China lidera manobras do BRICS Plus e transforma bloco econômico em ator militar
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De acordo com as Forças de Defesa Nacional da África do Sul, o exercício envolverá operações conjuntas de segurança marítima, treinamentos de interoperabilidade e ações de proteção das rotas comerciais. Embora o comunicado oficial não detalhe todos os participantes, reportagens internacionais apontam a presença das marinhas da Rússia e do Irã, além da possível participação de Indonésia e Etiópia.

A iniciativa representa uma mudança relevante na atuação do BRICS, tradicionalmente voltado à cooperação econômica. Desde sua criação, o bloco vinha evitando ações formais na área de defesa, mesmo com o aumento de seu peso geopolítico após a expansão iniciada em 2023, quando novos países passaram a integrar o grupo.
A China enviou para o exercício o destróier de mísseis guiados Tangshan, da classe Tipo 052DL, e o navio de abastecimento Taihu, ambos integrantes da força-tarefa chinesa de escolta naval no Golfo de Aden. As embarcações fizeram escala no Quênia antes de seguirem para o sul da África.
Analistas avaliam que o exercício se insere em uma estratégia mais ampla de Beijing para ampliar sua presença militar fora da Ásia, especialmente no Sul Global. Para especialistas em defesa, o envolvimento de países sob sanções internacionais, como Irã e Rússia, e o uso da marca BRICS reforçam o caráter político da iniciativa.
O fortalecimento do BRICS como plataforma geopolítica ocorre em paralelo à intensificação da rivalidade entre China e Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, já afirmou que poderá impor sanções comerciais caso o bloco adote medidas que desafiem o papel do dólar na economia global.
Na África do Sul, o exercício também provoca debate interno. Partidos e analistas alertam que a ampliação da cooperação militar com países sancionados pode comprometer a alegada política externa de não alinhamento de Pretória e tensionar ainda mais as relações com parceiros ocidentais, especialmente os Estados Unidos.
Mesmo assim, o governo sul-africano sustenta que as manobras têm caráter defensivo e estão alinhadas ao objetivo de garantir a segurança marítima e a estabilidade das rotas comerciais, consideradas estratégicas para o país e para o comércio internacional.
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