Obra do arquiteto e professor da UnB Carlos Henrique Magalhães de Lima será lançada nos dias 28 e 29 de abril; pesquisa em arquivos públicos...
Obra do arquiteto e professor da UnB Carlos Henrique Magalhães de Lima será lançada nos dias 28 e 29 de abril; pesquisa em arquivos públicos e apoio do FAC sustentam narrativa sobre o coração cívico da capital
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
Um dos cenários mais emblemáticos de Brasília, o Eixo Monumental, ganha nova leitura em Monumental, livro do arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB (FAU/UnB) Carlos Henrique Magalhães de Lima. A obra, que será lançada nos dias 28 e 29 de abril, reúne arquivos históricos, desenhos técnicos e ensaios fotográficos para contar a trajetória do coração cívico da capital, cruzando arquitetura, história, memória urbana e modos de ocupação do espaço público.
Arquivo Público e FAC sustentam pesquisa sobre seis décadas de transformações
Resultado de extensa pesquisa no Arquivo Público do Distrito Federal, com apoio do Fundo de Apoio à Cultura do DF (FAC), Monumental apresenta:
- fotografias históricas;
- registros da construção de Brasília;
- desenhos técnicos de projetos e obras;
- um ensaio contemporâneo da fotógrafa Joana França, produzido entre 2011 e 2018.
O conjunto permite acompanhar as transformações do Eixo Monumental ao longo de mais de seis décadas, articulando o período da construção da nova capital, a consolidação de seus edifícios simbólicos e as camadas de uso e ocupação que se sedimentaram no tempo.
Para o autor, a combinação entre passado e presente amplia a leitura de uma paisagem conhecida, mas nem sempre observada em detalhe. “Os registros da Joana França permitem pensar as transformações no espaço ao longo dos anos”, explica Carlos Henrique.
Eixo Monumental como símbolo e espaço popular
Monumental propõe um olhar ampliado sobre o Eixo Monumental, visto não apenas como cenário de poder e arquitetura monumental, mas também como espaço de vida cotidiana para moradores, trabalhadores e visitantes do Plano Piloto.
Carlos Henrique destaca que o Eixo deve ser compreendido em duas dimensões complementares:
- o caráter simbólico dos edifícios e da composição urbana;
- as formas de uso público que se consolidaram no território, como manifestações, eventos culturais, lazer e circulação diária.
“É um lugar que tem aspecto monumental e simbólico, mas também permite diferentes formas de ocupação e apropriação. O livro é um convite para pensar adiante, para pensar o futuro do Eixo Monumental mantendo esse caráter de lugar popular, que permite ocupações variadas”, afirma o autor.
Trabalhadores, canteiros e o fazer da cidade em foco
A pesquisa também lança luz sobre as camadas menos visíveis da construção dos edifícios monumentais de Brasília. Além de arquitetos e engenheiros, a obra destaca o papel de operários e trabalhadores dos canteiros, responsáveis por transformar desenhos, cálculos e maquetes em concreto, mármore, vidro e cidade.
“A pergunta inicial era como houve, naquele momento, uma confluência de trabalhadores, operários, arquitetos e engenheiros para fazer tanta obra em tão pouco tempo e com tanta perícia. No detalhamento, na execução das formas e na execução do concreto, tudo isso importa para a realização da obra”, observa Carlos Henrique.
Ao recuperar documentos técnicos e registros do período, o livro evidencia o trabalho coletivo que viabilizou o conjunto monumental de Brasília, frequentemente resumido a poucos nomes, e amplia o entendimento da construção como processo social, técnico e político.
Arquivo Público modernizado e essencial para entender Brasília
Pesquisador do Arquivo Público do DF desde a graduação, no início dos anos 2000, Carlos Henrique relata que o acervo foi decisivo para a construção de Monumental. Ao longo da investigação, ele encontrou documentos, imagens e registros que ajudaram a estruturar a narrativa visual e textual do livro.
