Decisão afasta ministro de casos ligados à Operação Compliance Zero; Segunda Turma do STF decidirá prisão do banqueiro sem a participação de...
Decisão afasta ministro de casos ligados à Operação Compliance Zero; Segunda Turma do STF decidirá prisão do banqueiro sem a participação dele
Por Anderson Miranda - Redação Tribuna do Brasil
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se suspeito para participar do julgamento que vai decidir se a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro será referendada pela Corte. A análise da decisão do ministro André Mendonça, que determinou a prisão preventiva do empresário, está marcada para a próxima sexta-feira (13), em sessão virtual da Segunda Turma do STF.
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Suspeição por “foro íntimo” em caso relacionado ao Banco Master
Na decisão, Toffoli justificou o afastamento com base em correlação entre o processo sobre a prisão de Vorcaro e outros autos que já tramitam no Supremo:
“Tendo em vista que há correlação entre as matérias objeto daquele feito e as dos autos da Pet nº 15.556/DF, declaro a minha suspeição na forma do art. 145, § 1º, do Código de Processo Civil, por motivo de foro íntimo, a partir desta fase investigativa”, escreveu o ministro.
Com a suspeição, Toffoli fica impedido de votar no julgamento que pode confirmar ou rever a decisão de André Mendonça. Assim, o caso será decidido pelos ministros:
- Gilmar Mendes
- Luiz Fux
- Nunes Marques
- André Mendonça (relator da decisão de prisão)
A sessão virtual da Segunda Turma está prevista para começar às 11h de sexta-feira (13).
Suspeição também em ação que cobra CPI do Banco Master
Na mesma linha, Toffoli também se declarou suspeito para julgar o mandado de segurança que busca obrigar a Câmara dos Deputados a instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostas fraudes no Banco Master.
O ministro havia sido escolhido relator da ação nesta quarta-feira (11), por distribuição eletrônica. Como, até então, não havia declaração formal de impedimento ou suspeição em novos processos ligados ao Master, o caso entrou normalmente na distribuição entre todos os ministros.
Após a manifestação de Toffoli, o ministro Cristiano Zanin foi escolhido novo relator do mandado de segurança que trata da CPI.
Contexto: ligação do caso com Operação Compliance Zero e resort Tayayá
A suspeição de Toffoli ocorre em meio às investigações da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura fraudes em operações do Banco Master, incluindo a concessão de créditos e transações com o Banco de Brasília (BRB).
No mês passado, o ministro deixou a relatoria do inquérito sobre as fraudes no Master depois que a PF informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro – apreendido na primeira fase da operação – faziam menções a Toffoli.
Um dos pontos sob investigação é a compra do resort Tayayá, no Paraná, por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master. Toffoli é um dos sócios do empreendimento, o que reforçou a necessidade de afastamento por motivo de foro íntimo para evitar qualquer questionamento sobre sua imparcialidade.
Embora tenha deixado voluntariamente a relatoria do inquérito, o ministro ainda não havia se declarado formalmente impedido em processos posteriores relacionados ao mesmo contexto, o que permitiu que novos casos lhe fossem distribuídos eletronicamente até esta decisão.
Próximos passos: decisão sobre prisão e CPI
Com a suspeição declarada:
- A Segunda Turma do STF decidirá, sem Toffoli, se mantém ou revoga a prisão de Daniel Vorcaro, determinada por André Mendonça;
- O ministro Cristiano Zanin assumirá a relatoria do mandado de segurança que cobra a instalação da CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados.
Os desdobramentos desses julgamentos serão centrais para:
- O rumo das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master e eventuais impactos sobre o sistema financeiro;
- A pressão política por apuração parlamentar no Congresso;
- A própria condução da Operação Compliance Zero em instâncias superiores.

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