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Novo Plano de Transporte e Mobilidade do DF é debatido com população e ganha cenários ampliados de obras

Projeto que orientará investimentos em mobilidade pelos próximos 10 anos recebe mais de 6 mil contribuições e será votado pela CLDF no segun...

Projeto que orientará investimentos em mobilidade pelos próximos 10 anos recebe mais de 6 mil contribuições e será votado pela CLDF no segundo semestre

Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil

O Governo do Distrito Federal (GDF) avança na construção do novo Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Sustentável do Distrito Federal (PDTM), que vai orientar, pelos próximos 10 anos, as obras e ações de mobilidade urbana no DF. A minuta do projeto de lei e o relatório preliminar das intervenções previstas foram debatidos em audiência pública neste sábado (28), no auditório do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em Brasília, com ampla participação popular e técnicos da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) e do Laboratório de Transportes da Universidade Federal de Santa Catarina (Labtrans).

Devido ao número de propostas enviadas pela população, mais dois cenários de obras foram acrescentados aos 5 pré-existentes | Foto: Divulgação/Semob-DF

O texto, que resulta da união da atualização do Plano Diretor de Transporte Urbano (PDTU) e da elaboração do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), está previsto para ser enviado à Câmara Legislativa do DF (CLDF) no segundo semestre deste ano.

PDTM unifica planos e define diretrizes para a próxima década

O novo PDTM se consolida como o principal instrumento de planejamento das políticas públicas de mobilidade no DF. Ao reunir em um único documento o antigo PDTU e o PMUS, o GDF busca alinhar expansão de infraestrutura viária, transporte coletivo, mobilidade ativa (como bicicletas e deslocamentos a pé) e sustentabilidade ambiental.

A proposta estabelece prioridades de obras, metas, prazos e conexão direta com leis orçamentárias, de modo a garantir a previsão de recursos para a execução das intervenções. A ideia é evitar que o plano se transforme apenas em carta de intenções, como ocorreu com parte de projetos anteriores.

Participação social amplia escopo do plano

De acordo com o secretário de Transporte e Mobilidade, Zeno Gonçalves, o PDTM vem sendo construído com forte participação da sociedade em todas as etapas. Até o momento, já foram analisadas cerca de 6,2 mil propostas enviadas pela população em audiências públicas, oficinas e consultas online.

“Teremos a quinta audiência pública, atendendo a uma solicitação do Ministério Público, para que a população tenha mais tempo de analisar e opinar sobre o projeto. Já consolidamos aproximadamente 6.200 contribuições recebidas nas quatro audiências realizadas, em 70 oficinas regionais, reuniões virtuais, consulta pública online e encontros com órgãos e entidades do DF”, explicou o secretário.

Uma nova audiência está prevista para abril, antes da consolidação do relatório final que embasará o projeto a ser encaminhado à CLDF.

Propostas populares criam dois novos cenários de obras

As contribuições da sociedade civil não ficaram apenas no campo das sugestões genéricas: elas influenciaram diretamente o desenho técnico do plano. A engenheira do Labtrans, Fernanda Malon, explicou que o volume e a qualidade das propostas levaram a equipe a ampliar de cinco para sete os cenários de obras considerados no estudo.

“Com as manifestações apresentadas, nós criamos mais dois cenários. O cenário 6 trata da implantação de mais faixas exclusivas para ônibus, mantendo os principais eixos e aproveitando vias já existentes. Já o cenário 7 incorpora novas obras metroviárias e de BRT, além daquelas previstas nos outros cenários”, detalhou Fernanda, ressaltando que o cenário 7 requer investimentos de grande porte.

Entre as intervenções previstas nesse cenário mais robusto estão:

  • Trechos de BRT ligando Planaltina ao Plano Piloto;
  • Corredor no Eixo Leste, chegando a São Sebastião, com faixa exclusiva desde o Tororó;
  • Manutenção de um trem regional de Águas Lindas (GO) até a Rodoferroviária de Brasília;
  • Implantação de BRT na EPTG;
  • Implantação da Linha 2 do Metrô, partindo do Eixo Monumental até a Rodoferroviária, descendo pela EPNB até o Recanto das Emas e seguindo para o Gama e Santa Maria, com integração ao BRT já existente.

A definição do cenário prioritário levará em conta critérios como custo, demanda, impacto na redução de congestionamentos, diminuição de emissões e integração entre diferentes modos de transporte.

Gestão participativa e sistema de informações públicas

O PDTM é apontado como um salto qualitativo em relação ao PDTU de 2011, principalmente por fortalecer mecanismos de gestão participativa e transparência. O plano prevê:

  • Ferramentas digitais para acompanhamento das ações;
  • Instrumentos de controle social;
  • Criação do Sistema de Informações Sobre Mobilidade e Transporte, de caráter público e totalmente digital.

Esse sistema deve integrar, padronizar e disponibilizar dados sobre todos os modos de transporte do DF, incluindo ônibus, metrô, BRT, transporte individual motorizado, bicicletas e deslocamentos a pé. A expectativa é que essas informações subsidiem o planejamento governamental, a atuação de conselhos e o trabalho de pesquisadores e entidades da sociedade civil.

Órgão Gestor de Transporte e Mobilidade com forte presença popular

Um dos pontos mais debatidos na audiência foi a proposta de criação do Órgão Gestor de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal, a ser instituído por lei específica. Esse órgão terá funções regulatórias e fiscalizatórias em toda a área de transporte e mobilidade, com caráter deliberativo.

A minuta do PDTM prevê que 50% dos membros do órgão sejam representantes da sociedade, garantindo peso significativo à participação popular. Durante o encontro, diversos participantes defenderam ampliar ainda mais essa representação e aproximar a gestão das realidades locais nas regiões administrativas.

Fernanda Azevedo defendeu a criação de câmaras regionalizadas, "para que as necessidades reais de cada localidade sejam ouvidas"

A secretária da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana da CLDF, Fernanda Azevedo, sugeriu a regionalização das câmaras técnicas vinculadas ao órgão gestor.

“Já que não se previram conselhos locais, como no PDOT, e como o DF tem muitas regiões administrativas, é fundamental que todas sejam representadas em câmaras regionalizadas. Assim, as necessidades reais de cada localidade poderão ser ouvidas, com uma escuta qualificada da população”, afirmou.

Próximos passos: consolidação de propostas e audiência final

Ficou definido que, até a próxima audiência pública — prevista para abril —, todas as sugestões apresentadas nas diferentes etapas de participação serão analisadas e consolidadas pela equipe técnica da Semob-DF e do Labtrans.

Na quinta audiência, o relatório final do PDTM será apresentado, debatido com a sociedade e, posteriormente, publicado no site oficial do plano. A partir daí, o Governo do Distrito Federal deverá finalizar a minuta do projeto de lei e encaminhá-la à Câmara Legislativa no segundo semestre, abrindo uma nova fase de discussão, desta vez no âmbito do Legislativo.

O objetivo é que o novo Plano Diretor de Transporte e Mobilidade Sustentável do DF se torne a principal referência para decisões de investimento e políticas públicas de mobilidade, reduzindo desigualdades no acesso ao transporte coletivo, melhorando a integração entre modais e promovendo um desenvolvimento urbano mais sustentável e inclusivo.


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*Com informações da Semob-DF

 


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