“Hoje é uma instituição que se modernizou consideravelmente e permite o acesso de forma muito mais facilitada. A equipe do Arquivo Público do Distrito Federal foi fundamental para a pesquisa. É uma instituição muito importante para a história do Brasil”, destaca.
A modernização de processos e a ampliação do acesso ao acervo permitiram que o autor cruzasse informações, desenhasse percursos históricos e relacionasse o projeto original do Eixo Monumental com as transformações posteriores.
FAC amplia alcance e diversidade de públicos
O apoio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) foi determinante para viabilizar o projeto, tanto no financiamento quanto na concepção de produtos e contrapartidas. Segundo o autor, o fundo incentiva propostas que extrapolam o livro impresso e alcançam públicos diversos.
“O FAC tem importância enorme aqui em Brasília. Não é só o patrocínio em si, embora os recursos sejam fundamentais. O formato do edital também estimula a pensar em outros produtos, com repercussão maior e alcance de públicos que muitas vezes são deixados de lado”, afirma Carlos Henrique.
Como contrapartida, Monumental terá exemplares em braile, destinados a bibliotecas de Brasília voltadas a pessoas com deficiência visual, além das versões em português e inglês. A proposta é alcançar leitores interessados em:
- arquitetura;
- história de Brasília;
- fotografia;
- patrimônio e cidade.
Trajetória do autor: da Catedral ao Eixo Monumental
Carlos Henrique Magalhães de Lima é arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU/UnB). Doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Urbanismo da UFRJ (Prourb-UFRJ), com estágio na École Nationale Supérieure d’Architecture Paris-Malaquais, desenvolve pesquisas sobre:
- relações entre projeto, desenho e construção;
- foco nos edifícios monumentais de Brasília;
- interfaces entre técnica, forma e uso.
Ele é também autor do livro Catedral de Brasília: projeto e obra (2024), em que aprofunda o estudo de um dos ícones arquitetônicos da capital. Em Monumental, amplia o recorte para o conjunto do Eixo Monumental, articulando edifícios, paisagem e modos de ocupação.
Lançamento, debate e onde adquirir
O livro Monumental terá dois eventos de lançamento, em formatos e ambientes distintos, aproximando a obra de públicos variados:
Terça-feira, 28 de abril
- Local: Bar Beirute Asa Sul
SHCS CLS 109, Bloco A1, Lojas 2/4 - Horário: 19h
- Atividade: lançamento e sessão de autógrafos em ambiente informal, marcado pela tradição cultural do Beirute
Quarta-feira, 29 de abril
- Local: Auditório Jayme Golubov — FAU/UnB
ICC Norte, subsolo, Campus Darcy Ribeiro - Horário: 17h
- Atividade: lançamento seguido de debate com o autor, mediação de Leandro Cruz e certificação da UnB para inscritos
Informações gerais
- Onde encontrar:
- Livraria do Chiquinho, na UnB
- Site da editora
- Valor: R$ 50
- Editora: Nada — Estúdio Criativo, em coedição com a Estereográfica
Com uma abordagem que combina rigor de pesquisa, riqueza visual e reflexão crítica, Monumental se apresenta como convite para rever o Eixo Monumental com outros olhos – não apenas como cartão-postal, mas como espaço vivo, em constante transformação, onde se cruzam memória, projeto e futuro da capital.
TAGS: BRASÍLIA, EIXO MONUMENTAL, LIVRO MONUMENTAL, CARLOS HENRIQUE MAGALHÃES DE LIMA, ARQUIVO PÚBLICO DO DF, FAC, FUNDO DE APOIO À CULTURA, ARQUITETURA DE BRASÍLIA, PATRIMÔNIO, PLANO PILOTO, JOANA FRANÇA, NADA ESTÚDIO CRIATIVO, ESTEREOGRÁFICA, UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
%20JCL%202.png)
.jpg)

%20JCL%202.png)

.png)



Nenhum comentário
Obrigado por contribuir com seu comentário! Ficamos felizes por ser nosso leitor! Seja muito bem vindo! Acompanhe sempre as nossas notícias! A equipe Tribuna do Brasil agradece!