Operação da Polícia Civil em Jacarepaguá apreendeu grande quantidade de material proibido usado na produção de linhas cortantes que já provo...
Operação da Polícia Civil em Jacarepaguá apreendeu grande quantidade de material proibido usado na produção de linhas cortantes que já provocaram mortes de motociclistas
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
A Polícia Civil do Rio de Janeiro desmantelou uma fábrica clandestina de linha chilena em Jacarepaguá, na zona oeste da capital fluminense, durante uma operação realizada pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. Dois homens foram presos em flagrante por envolvimento na produção e distribuição ilegal do material, considerado extremamente perigoso e proibido por lei estadual desde 2017.

Segundo as investigações, o local funcionava como um centro estruturado de fabricação e distribuição de linha chilena para diversos estados brasileiros. Durante a ação, os agentes apreenderam grande quantidade do produto ilícito, além de equipamentos e materiais utilizados na produção das linhas cortantes.
Linha chilena representa risco fatal para motociclistas
A linha chilena é produzida com componentes altamente cortantes e resistentes, capazes de provocar ferimentos graves, mutilações e até mortes. O material costuma atingir motociclistas na região do pescoço, sendo responsável por diversos acidentes fatais registrados no país.
A legislação estadual do Rio de Janeiro proíbe a comercialização, uso, armazenamento e transporte tanto da linha chilena quanto do cerol. Os materiais são utilizados em disputas de pipas, prática popular em várias regiões do Brasil.
Enquanto o cerol é composto por cola e vidro moído, a linha chilena possui substâncias ainda mais perigosas, como quartzo moído, algodão e óxido de alumínio, aumentando significativamente o potencial de corte.
Polícia identificou fábrica após trabalho de inteligência
A operação foi resultado de um trabalho de cruzamento de dados e troca de informações de inteligência conduzido pela Polícia Civil. As investigações apontaram que o grupo operava uma estrutura clandestina voltada à produção em larga escala da linha chilena.
De acordo com a corporação, o esquema abastecia diferentes estados do país, ampliando o alcance do material ilegal e aumentando os riscos à população.
Além do perigo para motociclistas, a polícia destacou que a utilização da linha chilena também coloca em risco ciclistas, pedestres, animais e até a rede elétrica, provocando acidentes urbanos de grande gravidade.
Número de denúncias cresce no Rio de Janeiro
Os casos envolvendo uso e comercialização de linha chilena e cerol vêm aumentando de forma expressiva no estado do Rio de Janeiro. Dados oficiais apontam que foram registradas 1.203 denúncias em 2025, mais que o dobro das 561 ocorrências contabilizadas em 2024.
Somente nos três primeiros meses de 2026, já foram registradas 110 denúncias relacionadas ao uso desses materiais ilegais.
Os motociclistas seguem entre as principais vítimas. Em abril deste ano, o motociclista Leandro Rezende Cardoso, de 45 anos, morreu após ter o pescoço atingido por uma linha chilena na região de Cascadura, zona norte do Rio de Janeiro.
Fiscalização tenta conter avanço da prática ilegal
As forças de segurança intensificaram as operações de combate à produção e comercialização clandestina de linhas cortantes diante do aumento dos acidentes fatais e da crescente circulação do material no estado.
A Polícia Civil reforça que fabricar, vender ou utilizar linha chilena configura infração prevista em lei e pode resultar em prisão, apreensão de materiais e responsabilização criminal.
As autoridades também alertam pais e responsáveis sobre os riscos envolvidos na prática de soltar pipas com materiais cortantes, especialmente em áreas urbanas e próximas a vias movimentadas.
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