Cancro bacteriano da videira foi identificado em propriedade no Paranoá; Seagri-DF amplia monitoramento e orienta produtores para evitar dis...
Cancro bacteriano da videira foi identificado em propriedade no Paranoá; Seagri-DF amplia monitoramento e orienta produtores para evitar disseminação da doença
Por Matheus Salomão - Redação Tribuna do Brasil
O Distrito Federal intensificou as ações de vigilância fitossanitária depois da confirmação do primeiro foco de cancro bacteriano da videira, doença causada pela bactéria Xanthomonas citri pv. viticola, em uma propriedade rural do PAD-DF, na região administrativa do Paranoá. A detecção é resultado de um trabalho de monitoramento iniciado em 2024 pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF), em parceria com a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e confirmado em laudo do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO).
O caso foi identificado a partir de amostras coletadas em área produtora de uvas, dentro de um projeto voltado à priorização de riscos fitossanitários e ao diagnóstico de pragas quarentenárias no DF. Resultados preliminares de 2025 já apontavam possível presença do patógeno, cuja confirmação laboratorial ocorreu em junho de 2026.
Risco para a viticultura em expansão no DF
Para o secretário de Agricultura do DF, Rafael Bueno, a confirmação da presença da bactéria exige atenção redobrada do setor produtivo, especialmente em um momento de crescimento da viticultura regional.
“O cancro bacteriano da videira representa um risco significativo para a viticultura do Distrito Federal, especialmente neste momento em que os produtores têm ampliado os investimentos na produção de uvas destinadas à elaboração de vinhos. Além do crescimento da área cultivada, os vinhos produzidos no DF vêm conquistando reconhecimento nacional e internacional pela sua qualidade”, observa.
Segundo ele, a Seagri-DF está mobilizando todos os esforços para conter o foco e evitar a disseminação da doença. “É fundamental que os produtores redobrem os cuidados, especialmente na aquisição de mudas e porta-enxertos de origem certificada, na desinfecção de ferramentas e no monitoramento constante das lavouras. Reforçamos que qualquer suspeita deve ser comunicada imediatamente à Seagri-DF para que as medidas fitossanitárias cabíveis sejam adotadas com rapidez”, enfatiza.
Doença sem cura: prevenção é o principal aliado
O cancro bacteriano da videira pode provocar:
- manchas nas folhas;
- lesões em nervuras, pecíolos e ramos;
- comprometimento do desenvolvimento dos frutos.
A disseminação da bactéria ocorre, principalmente, por meio de:
- material propagativo contaminado (mudas, estacas, garfos de enxertia);
- ferramentas e equipamentos usados sem higienização adequada;
- irrigação por aspersão;
- chuvas e ventos, que podem espalhar o patógeno entre plantas e talhões.
Como não existe tratamento curativo capaz de eliminar a bactéria das plantas infectadas, a principal estratégia de controle é a prevenção. Entre as recomendações técnicas da Seagri-DF e do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) estão:
- utilizar mudas e porta-enxertos de viveiros regularizados e certificados;
- realizar inspeções frequentes nos parreirais para identificar sintomas suspeitos;
- desinfetar ferramentas e equipamentos de poda e manejo entre plantas e talhões;
- evitar trânsito de material vegetal sem comprovação de origem;
- comunicar imediatamente qualquer suspeita aos canais oficiais de Defesa Agropecuária.
Ação integrada com Mapa e Embrapa
Após a confirmação da ocorrência, a Seagri-DF passou a atuar de forma articulada com o Mapa na delimitação do foco e na investigação da possível origem da bactéria. As equipes técnicas intensificaram o monitoramento de áreas produtoras de uva no DF e estão orientando viticultores sobre as medidas de prevenção e contenção.
Até o momento, o patógeno foi identificado em uma única propriedade rural, e as ações de vigilância foram ampliadas para avaliação da situação epidemiológica da doença em todo o território.
A subsecretária de Defesa Agropecuária da Seagri-DF, Danielle Araújo, ressalta que o caso reforça a importância do monitoramento contínuo. “A confirmação da ocorrência demonstra a importância do trabalho permanente de vigilância fitossanitária realizado pela Seagri-DF em parceria com instituições de pesquisa, com o Ministério da Agricultura e Pecuária e com os próprios produtores rurais”, destaca.
Produtores devem comunicar suspeitas à Seagri-DF
Diante do risco de disseminação, o governo reforça que qualquer sintoma suspeito de cancro bacteriano da videira deve ser comunicado imediatamente à Secretaria de Agricultura, pelos canais da Defesa Agropecuária, para que equipes técnicas possam:
- vistoriar a área;
- coletar amostras para análise laboratorial;
- orientar sobre medidas de isolamento e manejo;
- adotar, quando necessário, ações de erradicação de plantas e restrição de trânsito de material vegetal.
O objetivo é preservar a sanidade dos parreirais, proteger os investimentos feitos pelos produtores de uva e vinhos no DF e manter a reputação da viticultura local, que vem ganhando espaço no cenário nacional e internacional.
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