parte das pessoas. Entram nesse grupo:
- Frutas
- Verduras e legumes
- Folhosos
- Ovos
- Carnes e peixes
- Grãos e cereais integrais
- Leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico
Carolina Gama explica que, na comida de verdade, os nutrientes estão combinados de forma mais favorável ao organismo:
“Nos alimentos, os nutrientes estão em equilíbrio e associados a compostos que favorecem sua absorção”, destaca.
Ou seja, não se trata apenas de quantidade, mas de como vitaminas, minerais, proteínas e outros compostos interagem entre si dentro do corpo. Algo que nenhum comprimido ou pó isolado consegue reproduzir com a mesma complexidade.
Riscos do uso indiscriminado de suplementos
Quando “mais” vira problema
Ao contrário do que muitos imaginam, suplementos não são isentos de riscos. O uso excessivo ou sem acompanhamento pode gerar efeitos adversos, especialmente quando envolve doses altas ou combinações de produtos.
Carolina Gama chama atenção para algumas situações:
Vitamina D em excesso
Pode causar acúmulo de cálcio no sangue e nos tecidos moles, levando à calcificação de órgãos e sistemas, com potencial comprometimento de rins, vasos sanguíneos e coração.Excesso de proteína
Em pessoas com doença renal ou predisposição a problemas nos rins, o consumo muito elevado de proteína – inclusive por meio de suplementos – pode sobrecarregar o órgão, agravando o quadro clínico.
Além disso, combinações desnecessárias de vitaminas e minerais podem gerar desequilíbrios entre nutrientes, interferir na absorção de outros e mascarar deficiências que precisam ser investigadas com exames e acompanhamento profissional.
Quando a suplementação é realmente indicada?
Situações em que o suplemento é um aliado
A SES-DF reforça que a suplementação tem seu lugar e pode ser fundamental em determinados contextos, desde que empregada de forma criteriosa. Entre os principais casos estão:
Gestação
Em alguns períodos, é recomendada suplementação de nutrientes específicos, como ácido fólico, visando a prevenção de malformações no feto e suporte ao organismo materno.Cirurgias bariátricas
Pessoas submetidas a procedimentos que reduzem o estômago ou alteram o intestino tendem a ter maior risco de deficiências nutricionais e frequentemente precisam de suplementação contínua.Deficiências nutricionais comprovadas
Carências de ferro, vitamina B12, vitamina D, entre outras, diagnosticadas por exame e avaliação clínica, podem exigir suplementação por período determinado.Condições clínicas específicas
Doenças que interferem na absorção de nutrientes ou no metabolismo podem demandar uso de suplementos em protocolos individualizados.
Suplementação preventiva em políticas públicas
Em alguns casos, a suplementação também é adotada em programas de saúde pública, com foco na prevenção de doenças em grupos vulneráveis. Entre as ações desenvolvidas no âmbito do Ministério da Saúde, estão:
- Suplementação de vitamina A
- Suplementação de ferro
- Fortificação do sal de cozinha com iodo
- Suplementação de ácido fólico em período pré-gestacional ou no início da gestação
Nessas situações, o uso é planejado, baseado em evidências científicas e voltado a faixas da população com maior risco de deficiências.
“Quando bem prescrito por esses profissionais, pode valer o investimento, mas sem avaliação e indicação técnica pode se tornar um gasto desnecessário ou até prejudicial”, avalia Carolina Gama.
Quem pode orientar sobre o uso de suplementos?
SUS oferece acompanhamento nutricional gratuito
A população não precisa tomar decisões sozinha sobre suplementos alimentares. No Distrito Federal, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimentos nas unidades básicas de saúde, onde é possível receber:
- Avaliação nutricional individual
- Orientações para uma alimentação saudável
- Participação em grupos e ações coletivas de educação alimentar e nutricional
O objetivo é promover hábitos alimentares adequados, reduzindo a dependência de produtos industrializados e de suplementação desnecessária.
Programa de Terapia Nutricional Enteral Domiciliar
A Secretaria de Saúde do DF também coordena o Programa de Terapia Nutricional Enteral Domiciliar (PTNED), voltado a pacientes com necessidades específicas de nutrição, que não conseguem se alimentar de forma convencional ou precisam de suporte complementar.
O programa oferece:
- Fornecimento de suplementos energético-proteicos
- Módulos de nutrientes específicos, conforme a condição clínica
- Planejamento feito por profissionais habilitados, com base em regulamento próprio e nota técnica que orienta a prescrição
Nesses casos, a suplementação não é opcional ou estética: faz parte do tratamento de saúde, visando garantir a oferta adequada de nutrientes ao organismo.
Suplementos: aliados ou vilões?
O recado da Secretaria de Saúde do DF é claro: suplementos alimentares podem ser importantes em determinadas situações, mas não devem ser vistos como substitutos de uma alimentação saudável nem consumidos como modismo.
Antes de investir em frascos e potes divulgados por influenciadores, a recomendação é buscar orientação de médico ou nutricionista, avaliar o estado de saúde, hábitos alimentares e, somente então, definir se há necessidade real de suplementação.
A base da saúde continua sendo a mesma: alimentação equilibrada, variada e adequada à rotina, associada a outros pilares como atividade física regular, sono de qualidade e acompanhamento médico periódico.
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